quadragésimo quinto

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11 de novembro de 2003 – Columbus, Ohio

Segundo dia sem Tyler. Igualmente difícil, igualmente chato, igualmente sem-graça.

Minha mãe apareceu hoje bem cedo no meu quarto e perguntou se eu estava bem de verdade, e eu menti dizendo que sim. Ela fez aquela cara de que não acredita no que falo, mas finge que acredita só pra não me magoar. Ela saiu do meu quarto e eu quase a chamei para falar que eu sentia muita falta de Tyler, mas ela já estava descendo as escadas.

Mais crise de ansiedade, dessa vez dentro do ônibus. Tentei cobrir o rosto com as mãos e tentar sentir cada centímetro do meu rosto com as palmas para tomar noção de realidade, mas parecia não estar funcionando. Fiz todo tipo de exercício de respiração que a Dra. Eva me recomendou, mas nada fez efeito também.

É oficial, o único remédio que preciso é Tyler. Eu gosto muito dele, mas odeio o fato que me sinto preso demais a ele.

Mas se Tyler morrer antes de mim? Se algo acontecer e a gente parar de se falar? Se a gente tiver que morar longe um do outro e nunca mais se ver, o que vai acontecer? O que vai ser de mim? Eu me sinto um lixo, um inútil, fraco, por não conseguir nem sequer passar um dia na escola longe do melhor amigo. Como vou me tornar um adulto desse jeito? Como vou viver assim, dependente de uma pessoa para manter a própria sanidade?

Não é como se eu não gostasse da companhia de Tyler. Eu adoro estar com ele, mais do que qualquer coisa, mas eu só queria que eu fosse capaz de ficar bem sozinho.

Goner (don't let me be)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora