12 de novembro de 2003 - Columbus, Ohio
O dia foi uma droga, como sempre. Nem vale a pena contar sobre ele.
O que importa é que Tyler me ligou. Sim, ele lembrou de mim e deu um jeito de falar comigo! Quando o telefone tocou, minha mãe correu pra atender. Eu nem imaginava que poderia ser Tyler. Aí ela falou "Sim, ele está" ao telefone e depois me chamou. Perguntei "Quem é?", porque na hora nem imaginei que poderia ser meu melhor amigo. Eu nem tinha esperanças dele se lembrar de mim.
Ela disse "É o Tyler!" e eu juro que arrepiei ouvindo isso. Ela me entregou o telefone e eu suspirei de alívio quando ouvi a voz de Tyler dizendo meu nome.
"Tyler?", falei, tremendo um pouco. Parecia que eu tinha Parkinson em vez de ansiedade severa.
"Oi, Josh, sou eu", eu sabia que ele sorria enquanto falava. Eu sorri junto "Como estão as aulas?"
"Do mesmo jeito de sempre", respondi. "Só que sem você elas estão mais chatas."
"Oh," Tyler disse do outro lado. Eu me sentia cada vez mais calmo "Aqui também tá bem chato sem você."
"Você só volta na sexta?", perguntei esperançoso. Talvez os pais de Tyler tivessem mudado de ideia.
"Então... Eu tinha ligado para falar sobre isso" Tyler falou num tom sério e eu fiquei com medo. Será que ele vai passar mais uma semana? O telefone ameaçou escorregar da minha mão para o chão, então eu o segurei mais forte.
"O que houve?" perguntei.
"A gente vai voltar amanhã!", Tyler disse, e eu quase pulei de alegria.
"Você vai pra escola na sexta?" eu não pude deixar de perguntar. Tinha que preparar as boas-vindas dele.
"É claro,", ele respondeu. "Se minha mãe não deixar eu fujo só pra poder te ver."
Inexplicavelmente eu senti algo estranho no meu peito quando ele disse aquilo. Eu só consegui sorrir para a parede à minha frente.
"Eu tenho um presente para você, Josh", ele falou bem baixo. "Minha mãe disse que não era pra eu contar para você até te entregar."
"Ah, Tyler!", eu quase gritei. "O que você vai me dar?"
"Você vai saber na sexta", ele disse, e eu fechei os olhos com força, frustrado. Ótimo, agora eu ia passar duas noites inteiras imaginando o que ele vai me dar de presente na sexta.
Ouvi a mãe de Tyler chamá-lo pela ligação. Ele disse que já estava indo e aí a gente teve que se despedir. Não foi fácil.
"A gente se vê na sexta, Jishwa", ele falou.
"É, a gente se vê", eu completei, então ele me deu boa-noite e desligou, e eu fiquei em pé na cozinha com o telefone na mão, sorrindo.
Só o som da voz de Tyler já leva meu dia de 0 a 100 em menos de um minuto.
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Goner (don't let me be)
Hayran Kurgu(baseada na música Goner) "Ele tirou de mim todas as esperanças que eu tinha de viver feliz por toda a minha vida. Ele é o que me faz ser infeliz. Você não fez nada de errado. A culpa é dele. A culpa é minha. A culpa é só minha. Eu já era um caso pe...
