01 de outubro de 2003 - Columbus, Ohio
Hoje Tyler me disse que o aniversário dele seria daqui a dois meses.
Ah, então ele ainda tem 14 anos. Eu vou economizar algum dinheiro para comprar algo especial para ele. Até 01 de dezembro eu já decidi o que comprar para Tyler.
Hoje tivemos aula de química juntos. Eu acho as aulas do sr. Diggle muito chatas, mas Tyler estava ali, então tudo ficava menos chato.
Eu senti de novo aquela vontade de contar tudo para Tyler. Com tudo eu digo toda essa coisa da psiquiatra e da ansiedade e dos remédios. Com certeza Tyler nem desconfia que eu tenha tudo isso na minha vida. Os remédios estão fazendo efeito, afinal.
Ou isso é só o efeito de Tyler. Fazer com que eu me sinta normal. Assim como todo mundo parece ser.
Mas ninguém é normal de fato, certo? Eu só tive o defeito de ter ansiedade generalizada e ter que tomar remédios pra controlar isso, porém... duvido que Tyler ou qualquer um daqueles outros que estudam comigo seja 100% mentalmente estável.
Tyler perguntou o que eu ia fazer quando minha mãe chegou na escola para me buscar depois do almoço. Eu tive muita vontade de contar toda a verdade, mas levaria tempo e minha mãe estava um pouco impaciente. Eu não queria mentir pro meu melhor amigo, mas fui obrigado. Eu falei que ia visitar uma tia doente. Minha mãe disse oi pro Tyler e me levou pro carro.
Só percebi o quanto eu estava tenso quando desci do carro em frente ao consultório da Dra. Eva.
A coisa toda foi insuportável. A espera na recepção, a fala da recepcionista, o nervosismo dos meus pais... Eu me odiei por aquilo. Eu achei que aquele negócio de perder o controle da mente estava quase acontecendo, mas de alguma forma eu consegui resistir.
Aí a gente entrou na sala da Eva.
E ela conversou um pouco comigo. Perguntou se eu tinha visto alguém que nunca tinha visto antes, e falei da sensação de ser seguido de perto. Aí ela suspirou nossa-tão-pesadamente e olhou pros meus pais e para mim.
Eu tenho, além de transtorno de ansiedade, transtorno de dupla personalidade.
Outro eu vive em mim. Um eu mau, destrutivo, todo o meu lado ruim que eu nunca conheci e que vive dentro da minha mente se apodera do meu corpo e faz coisas que não quero.
A que ponto cheguei. Olhe só, um garoto de 15 anos sendo destruído pela própria mente.
Minhas chances de ser normal estão abaixo de zero, agora. Ninguém disse isso, mas sei que tanto meus pais quanto a Dra. Eva sabem disso. Só não têm coragem de me dizer.
Perdi toda a vontade de contar os meus problemas para Tyler. Até estou pensando em me afastar dele agora, mas, pensando bem... não. Tyler é meu melhor amigo. Se eu for me afastar, vou ter que dar uma explicação, e eu nunca conseguiria explicar tudo isso.
I've got two faces...
Espero que estejam gostando, frens 💗
VOCÊ ESTÁ LENDO
Goner (don't let me be)
Fanfiction(baseada na música Goner) "Ele tirou de mim todas as esperanças que eu tinha de viver feliz por toda a minha vida. Ele é o que me faz ser infeliz. Você não fez nada de errado. A culpa é dele. A culpa é minha. A culpa é só minha. Eu já era um caso pe...
