quadragésimo

1.1K 185 84
                                        

06 de novembro de 2003 – Columbus, Ohio

Acordei com dor de cabeça. Eu insisti em ir pra escola, mas minha mãe disse que do jeito que eu estava eu não podia ir. Fiquei triste, porque eu queria falar com Tyler, mas minha mãe disse que eu poderia ligar para ele antes que ele saísse para a escola.

Minha dor de cabeça quase passou quando ouvi a voz de Tyler do outro lado. Era tão reconfortante ouvir a voz do meu melhor amigo...

Eu disse a ele que eu estava com uma dor de cabeça horrível e que eu não ia pra escola hoje. Eu juro que podia ver o brilho bonitinho dos olhos dele se apagando ao me ouvir dizendo isso, e a boca dele curvando-se um pouco para baixo, triste. Eu passaria horas falando sobre todas as expressões faciais de Tyler, porque ele fica muito bonito em todas elas.

É estranho dizer isso, mas é a verdade. Se eu fosse uma menina (tipo a Jenna) eu seria apaixonado por Tyler desde o primeiro instante.

Então Tyler disse “Tudo bem” e me desejou melhoras. Eu prolonguei um pouco mais nossa conversa até Tyler dizer que estava na hora de ele ir pra escola, e com um peso no coração eu desliguei.

Depois de falar com Tyler eu me tranquei no quarto e tentei dormir.

Antes de finalmente pegar no sono, tive mais um lapso. Não me assustei tanto quanto da primeira vez, mas ainda fico muito surpreso vendo o que “eu” faço quando perco o controle das coisas.

Dessa vez eu quis bater no Jordan. Meu pai teve que me tirar de cima dele. Posso ter uma ideia de quando isso aconteceu, porque acho que faz uma semana que o Jordan apareceu com uma mancha roxo-azulada no pescoço. Ele também parecia ter um pouco de medo de mim, mas eu nem percebi isso. Só agora se tornou mais óbvio.

É vergonhoso. Mesmo que todo mundo saiba que não sou eu, Joshua Dun, fazendo essas coisas, de certa forma sou eu sim. É o meu corpo sendo controlado por uma coisa que tá na minha mente, mesmo que seja só por alguns minutos.

Eu me odeio, de verdade. Não tanto quanto o outro odeia Tyler ou me odeia, mas eu me odeio por simplesmente ser eu. Se eu não tivesse ansiedade e dupla personalidade eu seria só um garoto normal de 15 anos, eu dormiria na casa do Tyler, ele viria pra minha casa também, eu não seria evitado por minha própria família e etc., são muitas coisas que posso listar aqui.

Minha mãe trouxe minhas refeições no quarto. Às cinco da tarde eu não tinha mais dor de cabeça.

Amanhã ainda é sexta-feira e, mesmo que eu conheça cada detalhe de Tyler, ainda me sinto ansioso para vê-lo.


Começando os cardinais estranhos nos nomes dos capítulos...

Goner (don't let me be)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora