14 de dezembro de 2003 – Columbus, Ohio
"Estar numa montanha-russa emocional é normal?", foi a primeira coisa que falei para a Dra. Eva ontem, antes mesmo de dar bom dia. Ela suspirou.
"Infelizmente sim, Josh, é comum ter o emocional instável quando se tem transtorno de dupla personalidade, e como você tem transtorno de ansiedade...", ela deu uma pausa, "E ainda é adolescente, isso só piora."
"Ahhhh, não", eu reclamei. Eu não aguento mais ficar feliz, depois triste, depois feliz, depois me sentir um lixo, depois muito feliz, depois fracassado, eu não aguento mais. Tyler é meu amigo e ele ajuda a tornar o passar dos dias uma coisa mais prazerosa, mas não posso ficar todo o tempo esperando que ele me salve.
Acho que a Dra. Eva pensou que tinha algo errado comigo. Até tinha – tem – mas não sei se isso agora é considerado errado. Isso é quem eu sou agora, um humano fraco e inútil. Quero ser melhor, mas eu não sei se eu consigo.
"Aconteceu alguma coisa, Josh?", ela perguntou.
"Não", eu respondi. Comecei a me sentir estranho naquela hora, mas achei que era só impressão minha.
"Sua mãe disse que você passou dois dias sem ir pra escola."
"Por que ela te disse isso?", respondi. "Ela vive se intrometendo na minha vida."
Ela ficou assustada, e se aproximou mais de mim.
"Josh?", ela perguntou.
"Sim", eu ouvi minha voz falando, o que foi muito estranho. Eu não me sentia 'dentro' de mim. Era como se eu estivesse perdido em algum lugar da minha mente, observando tudo pelos meus olhos, como se eu estivesse assistindo a um filme.
"Josh, está tudo bem?", ela perguntou, preocupada. Ela devia ter percebido que algo não estava certo.
"Não está", minha própria voz respondeu. Eu me sentia preso a algo, mas não conseguia me soltar. Comecei a ficar desesperado.
"Josh, eu vou contar de dez a zero devagar e você vai prestar atenção na minha contagem", Eva falou, e eu percebi que ela sabia o que estava acontecendo, e ela sabia o que fazer pra fazer aquilo parar, então eu fechei meus olhos e prestei atenção na voz calma dela contando de dez a zero várias vezes, até que eu acordei, podendo me controlar de novo.
"Está tudo bem?", ela perguntou, alarmada demais.
"Está", eu estava gaguejando de tão nervoso. Encolhi-me na poltrona.
"Consegue ter consciência do que está vendo?", perguntou novamente. Eu estava chorando, não conseguia falar, então só acenei para dizer que sim.
"O que aconteceu comigo?", eu perguntei assim que eu me senti pronto pra falar.
"Você se lembra de tudo, Josh?", ela perguntou. Ela ficou chocada, eu acho. Eu disse que sim, então ela pediu pra eu contar o que aconteceu e como eu me senti. Chorei contando, então ela me deu uma barrinha de chocolate. Fazia muito tempo que eu não ganhava barrinhas de chocolate.
Ela falou que eu tinha conseguido me manter consciente durante a dissociação de personalidade, o que era bom e ruim. Bom porque seria mais fácil eu voltar ao controle, ruim porque eu seria obrigado a ver e ouvir tudo o que ele fazia.
Voltei pra casa sem trocar nenhuma palavra com meu pai no carro. Ele viu que eu não estava bem, e acho que a Dra. Eva falou para ele não perguntar nada a mim.
Eu quero ver Tyler o mais rápido possível. Preciso tê-lo comigo. Mas ao mesmo tempo que quero estar perto dele, morro de medo de meu alter ego me fazer machucar Tyler sem que eu perceba o que estou fazendo.
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Goner (don't let me be)
Fanfiction(baseada na música Goner) "Ele tirou de mim todas as esperanças que eu tinha de viver feliz por toda a minha vida. Ele é o que me faz ser infeliz. Você não fez nada de errado. A culpa é dele. A culpa é minha. A culpa é só minha. Eu já era um caso pe...
