29 de setembro de 2003 – Columbus, Ohio
Tyler me convidou para ir à casa dele depois da aula, e eu fiquei morrendo de medo de minha mãe brigar se eu chegasse tarde em casa. Ele disse que iríamos matar os horários da tarde para jogarmos videogame, e aí mesmo eu fiquei nervoso.
Mas o olhar de Tyler era tão... ah, como posso descrever? Ele estava quase implorando para eu matar aula com ele para jogar videogame, então... Eu fui.
Eu fiquei com medo de minha mãe ou meu pai estar passando na rua enquanto eu e Tyler estávamos andando apressados pela calçada. Mas Tyler pegou alguns atalhos e em menos de dez minutos estávamos na casa dele.
Aí eu perguntei se os pais dele não iriam brigar com ele, então ele tirou do bolso uma chave e disse que os pais dele só voltam do trabalho à noite. Então ele abriu um sorriso do tamanho do mundo quando abriu a porta da frente e a gente entrou lá.
A casa dele é parecida com a minha, só que a casa dele é branca e a minha é vermelha. Ele não mora longe da escola, então ele vai a pé para lá. A gente comeu torrada com geleia de framboesa e eu peguei um pouco do cereal dele. Desejei ser vizinho dele.
Aí a gente foi jogar Mortal Kombat. Ele sempre ganhava de mim, e algumas vezes ele me deixou ganhar. Aquele jogo me dava uma sensação boa, uma ansiedade boa, não aquela que me impedia de pensar e de respirar. Às vezes eu parava de olhar para a TV e olhava para Tyler. Ele parecia tão animado jogando. Eu gostava de vê-lo concentrado, mas não podia ficar olhando para o rosto dele o dia todo.
Não só o rosto. Tyler inteiro. A voz dele me acalmava, o jeito que ele dizia meu nome. O andar apressado era uma coisa que se encaixava perfeitamente nele. Acho que é normal pensar assim sobre o melhor amigo, não é?
Teve uma hora que eu notei Tyler me olhando feito bobo. Não sei o que ele estava vendo. Talvez fosse meu cabelo, que estava começando a desbotar. Sei lá, acho que não faz muita diferença. Quando eu peguei ele olhando pra mim ele fingiu que estava amarrando o cadarço do sapato.
Aí quando o relógio marcou quatro da tarde eu peguei minhas coisas e fui saindo da casa de Tyler. Então ele me chamou e me disse para esperar um pouco. Pegou um papel e escreveu algo, bem apressado. Quando ele me entregou eu vi que era o número do telefone da casa dele.
Eu anotei o meu e entreguei a ele.
Tyler sorriu (eu amo anotar que ele sorriu pra mim. Meu Deus) e disse que a gente devia conversar mais. Eu agradeci e fui correndo para o meu ponto de ônibus, tão rápido quanto o vento.
Eu vou ligar para ele daqui a pouco, já sinto falta dele. Tyler é a única pessoa que traz normalidade ao meu dia a dia. Ele me faz sentir vivo. Faz com que eu ignore as vozes dentro da minha cabeça. Eu só queria agradecer ao criador desse mundo por me dar Tyler Joseph como melhor amigo.
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Goner (don't let me be)
Hayran Kurgu(baseada na música Goner) "Ele tirou de mim todas as esperanças que eu tinha de viver feliz por toda a minha vida. Ele é o que me faz ser infeliz. Você não fez nada de errado. A culpa é dele. A culpa é minha. A culpa é só minha. Eu já era um caso pe...
