Eu e Ela

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Acordo no meu apartamento com uma sensação de paz que há dias não tinha.
Ela estava deitada no meu peito.

Como pude ser tão tolo e acreditar naquelas fotos?
Realmente quando a gente ama é estranho, é diferente, é algo que pra mim nunca havia sentido!

Ela me faz bem!
Fico pensando na minha vida e agora com ela eu não me sinto nem me vejo mais só.

Em pouco tempo eu arrumei um pai, uma família, um amor e até uma cunhada louca.

Eu definitivamente não estou só.

Olho em volta e vejo no criado mudo a carta.

Acho que está na hora de contar a minha história para Ester. Ela é minha mulher é tem que saber tudo sobre mim.

- Bom dia Sr. Marcello!!
Diz me beijando.

- Não me chame de Senhor, Ester.

- Eu sempre chamei! E você não vai responder meu bom dia?

- Bom dia meu amor!

Ela me olha como se não acreditasse no que estava ouvindo, mas foi sincero e foi de coração.

- Bom dia meu amor!
Me responde.

Ficamos nos olhando por um bom tempo sem dizer uma só palavra. Eu estava tão feliz ela era a primeira pessoa com quem realmente me importava.

Meu celular toca.

* Armando, como vai?

*Meu filho o que aconteceu? Porquê você sumiu e não atendeu minhas ligações?

*Armando eu fiquei muito mal com uma armadilha que fizeram para me separar da Ester e me tranquei no meu mundo!

* Filho você devia ter me falado! Eu fiquei preocupado com você!

* Não fique agora eu estou bem!

* Bem fico mais tranquilo, na semana que vem vou em São Paulo com Cristina, podemos almoçar juntos?

* Claro que sim!

* E a carta Marcello você já leu?

*Ainda não, mas vou ler!

* Tudo bem filho, tenha um bom dia!

*Você também Armando.

Desligo o telefone e vejo Ester olhando pela janela enrolada no lençol. Beijo sua nuca e a abraço.

- Me fala um pouco de você Marcello e porquê o Armando parece se importar tanto?

- Tudo bem Ester eu vou te contar. Mas antes vou buscar algumas coisas para o nosso café!

Arrumo nosso café dá manhã e volto para o quarto.

Me sento na cama e começamos a comer.

- Bom Ester eu tenho uma ligação com Armando como você já percebeu. Bom do começo vamos lá.

Ela me olha curiosa. Eu fico feliz por saber que agora tenho alguém para contar as coisas.

- Quando eu nasci minha mãe morreu no parto, ela teve pré-eclampsia pelo menos é o que alguns exames dizem.
Depois disso meu pai entrou em depressão e se trancou no escritório, só sabia trabalhar e não se importava comigo, eu só tinha uma babá que era bem seca comigo, meu pai também não permitia que nem um amigo dá escola viesse me ver e como fui criado dessa forma eu era muito fechado então não tinha amigos,  nunca tive além do Daniel, o cara que tinha um caso com a Sabrina.

Essa babá foi embora quando eu tinha doze anos e fiquei sozinho em uma casa enorme que tinha uma cozinheira e empregada, mas nós não tínhamos muito contato, eu ficava na escola o dia todo e quando chegava elas já haviam ido embora.
Meu pai sempre me culpou dá morte da minha mãe, falava que eu só tinha vindo no mundo pra trazer desgraça na vida dele. E então ele morreu quando eu estava com dezenove anos, eu nem chorei em seu velório porque eu não sabia o que era amor, ele nunca despertou isso em mim.

Depois de alguns anos eu conheci Sabrina em uma boate e ela se encaixava nos meus planos, ela era bonita, não me perturbava e não ficava com palavras de amor, era só sexo e dinheiro mais nada, por fim ela também foi embora.

Tudo bem eu nem me importava! Foquei no trabalho impondo meu jeito de ser, você melhor do que ninguém sabe.

E foi aí que apareceu Armando, ele já me conhecia Ester, ele acompanhou a minha vida toda de longe, ele foi o primeiro amor que minha mãe teve e como ela veio pra São Paulo atrás dos sonhos, eles se separaram.

Armando me contou que sofreu muito, e foi ai que conheceu a Cristina uma amiga e parceira, que se tornou o amor de sua vida.
Mas mesmo com tudo isso ele sentiu que precisava me conhecer, saber se eu estava bem, me contou que se sentiu incomodado com a minha vida, com o fato de eu não ter ninguém, e agora adulto eu estava ainda pior, e foi aí que ele bolou um plano para que eu virasse seu sócio e me aproximasse dele.
Ele até comprou uma transportadora para isso, ele é dono de duas construtoras e toda aquela história de falência era mentira.

E por fim ele me contou sobre o desafio que gerou nosso "contrato", ele me falou que desde a primeira vez que nos viu juntos percebeu meu interesse, isso quando ele me vigiava de longe, ele viu que a minha frieza e arrogância não me deixa amar você. E por isso ele disse que só assinaria os documentos se eu provasse que alguém poderia me amar, no fundo ele já sabia que eu só tinha você!
E foi naquele dia que você viu a Sabrina em cima de mim que eu soube de toda a verdade, eu me senti parte de alguma coisa. Eu estava tão abalado por você não me querer e ter te magoado a ponto de você parecer um robô. - Ele faz uma pausa - me desculpe por isso Ester.

Me olha e eu só balanço a cabeça para dizer que está tudo bem.

Ele esteve em todas as minhas formaturas. Ele é a única pessoa que me viu crescer. É por isso que eu sinto quando alguém vai embora, não tenho exemplos de como viver com amor e nem tenho exemplos para seguir.

- Eu entendo, tudo faz sentido agora. Obrigada por me contar. Sr. Armando é o cara.
Me diz sorrindo.

- É tudo muito louco né?

- É tudo muito incrível.

Sorrio e acaricio seu rosto.

- Tem mais uma coisa!

- O quê?

- Quando você estava viajando eu comentei com ele que tinha um baú pequeno na casa do meu pai quando ele morreu foi a única coisa que eu guardei porque sabia que era da minha mãe, mas eu nunca tinha me interessado em abrir e só agora com Armando foi que me despertou esse interesse.
Não tinha nada demais, uma agenda com anotações dos exames e acompanhamento do pré-natal, algumas roupinhas, dois porta-retratos um que era meu desde pequeno, mas que meu pai havia pegado e escondido, e outro que está com Armando.

Pego o porta-retrato no criado mudo.

- Ela era linda Marcello!!

- Linda mesmo! Eu nem me lembrava mais dessa foto. Mas ela também deixou uma carta pra mim. Eu não tive coragem de ler até agora, na verdade eu queria que você estivesse comigo na hora de ler.

Ela abre um sorriso lindo.

- Então vamos ler.

- Agora?

- Se você quiser!

- Eu quero sim

Um Contrato Com Meu Chefe (Concluído)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora