Gustavo
Para muitos eu sou o canalha, o homem mais imbecil do mundo. Eu tinha tudo, absolutamente tudo que eu mais amava nas mãos.
Eu perdi tudo.
É difícil admitir, eu deveria estar no lugar dela.
Porque eu fiz isso com Alice?
Não sei!
E não vou dar a desculpa de quê sou homem, e que homem tem dessas coisas.
Traição é uma escolha, e foi a pior escolha que fiz na vida.
Eu estava a bastante tempo com Alice e tínhamos um relacionamento de respeito, amor, carinho, sonhos e sexo, um sexo maravilhoso.
E bem... Eu resolvi cair no jogo de sedução da Sabrina.
Foi bom, muito bom.
Não pensei em nada.
Só pensei no meu prazer.
Eu achava que não me importava, e sinceramente acreditava nisso.
Mas como explicar o que eu senti?
Como explicar o nojo que eu sinto de mim?
Eu terminei com aquela mulher, escolhi minha felicidade com a Alice, eu me desesperei só de pensar em ficar sem ela.
Sabrina no começo me ameaçou, mas depois que Marcello apareceu me deixou em paz. Eu fiquei aliviado e não imaginava que tudo iria desmoronar tão rapidamente.
Naquela discussão, eu a perdi. Quando vi seus olhos de tristeza, decepção, raiva, mágoa todos esses sentimentos e o motivo era eu, aquilo me destruiu.
Me mantive de longe observando ela se reerguer sozinha de tudo que fiz, eu pude ver o quanto ela é mais forte que eu.
Pude perceber o quanto fui imbecil.
Troquei o amor da minha vida por sexo. Preferi uma sanguessuga à mulher que eu amo e que nunca precisou de um centavo meu.
Burro!
Idiota!
Foi isso que minha família me disse, foi o que meu pai me disse.
Que sentia vergonha de ter criado um mal caráter como eu. O idiota que tinha uma mulher incrível e trocou por uma vagabunda.
Mas como eu disse, "Eu concordo". Concordo com tudo.
Eu não perdi só a minha esposa naquele dia, perdi minha melhor amiga, meu braço direito, perdi o respeito da minha própria família.
Até a vontade de viver.
Sempre me falavam que quando perdemos algo muito importante é que realmente enxergamos o seu valor.
Foi assim comigo!
Tem sido assim todos os dias!
E se ela se for sem eu pedir perdão, será com certeza minha maior sentença.
Eu a amo!
Eu sei que não parece sincero.
Mas a amo!
Eu só quero a chance de pedir perdão.
Mas ela não acorda. Ela não melhora.
E tudo por culpa minha!
Ela não teria viajado se não fosse por mim.
Ela não seria alvo de Sabrina se não fosse por mim.
Tenho tido crises de pânico quando penso que ela pode morrer, medo de não conseguir seguir em frente... Por isso não posso sair daqui, não vou sair.
Eu não mereço perdão.
- Gustavo você precisa sair um pouco. Está na hora de ir dormir um pouco, em uma cama, ela não vai sair daqui.
Me diz Armando.
- Eu não posso, eu te imploro, por favor Armando me deixe ficar aqui. Eu imploro.
- Todos nós estamos aqui há dias e necessitamos de descanso. Você também!
- Eu não posso sair daqui agora Armando, se alguma coisa acontecer...
Paro e lágrimas escorrem sem o mínimo de esforço.
- Gustavo você precisa se perdoar, errar faz parte da evolução humana. O que você tem feito tem sido o suficiente para provar seu arrependimento. Eu sinto e vejo o quanto se arrepende. Mas você precisa se cuidar também.
- Nunca será o suficiente Armando. Nunca! Eu nunca mais vou conseguir. Me perdoa por ferir sua filha, isso é tudo culpa minha.
Digo com o coração apertado.
- Gustavo, eu te perdoei desde o primeiro dia, quando me pediu perdão. Você não tem culpa das ações que esses três criminosos cometeram. Todos nós fomos enganados pela Sabrina. Você foi seduzido e permitiu, nós a colocamos dentro da nossa casa como uma pessoa da família sem nem perceber sua falta de caráter. São coisas da vida, agora é torcer para que a Alice acorde desse coma, ela precisa reagir.
- Obrigada pelas palavras Armando. Será que posso ficar aqui no quarto um pouco com ela? Só um pouco? Eu não vou fazer nada, só ficar aqui do lado dela.
- Claro que sim, fique aí, você tem minha autorização, mas assim que sair você vai para um hotel descansar e tomar um banho, ok?
- Tudo bem Armando. Obrigado, muito obrigado mesmo.
Digo chorando.
Deixo Marcello e Armando no corredor juntos e volto para o quarto onde Alice está.
Nesse momento o médico entra e sorri.
- Os últimos exames foram muito bons, ela vai acordar tenho certeza.
- Ele sai me deixando com um fio de esperança.
Naquele quarto onde Alice está, fico um bom tempo parado admirando seu rosto que está muito inchado devido a medicação, mas as feridas aos poucos vão sumindo.
Era a primeira vez que conseguia ficar ali sozinho com ela. Por dias fiquei no corredor aguardando notícias.
- Oi Alice, oi meu amor.
Respiro com soluços do meu choro.
- Sei que você não quer me ver, mas por favor não me deixa em um mundo sem você! Não vai embora. Você não tem noção do quanto me arrependo de tudo que fiz? Do quanto eu quero seu perdão.
Não morra sem olhar nos meus olhos por uma última vez!
Pego em sua mão gelada.
-Alice é como se eu dependesse do seu perdão para sobreviver. Pelo amor de Deus não vai embora me odiando. Não me deixa em um mundo sem o seu perdão.
Me perdoa!
- N-Nãooo, eu não odeio v- você!
Ela diz com a voz fraca e abre os olhos, vejo lágrimas deslizando pelo seu rosto.
- Alice?
- Mãe? Cadê meus pais?
Alice revira os olhos tentando achar Cristina se agitando um pouco.
Grito por um médico.
Assim que ele chega sou retirado da sala. E ficamos por cerca de uma hora esperando notícias. Cristina e Gean chegaram rapidamente.
Cristina me abraçou assim que chegou, ela estava animada pela filha.
O médico se aproxima de nós.
- Bem! Ela acordou mas seu quadro ainda é instável. Ela não pode se alterar e dependemos da sua recuperação. Ela está com algumas infecções e por isso ainda vai ficar em observação por mais alguns dias. Agora é cuidar dá sua recuperação. E se nos próximos dois dias ela reagir bem aos medicamentos, estará fora de perigo.
Dois dias!
Minhas pernas falham e eu me abaixo com um misto de alegria e cansaço que só agora meu corpo conseguiu sentir.
Cristina e Armando são encaminhados para o quarto de Alice.
Eu fico respirando forte e andando de um lado para o outro.
Armando sai contente, dizendo que ela está consciente, que é um milagre.
- Gustavo você quer entrar?
Ele me pergunta.
- Não! Eu vou já estou indo embora.
- Mas porquê? Porqur agora.
- Você deve ficar Gustavo.
Me diz Gean.
- Não, eu vou embora! Me mantenham informado, eu preciso saber que ela está fora de perigo.
- Tudo bem! Mas vai desistir agora que Alice acordou?
Gean me pergunta.
- Eu vou indo, me mantenha informado.
Sai do hospital quase correndo, segui direto para o hotel, lá me permito chorar mais uma vez, coloco para fora essa mistura de alegria, tristeza, culpa e remorso.
O que eu vou fazer?
Talvez ela nunca mais queira saber de mim... mas eu fico feliz de saber que independente de com quem ela esteja.
Ela estará viva!!
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Um Contrato Com Meu Chefe (Concluído)
RomanceEster já estava acostumada a conviver com aquele homem. Ele realmente era lindo, mas depois de dois anos trabalhando e lidando com sua frieza ela já não se incomodava. Marcello, um homem que se acostumou a solidão, sem amigos, sem família e sem amo...
