Cheguei em casa

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Ester

Em casa finalmente!!

Confesso que estou atordoada com as lembranças, nunca imaginei que fosse ter um momento sequer com aquele homem. O fato de ter gostado me assustou e muito.

Eu nem sei como será a partir de agora, ainda me pergunto se ele vai me mandar embora ou me mudar de setor.

De qualquer forma eu não quero que ele fique se justificando, tenho certeza que ele bebeu demais.

E o que importa é que estou de volta ao meu simples, mas lindo lar. Não gostei desse experiência de viajar a trabalho.

Minutos depois eu já estou quase cochilando e a porta se abre, um furacão entra pulando na minha cama em cima de mim, me tirando dos meus pensamentos.

- Amiga, não me deixa nunca mais!
Fala me agarrando jogada em cima de mim.

- Dekinha sai de cima de mim palhaça, foram só três dias.

- Eu estou morrendo de saudade de você meu chuchu, quase morro nesse prédio sem você.
Fala me abraçando.

Ficamos ali por horas conversando, Dekinha era da minha idade e assim como eu morava sozinha, ela tinha uma família linda, dois irmãos Luan e Lorenzo gêmeos e mais novos, e seus pais Edna e Sidney, eles moravam em uma cidade bem próxima a grande São Paulo e sempre que podiam estavam por aqui. Eu adorava eles e principalmente a Dona Edna, ela fazia muitas comidas gostosas para nós duas. Ela e minha mãe também se tornaram amigas, então somos praticamente uma família.

Por fim decidimos pedir uma pizza, que chegou logo em seguida junto com o morto de fome do Leandro.

Sim, meus amigos estão sempre aqui em casa, e compartilhamos muitos momentos bons e incríveis.

- Vocês adivinharam que eu estava com fome. Isso que é amizade.
Leandro disse já mordendo o primeiro pedaço e mostrando a pizza mastigada para a Deckinha.

- Come com a boca fechada seu porco. Eu vou sacudir esse refrigerante e jogar em você.

- Dekinha nem perca seu tempo, esse aí não tem jeito e por favor, não suja a minha casa.
Falo porque sei que ela é capaz disso e muito mais.

Acabou que ficamos os três assistindo filme o que me ajudou a esquecer o episódio da noite passada, amigos nos fazem bem sem nem perceber.

Eu amo a vida que tenho aqui, tive a sorte de encontrar pessoas incríveis, verdadeiros amigos.

Por fim dormimos, peguei no sono rapidamente pois não havia dormido nada na noite passada.

E agora e esquecer e bola pra frente.

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Marcello

Volto de viagem mais cedo, peguei o jatinho assim que terminarmos a apresentação da frota e com a promessa de voltar na semana seguinte para um cruzeiro em comemoração do seu casamento de 33 anos. Não sei o que esse homem tem, não entendo o porquê de querer me aproximar de sua família.

As vezes acho que ele me conhece, bom... Sei lá é só uma impressão, ou deve ser algum louco que acha que me engana, que vai me deixar com pena e usar o meu dinheiro.

De volta ao meu apartamento meus pensamentos voltam, não vou mentir as últimas 24 horas tem sido estranhas, me pego distraído e pensando no que eu fiz.

Eu beijei a senhorita Esther, e isso pode me dar uma grande dor de cabeça.

Se ela quiser se aproveitar disso terei problemas.

O maior problema é que me peguei várias vezes sorrindo com a minha atitude, devo ser maluco, um maluco que vai ter que encarar as consequências.

Ela deve estar confusa pela minha atitude.

Mas andei pensando e isso não vai atrapalhar nosso dia a dia, ela continua sendo minha secretária é uma mulher de confiança que tenho ao meu lado. Deixarei isso claro na primeira oportunidade.

Caso ela se recuse terei que tomar providências, mas acredito que ela vá entender.

Foi um deslize que não vai se repetir.

Após pensar muito, e entender que estou em um momento crucial de negociação com Armando, tive uma idéia um pouco absurda, aliás, absurda até demais, principalmente para mim.

E espero que ela aceite. Não consigo imaginar outra pessoa no lugar.

Nem tenho outra pessoa para falar a verdade, tenho dificuldade de deixar outras pessoas se aproximarem de mim.

Torço para que ela aceite, ela será bem paga para isso.

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Armando

Flashback (muitos anos atrás)

- Não me deixe Roseli!

- Armando eu preciso seguir minha vida, estudar e ser alguém. Quem sabe um dia eu volte e podemos viver nossa vida juntos. Eu tenho sede de viver e conhecer o mundo, sei que nosso amor é lindo, mas eu quero mais para mim. Por agora eu só posso lhe dizer adeus.

- Eu sempre irei te amar! Mas torço pela sua felicidade. O nosso amor sempre estará comigo.

- Eu preciso lutar por mim, buscar a minha independência.

- Porque?

- Não me julgue! É meu sonho estudar e me formar.

- Seja feliz então.

- Eu sempre vou ter você em meu coração...

Atualmente

E assim ela se foi, Roseli era uma jovem incrível e tinha muitos objetivos. Sempre acompanhei seus sonhos mesmo distante. Nosso amor foi um romance adolescente mas eu acreditava que duraria uma vida inteira.
A vida não é como planejamos, e precisamos amadurecer para entender isso.
No dia do seu casamento com o todo poderoso Orlando Torres, eu estava lá, olhando de longe o grande amor dá minha vida se casar.
Segui minha vida, e ela me presenteou com outro amor, o amor para a vida, aquele que me entenderia com um olhar, o amor do amadurecimento, que me daria as maiores alegrias e riquezas, Cristina, uma mulher incrível, amável e dedicada, a amo de verdade com todo o meu coração.

Com ela construi minha vida.

Mas o que sentia por Roseli ainda está aqui até hoje, o amor não acabou e nem acabará pois era algo genuíno, fiquei sabendo de sua gravidez na mesma época em que Cristina anunciava que eu seria pai.
Minha maior alegria foi pegar o meu Gean no colo, meu filho. Uma semana depois meu coração se partiu. Soube da morte de Roseli e que seu filho Marcello estava entre a vida e a morte. Eu desejei que aquilo fosse mentira, que Roseli tivesse a chance de ser feliz e viver tudo que ela sempre sonhou, ela merecia.

Mas a vida segue planos diferentes e quem ficou foi um garotinho lutando pela vida.

Acompanhei ao longo dos anos sua vida, um menino cujo o pai nunca estava presente, que o culpava pela morte de sua mãe e só tinha uma babá como companhia que aceitou outra proposta de emprego e se foi.

Que solidão esse menino deve ter passado, não acho estranho ser assim.

Até tive notícias de um noivado, mas a mulher o abandonou também.

Enfim, eu tenho a obrigação pelo amor que senti por Roseli de salvar seu filho do abismo. Não estou em falência, me tornei um homem rico e só irei vender metade de uma das minhas empresas para que ele se aproxime e assim se torne da família.
Já percebi seu olhar para a secretária, na verdade desde o início, eu tenho pessoas que me informam sobre ele, Esther mesmo sem experiência ficou nesse emprego e sei que no começo ela teve problemas, só que ele não a dispensou como fazia com todas as outras secretárias.

Eu estou disposto a invadir a vida de Marcello, para que ele se sinta querido e parte de uma família, e se depender de mim vou ajudar no que for preciso para que ele seja feliz.

Pelo garoto da minha eterna Roseli.

Um Contrato Com Meu Chefe (Concluído)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora