Ethan Pearce sente necessidade em procurar a beleza no mundo e embelezá-lo quando considera pertinente. As cores faltam para o jovem artista australiano, provavelmente devido a descrença de seus pais em suas pinturas e por sua constante mudança de p...
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As luzes se apagaram. Pisquei, mesmo sabendo que não mudaria muita coisa. Estava um breu e tanto! Consegui ver pela janela uma tempestade que nunca imaginara para um dia quente de verão. Quente. Pelo menos deveria estar quente. Agora estava frio e eu dei graças aos céus por ser a pessoa mais friorenta da Austrália e por ter levado uma jaqueta. Provavelmente eu era também o cara mais friorento do Canadá. Parece que as coisas não mudam muito! Também estava sem paciência para arrumar o cabelo, então estava usando uma toca de lã. Sim, colocara uma toca de lã em um dia quente, mas agora era a única pessoa no restaurante preparada para o frio repentino. Bem feito para os outros!
Bem, de qualquer forma...
Bem, na verdade eu não sei exatamente o que dizer.
Talvez possa apenas dizer isso: A tempestade acabou com a luz de toda a área ao redor. Era quase como se toda a cor de um buraco negro tivesse tomado conta da minha noite estrelada. Se bem que não sei ao certo se havia alguma estrela no céu antes de começar a chover. Olhei para a janela, tentando enxergar o que fosse. Vento. Muito vento. Era só o que eu via. Até conseguia ver alguma fumacinha branca indicando frio, mas não sei se foi tudo fruto de minha mente criativa e repleta de déficit de atenção. Cores me chamam muito a atenção e acho que minha personalidade artística intensifica isso. Imagina colocar um desenho animado diante de meus olhos e conversar comigo ao mesmo tempo! Simplesmente não dá certo! Becky tentou isso e não deu muito certo. Ela queria conversar sobre qual a intensidade que eu conseguia perceber em seus personagens enquanto ela assistia Scooby-Doo e me ouvia. Para ela isso era muito normal, afinal, faz trezentas coisas ao mesmo tempo. Mas não era tão simples para mim. Então ela não ficou satisfeita com minha aparente falta de interesse e, bem, acho que sabem como reagiu. Creio que alguns de vocês a conhecem. Ela deve estar decepcionada comigo até hoje, pois não retomou o assunto. Talvez seja porque eu não achei um bom momento para contar sobre minhas limitações.
Minha atenção foi voltada para uma nova cor. A cor laranja avermelhada sendo quase confundida com a linha tênue azul. Os garçons tinham acabado de colocar uma vela em minha mesa. Ouvi um deles lamentar o imprevisto com a luz e apenas sorri, tentando ser educado. Continuei a encarar o fogo. As cores viviam perfeitamente juntas, o calor era extremamente convidativo. Não sei por quanto tempo fiquei fazendo isso, ou qual era a careta que tinha em meu rosto. Realmente não faço ideia. Só sei o que aconteceu depois. Senti uma mão em meu ombro e me virei, tentando não demonstrar quão assustado estava. Era a garota do vídeo.
— Você está bem, garoto? — Só conseguia ver parte do seu rosto, devido a pouca iluminação do ambiente recém atingido por uma catástrofe - pelo menos deve ser uma catástrofe para o dono do restaurante - e ainda assim posso afirmar que ela tinha um quê de preocupação. Fiz que sim com a cabeça, desejando que ela fosse embora naquele exato minuto. Eu estava pensando demais em Rebeca para conseguir sequer começar a falar com outra garota. Sempre haverá a comparação. — Tem medo de fogo? — Neguei e ela continuou ao meu lado. Por que não estava saindo de perto de mim? Eu sempre fui o esquisito da sala, o cara calado, que fala coisas fora de contexto só para informar coisas novas. Eu tinha boas intenções, mas ninguém compreendia de fato. Eu queria, pela primeira vez, que ela me considerasse esquisito. Queria um pouco de paz, apenas isso. Era a primeira noite em que podia de fato pensar no que sentia por Rebeca. Não podia ser interrompido. — Vou ficar aqui até que se sinta melhor, okay? — Sorriu e sentou ao meu lado, fazendo-me ficar simplesmente sem reação. — Melhor assim? — Não consegui responder e ela continuou, colocando sua mão novamente em meu ombro. — Qual seu nome?