23 - É hora do show? (Parte 1)

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Quando fiz aquela pergunta, lembrei de uma cena que sempre lembrava ao reencontrar Sean depois de um tempo

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Quando fiz aquela pergunta, lembrei de uma cena que sempre lembrava ao reencontrar Sean depois de um tempo. A cena estranha e ao mesmo tempo tão típica de minha personalidade, a cena do dia que o conheci.


"Peguei a mão de Scott, irmão mais novo de Sean, pronto para adentrar na livraria. Estava em Los Angeles, em um final de semana no qual deveria estar estudando para uma prova. Estava em Los Angeles para o lançamento de um livro muito importante. Estava em Los Angeles por Rebeca. Era o dia do lançamento de seu livro em solo estado-unidense e eu fora encarregado de aparecer de surpresa acompanhado do garoto mais adorado por Rebeca. Ela conheceu o garotinho quando trabalhou como sua babá e, posterior e infelizmente, conheceu seu irmão mais velho. Scott estava sorrindo para mim, assim como eu estava sorrindo para ele. Às vezes me sentia como seu irmão, mas sabia que não podia me deixar levar pela ilusão. Duplamente, já que a situação posterior foi igualmente ilusória. Ou quase, já que foi real. Rebeca me avistou e correu até mim. Soltei a mão de Scott, animado com o reencontro com minha amiga tão querida. Então abracei-a e tive a brilhante ideia de a girar no ar. Foi muito divertido!

— Não acredito que você está aqui! — Ela disse a mim e foi como a mais linda melodia já criada por um ser humano. Mas durou pouco.

— Nem eu acredito que estou aqui! — Foi o que eu respondi. Estava eufórico. — Eu terminei todos meus trabalhos antecipadamente e os pais de Scott conseguiram convencer meus professores a me deixarem livre das aulas antes do tempo. — Sorri, apesar de estar mentindo um pouquinho. Nem os pais de Scott sabiam que eu estava deixando de estudar para uma prova extremamente importante. Mas vale tudo por Rebeca! — Agora você não vai se livrar de mim!

— Não quero me livrar! — Riu e virou-se para Scott. — Amorzinho, como conseguiu vir para Los Angeles sem seus pais?

— Eles confiaram em Ethan e ele me trouxe. — Scott disse a frase quase batendo no peito, cheio de orgulho por sua falsa independência. A verdade é que fiquei dias tentando convencer os dois de que era responsável o suficiente para cuidar dele. 

— Não foi bem assim, Scott. — Eu disse, tentando não rir. Becky olhou para mim ao bagunçar o cabelo de Scott. — Os pais dele viajaram com ele até aqui e o deixaram comigo.

— Voltaram para Toronto? — Ela parecia decepcionada.

— Sim, mas Sarah disse que estarão livres em seu aniversário. — Expliquei, referindo-me à mãe de Scott. — Eles não queriam faltar ao seu dia importante.

— Tudo bem. — Becky sorriu e abaixou-se para ficar no nível de Scott. — Emma está brincando atrás daquela parede azul.

— Sério? — Vi a animação nos olhos do garoto quando sua mais nova amiga foi mencionada. — Posso ir lá com ela?

— Deve! — Rebeca riu e se levantou. No momento seguinte Scott correu até o palco.  — Ethan, preciso voltar para lá, mas prometo voltar aqui para te encher de beijos babados. — Disse com suavidade na voz, fazendo-me querer suspirar em antecipação. Estava animado para isso! Rimos juntos. 

— Certo, querida. — Brinquei, mas no fundo queria ter liberdade suficiente para lhe dizer aquilo o tempo todo.

— Rebeca! — Ouvi uma voz bem atrás de mim. Era Sean Petter Johnson, o cara tão mal falado por Rebeca.

— Sean? — Ela deu um passo em direção ao garoto. Estava boquiaberta e ainda assim se mostrava confiante. — O que está fazendo aqui?

— Vim... — Pareceu hesitar. — Vim lhe trazer esse Frappuccino! — Sorriu e eu revirei os olhos, achando aquilo patético.

— Sean, eu preciso voltar para o palco, então não posso te dar atenção e... — Ela obviamente não queria ficar perto dele naquele momento. Com razão!

— Aquele é Sean Johnson? — Gritou uma garota no meio da plateia.

O burburinho que começou em seguida foi quase ensurdecedor. Isso me irritou profundamente, pois também me desconcentrou de meus próprios pensamentos.

— Pessoal! — Chamei a atenção de todos antes que alguém pudesse levantar de sua cadeira para aproximar-se de Sean. — Estamos aqui por Rebeca, não por um cantor que sequer deveria estar aqui!

Falei para magoar o cara mesmo, pois não conseguia esquecer de como Becky sofreu quando ele a abandonou por Taylor.

— Como eu estava dizendo, — Continuou Becky. — preciso voltar para lá!

— Espere! — Sean deu um passo para frente e tropeçou, indo de encontro a Rebeca, corpo a corpo. O impacto foi tão grande que achatou o copo de Frappuccino, molhando as roupas dos dois com a bebida gelada. — Droga! — Xingou ele, olhando para trás. Vi Frankie bem atrás do cara e fiquei de mau humor. Por que meu melhor amigo estava compactuando com o cara que quebrara o coração da garota que eu amava? E por que Sean insistia em estragar a vida de Rebeca?

— Sean! — Becky olhou para seu próprio vestido e gemeu ao se dar conta do estrago.

O barulho ao redor estava me enlouquecendo, assim como tudo que Sean representava. Erapara ser o dia feliz de Rebeca e ele estava estragando com maestria. Em um impulso xinguei a mãe de Sean, sem querer. Apenas usei um palavrão padrão que mais xingava sua mãe do que ele, propriamente dizendo. 

— Não fale assim da minha mãe! — Ele ficou uma fera e me pegou pelo colarinho. — Ninguém fala assim da minha mãe!

— Sinto muito. — Encarei-o com igual raiva e desafiando-o a me enfrentar. Estava pronto para mostrar a ele o que acontecia com quem interrompia os momentos bons das pessoas que eu amo. Mas ele não fez nada além disso. Apenas suspirou e soltou minha camiseta.  — Esqueci-me de que a mãe de Scott também é a sua mãe!

— Ethan! — Repreendeu-me Becky.

— Desculpe! — Fiquei realmente arrependido, pois ela estava claramente decepcionada com minhas ações. — Só não acho justo que ele venha até aqui e atrapalhe seu grande dia. Esperamos tanto por isso!

— Eu sei, querido. — Ela suspirou e acariciou minhas bochechas com carinho. Meu coração acelerou com seu toque, como sempre acontecia quando era ela a tomar iniciativa. Às vezes eu não sabia se era bom meu coração disparar. Às vezes parecia que eu mais tinha medo de seu toque do que apreciava. — Você tem que controlar seu ódio por ele enquanto estivermos aqui. — Disse baixo, lembrando-me que deveria controlar meus impulsos e pensamentos.

— Certo. — Agora estava envergonhado, principalmente porque tive que olhar na cara de Sean. — Desculpe-me Sr. Johnson. Geralmente não sou grosso, mas você me tirou do sério.

— Tudo bem. — Suspirou e coloquei suas mãos sobre os ombros de Becky. Achei aquilo um absurdo. Por que ele não ia tocar em Taylor? Taylor era sua namorada! — Desculpe-me pelo vestido. Posso comprar outro!

— Não é necessário. — Disse ela com amabilidade. Parecia irritada com a situação, mas ainda assim se esforçava para não deixar o mau gênio tomar conta da situação. — Só preciso de algo para cobrir essa mancha.

— Pode ficar com meu moletom favorito. — Ele entregou um moletom a Becky, usando um sorriso muito irritante. 

— Prometo devolvê-lo lavado. — Murmurou ela depois de vesti-lo. — Agora acho melhor você sair daqui e ir para sua casa."


E quando ela disse aquilo eu desejei que ele fosse embora também. Ele foi. E quando o vi sair desejei que nunca mais aparecesse em minha vida novamente. Ele voltou, diversas vezes. E por causa dele eu estava em Vancouver, sem saber se estava em uma situação boa ou não. Ele olhou para Summer, parecendo decidido a não me dizer nada. Via uma decisão igual vir da garota, o que me deixou profundamente irritado.

O que os dois tanto escondiam? 

Olá, SummerHistórias para pegar e não largar. Descubra agora