Ethan Pearce sente necessidade em procurar a beleza no mundo e embelezá-lo quando considera pertinente. As cores faltam para o jovem artista australiano, provavelmente devido a descrença de seus pais em suas pinturas e por sua constante mudança de p...
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— Lola? — Summer franziu o cenho ao ouvir-me mencionar a garotinha. Parecia surpresa. — Lola não faz parte desse grupo.
— Como assim? — Pisquei, não pensando muito bem no que ela queria dizer.
— Não tem como Lola ter vindo aqui, Ethan. É impossível! — Ela cruzou os braços. — Você viu meus vídeos, não é? E por isso está fazendo essa brincadeira comigo. Não é?
— Como assim? — Repeti a pergunta.
— Ethan, Lola mora em um orfanato perto das montanhas. Como veio parar aqui sozinha? — Ela revirou os olhos. — Não brinca com isso não, pois assim fico preocupada. Lola é importante para mim.
— Como uma filha? — Arrisquei, apenas para tirar umas das perguntas que tinha em mente. Summer deu de ombros. — Ela estava na livraria, Summer.
— Então por que eu não a vi? — Arqueou as sobrancelhas, parecendo me desafiar. Por que ela me desafia tanto?
— Talvez ela tenha vindo aqui só para me enlouquecer. — Murmurei, esperando que Summer levasse a frase na brincadeira. Ela pareceu não entender. — Não é possível que não tenha visto a semelhança entre vocês duas.
— Semelhança? Lola é bem tristonha. — Summer virou os olhos para qualquer outro ponto da rua. Tínhamos saído da livraria pois ela tinha algo a me mostrar. Foi o que disse, pelo menos. Mas agora ela não parecia animada como antes. Talvez a animação ainda estivesse presa em algum canto de sua mente, dando espaço para o desconforto brilhar. Sua bochecha estava vermelha, mas não parecia ser por vergonha. Summer estava escondendo alguma coisa, mas naquele momento eu não percebi a relação entre as bochechas e a omissão. Ainda assim, aquela cena foi importante para que eu percebesse depois como diferenciar uma mentira de uma verdade, só que essa técnica só podia ser aplicada a Summer. Sabe por que Summer mente ou omite coisas? Porque tem medo das consequências, ou do que eu possa pensar.
— Semelhança física, Summer. Não se faça de burra, porque isso é o que você menos é. — Comentei, tentando não perder a paciência. O que ela estava tentando esconder? — Lola parece ser seu clone exato.
— Isso é só uma coincidência estranha. — Deu de ombros, fazendo-me subir um lance de escadas bem largas. — Existem sete pessoas no mundo parecidas com você, caso não saiba... Ou talvez você seja a sétima, não lembro ao certo. — Colocou a mão no queixo, em uma posição tipicamente pensativa. Devia estar pensando no numeral correto. — Acho que não importa muito. Apenas pense que há pessoas parecidas com a gente ao redor do mundo.
— Mas não idêntica! — Protestei, tentando deixar bem claro que qualquer desculpa dela não me faria mudar de opinião. Tinha algo de muito estranho acontecendo. Eu sabia dessa história de pessoas semelhantes a você no mundo, mas nunca ouvi falar de clones que não tenham o mesmo sangue. Quero dizer, há muita semelhança entre pessoas da mesma família, mas não entre pessoas sem relação nenhuma. Não, quero dizer... Deus, isso é confuso! Há semelhanças se pensarmos nas pessoas parecidas, mas não há clones! Não há pessoas idênticas! Pelo menos não deveria. Não sendo de famílias diferentes. — Seus pais não tiveram outra filha juntos? — Perguntei, esperançoso.