Ethan Pearce sente necessidade em procurar a beleza no mundo e embelezá-lo quando considera pertinente. As cores faltam para o jovem artista australiano, provavelmente devido a descrença de seus pais em suas pinturas e por sua constante mudança de p...
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Fechei os olhos, tentando me concentrar no que acontecera no dia anterior. Então voltei no tempo em minha cabeça.
Summer retirou meu gorro quando o sol voltou a nos agraciar. Seu cabelo voou com o vento e seu sorriso brilhou com os raios solares. O tom de seu cabelo modificou pela incidência da luz, adquirindo um tom nunca visto por mim antes. O sorriso no rosto dela era mais do que iluminado pelo sou, ele parecia o sol. Ela deu uma voltinha com minha jaqueta, parecendo animada com tudo ao seu redor. Posso ser o único com TDA por aqui, mas ela não parecia muito diferente de mim naquele momento. Ela retirou minha jaqueta, dando-me para eu amarrar na cintura. Ela usava um vestido azul, bem verão.
Começamos a andar.
***
Summer sorriu ao pisar sobre aquela terra arenosa e com pedras. Eu não sabia em qual praia estávamos, nem podia estimar quanto tempo ficamos andando pelas extensas ruas de Vancouver. Apenas posso dizer que andei muito. Parece que ela não tem uma noção muito boa de tempo e espaço, ou simplesmente não se cansa rápido. Fiquei com um pouco de caimbra, mas ainda assim não tive do que reclamar. A vista era reconfortante e transpirava bons momentos. Talvez seja pela trilha sonora insistente do momento, já que Summer insistia em cantarolar a mesma música. E ela me fez ver um mundo onde fogo e gelo colidem, como na canção. Vancouver é um lugar assim. Com montanhas que apresentam neve em seu topo e praias agraciadas pelo sol, mesmo que sem aquele calor intenso da Austrália. Acho mais gostoso até.
Imagino como deve ser difícil viver em um lugar com tudo: cidade grande, praias, montanhas, cenário selvagem... Sim, estou carregando o tom de ironia nesse ponto em particular.
O sol estava quase se pondo, fator não responsável por arruinar minha visita. Summer puxava minha mão pela extensão da praia, sem dar grandes explicações sobre o local escolhido para me estatizar. Seria bom ficar estático, ainda mais com as pernas bambeando. Precisava de um descanso físico, o qual veio logo quando a vancouverite me fez sentar no chão, o corpo direcionado ao horizonte. Ela não disse nada, apenas apontou em determinada direção.
Tudo que eu via era a linha tênue e marcada entre o mar e o infinito, marcado pelo horizonte.
Era um bom momento para refletir.
O sol se punha aos pouquinhos, o cabelo de Summer voava e fazia cócegas em meu pescoço. Vi-a se arrastar mais para frente, colocando seus delicados pés na areia. Nem a vira tirar os sapatos, pois estava hipnotizado pela exatidão da natureza. Tive a louca iniciativa de tirar meus próprios calçados para introduzir meus tortos dedos dos pés naquela água gélida e responsável por arrepiar a alma. Apesar de toda a beleza da cena, eu sentia que algo estava faltando. Olhei para a garota em meu lado, determinado a descobrir se ela sentia o mesmo, mas acabei sendo levado a outra direção. Ela não sentia nada faltando como pude perceber. Apenas olhava para mim com um sorriso adocicado, claramente tentando entender como eu me encaixava naquela situação. Bem, acho que demorou mais do que eu para descobrir a resposta.