Ethan Pearce sente necessidade em procurar a beleza no mundo e embelezá-lo quando considera pertinente. As cores faltam para o jovem artista australiano, provavelmente devido a descrença de seus pais em suas pinturas e por sua constante mudança de p...
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Frankie me fez sentar no lugar em que me encontrava antes de ele chegar, ato responsável por me fazer arquear as sobrancelhas. Colocou o notebook diante de minha face repleta de confusão e suspirou. Eu cruzei os braços enquanto ele pesquisava algo no Youtube. Encarei-o, esperando alguma explicação.
— Summer fez um vídeo sobre as coisas que mais a definem. — Sentou próximo a mim, os braços ainda sobre meu notebook. — A cada coisa que eu te mostrar, quero que diga se Summer lhe contou isso ou não.
— Certo. — Não estava animado para isso, mas o que importava?
— O artista favorito dela é Owl City. — Continuou Frankie e eu balancei a cabeça positivamente, lembrando de Metropolis.
— Ela me disse.
— Ela te disse que boa parte das músicas dele a descrevem?
— Não. Ela disse que uma delas me descreve. — Ou quase isso.
— Talvez não seja uma coisa boa.
— Por que diz isso?
— Porque muitas músicas dele falam de algum tipo de problema.
— Certo.
— Nesse vídeo Summer disse que uma música dele a define completamente, mesmo que tenha sido criada para a mãe do Adam. — Frankie me olhou de forma estranha e digitou algo no computador. Colocou uma música do Owl City para tocar, junto ao seu clipe. O nome é This Isn't The End. — Prepara seu coração!
Não entendi porque ele estava me recomendando isso, pelo menos não até começar a prestar atenção à música. A melodia parecia de uma música feliz, mas a letra mostrava algo completamente diferente. Ela falava sobre uma garotinha de oito anos que teve um ataque de pânico porque o pai que ela amava a abandonou e nunca voltou. Isso já me deixou tenso, pois lembrei da frase mais forte que Summer me dissera. "Eu não tenho pai". E ela não tinha de fato, pelo que indicava a música. A cada novo verso da música eu ficava mais tenso. Tudo indicava que a falta do pai tirara a normalidade de sua vida. Também dava para perceber que o pai da garotinha a abandonou porque estava lidando com coisas demais, mas o que mais me machucou, por Summer, foi: "Ele prometeu à família que ficaria bem e então, com um tiro ele as deixou para trás". Eu pisquei, pensando se essa parte da música também tinha relação com a perda do pai de Summer. Entretanto, mesmo que não fosse, eu não conseguia mais entender como Summer conseguia ser tão feliz por fora tendo tanta coisa ruim para pensar.
A música me tocou profundamente, mesmo que eu tivesse um pai para chamar de meu. O nome da música logo foi entendido por mim, analisando a música inteira. Eu apenas não conseguia processar tudo.
— O pai dela se matou mesmo?
— Ninguém sabe. — Ele me olhou com preocupação, mas isso logo passou. Um segundo depois ele estava mudando de vídeo, sem me dar tempo para processar o que acabara de descobrir. O vídeo seguinte era de alunos de uma escola de Vancouver fazendo sua própria versão do teatro do último filme de High School Musical. — Vamos à parte que importa. — Ele pulou para a parte do dueto que dá errado. A menina que estava no lugar da Sharpay se parecia muito com ela, o que me fez logo entender o que viria em seguida. Apesar de a cor do cabelo não ser igual, Summer Young interpretava a Gabriella, junto com um Troy não muito bonito. Acho que lembro o nome dos personagens porque todo mundo falava disso no colégio. Eu sorri ao ver Summer cantar e salvar o show. Ela parecia muito feliz naquele palco, fazendo dancinhas fofas com seu par nada fofo. — Essa é outra coisa que a define.
— High School Musical?
— Cantar. — Frankie sorriu e prestamos atenção no resto da apresentação. Talvez Summer tivesse mais em comum com a personagem da Gabriella do que a atriz que a interpretou de fato. Talvez seja apenas loucura minha.
— Isso eu já sabia.
— Que ela fez High School Musical no último ano do colégio? — Ele me olhou como se estivesse me desafiando a mentir.
— Não, que ela gosta de cantar. — Eu percebera, pelo menos. — É só isso que sabe sobre Summer?
— Não, eu sei muito mais. — Ele sorriu com superioridade. — Ela estuda na Universidade da Colúmbia Britânica, aqui em Vancouver.
— Qual curso?
— Um que envolve livros.
— Certo. — Tive que rir de sua resposta vaga. — Está de férias como eu?
— Provavelmente.
— Algo mais?
— Sabia disso?
— Não.
— Ponto para mim! — Ele sorriu, triunfante.
— O ator favorito dela é Chris Pine. — Falei, tentando mostrar que sabia mais.
— Todo mundo sabe disso! — Frankie riu. — A mãe dela já trabalhou com buffet.
— Interessante.
— Mais um ponto para mim!
— Eu não contaria tanta vantagem assim!
— Summer tem uma ONG para incentivar as crianças a ler.
— O quê?
— Isso mesmo que você ouviu.
— Ao mesmo tempo que tem seu canal do Youtube?
— E ao mesmo tempo em que estuda e escreve seu terceiro livro na internet.
— Por que ela não publica um livro fisicamente? — Cruzei os braços, estranhando a nova informação.
— Porque nenhuma editora a chamou para publicar. — Frankie revirou os olhos.
— Justo.
— Mas ela escreve muito bem.
— Você não é um exemplo de leitor.
— Justamente por isso ela escreve muito bem! — Disse ele, enfatizando.
— Eu não lembro de muita coisa que ela me contou. — Suspirei.
— Então você perdeu.
— Tudo bem. — Desisti de ganhar, pois não conseguia pensar muito depois de ter descoberto sobre a música que define Summer.
— Não vou contar mais coisas, pois eu quero que ela te conte.
— Duvido que aceite me ver depois do que eu fiz. — Passei a mão pelo cabelo, nervoso.
— Então creio que terei que resolver isso! — Ele deu um sorriso enorme e confiante, levantando-se.
— O que quer dizer com isso?
— Você verá no futuro. — Não deixou de sorrir. — Quer ir almoçar comigo em um restaurante bem legal que há por aqui?
— Pode ser. — Levantei. — Não vai querer saber de Summer? — Estranhei o fato de ele não ter me feito nenhuma pergunta sobre a garota dos sonhos de todo canadense.
— Já estava me esquecendo. Obrigado por me lembrar! — Ele disse com um sorriso malicioso. — Conte-me como foi tudo com Summer Young. Vocês se abraçaram ou algo assim? — Fiquei vermelho com a pergunta e ele falou. — Acho que tem muito a me dizer, caro irmão Pearce.
Bufei, pensando no que diria em seguida. Eu e minha boca! Por que não fiquei calado? Deve ser efeito de toda a confusão em minha mente. O que Frankie estava aprontando por trás de seu pedido para almoçarmos juntos? O que teria deixado de dizer sobre Summer? Será que ele sabe o motivo para o canal dela se chamar assim? E a maior pergunta de todas: