7.

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- Minha garganta está seca - vovô diz assim que nos aproximamos de um pequeno lago.

- Vou comprar algo pra você.

- Não precisa - Louis me interrompe e estica uma garrafinha de água em direção ao vovô, que troca olhares entre nós dois.

- De onde tirou isso? - Pergunta desconfiado.

- Estava comigo o tempo inteiro, pode beber.

Não querendo ceder, apenas por teimosia Keith faz um drama pra aceitar a garrafa. Eu até desconfio que o braço de Louis tenha ficado dolorido por insistir em segurar a garrafa no ar.

- Não colocou o bico da garrafa na boca, né?

- Eu peguei especialmente para o senhor. Apesar do calor, nem toquei nela!

Ele aceita.

- Viu só, filho? - ele começa me olhando depois que o líquido lubrifica sua garganta. - Ele é realmente um escoteiro.

- Ah, claro - rio e me sento no banquinho que tem uma tintura branca completamente desgastada, e que por não ser tão espaçoso acaba deixando minha coxa colada com a de Louis.

Não que isso me incomode, de forma alguma.

O silêncio se instala e o único som do lugar são das árvores balançando suas esverdeadas folhas, dos patinhos se divertindo na água e alguns poucos pássaros cantando em algum canto alto e afastado.

Quase não tem ninguém no parque, apenas uma mãe ou outra levando suas crianças para comer um algodão-doce e ter um contato com a natureza.

- Quando eu for pai, eu vou levar meu filho ou filha para fazer trilhas, escalar montanhas, nadar em cachoeiras e essas coisas.

Quebro o silêncio enquanto fito o pequeno lago e sinto dois pares de olhos me olharem no mesmo segundo.

- Escalar montanhas? Não acha perigoso? - Louis se pronuncia brincando com a tampa da garrafa entre os dedos.

- Mas você não faz isso? Escoteiros escalam montanhas, não escalam? - Vovô o encara.

- Desculpa te decepcionar, mas, eu não sou um escoteiro - Louis lamenta e solta um risinho fraco.

- Duvido.

Louis ri e dá de ombros.

- Enfim - rio. - Não acho realmente perigoso, gosto desse contato com a natureza. Acampar em matas desconhecidas seria uma boa também.

- Eu nunca nem saí da cidade grande - Louis me olhava, e quando eu viro meu rosto para encara-lo de volta, ou esperar que ele inicie um caso sobre sua vida na cidade grande, ele vira a cabeça rapidamente e encara um arbusto qualquer na sua frente.

- Então não mora aqui? - olha só, um Keith interessado na vida do escoteiro...

- Moro. Agora - ele se vira pra Keith. - Eu nasci e vivi até os meus dezoito anos em Londres, e vim pra Worcester tem dois anos.

- Então você tem vinte?

- Sim, senhor.

- É mais novo que eu, jurava que era mais velho. - Fito o rosto de Louis e observo uma fina barba aparecendo ali. Talvez seu maxilar bem desenhado e toda a formalidade tenha me dado outra impressão.

- Tem quantos anos? - Louis pergunta.

- Vinte e dois.

- Quase a mesma coisa - ele sorri e arruma a franja caindo de um topete feito antes de vir pra cá.

- Nada que atrapalhe.

Eu só fiz um comentário, interpretem como quiser.

Outro silêncio se instala, e agora é um silêncio cheio de tensão, e talvez eu devesse ficar calado mais vezes.

- Existem outros escoteiros de vinte anos além de você? - Vovô pergunta e eu dessa vez me permito soltar a risada, até porque vovô acaba de quebrar um silêncio constrangedor com um assunto que só faz sentido na cabeça dele.

Talvez eu esteja agradecendo por isso.

- Bem, eu acredito que exista sim outros escoteiros de vinte anos por ai - Louis acaba rindo junto comigo quando trocamos olhares cúmplices sobre a ideia maluca de Keith, e toda aquela tensão vai embora.

Graças a Deus e a cisma do meu avô.

Thank You, Grandpa [l.s] Histórias para pegar e não largar. Descubra agora