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AVISO: O começo do texto será sobre a infância dela. Em seguida, os tempos atuais.

"Eu me sinto uma causa perdida,

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"Eu me sinto uma causa perdida,

tudo o que eu faço é estragar as coisas

Desde que eu era pequena tenho sido rasgada ao meio"

(Cimorelli - Good Enough)

Ela me disse para não se afastar muito da casa, virei às costas e posso ver nosso jardim mal feito ficar cada vez mais distante. Não queria desobedecer, mas é que nunca tinha conhecido alguém assim, ele era alguns centímetros mais baixo, cachos adornavam sua cabeça e tinha uma boca rosada curiosa que arrancava tudo que mamãe pediu para guardar segredo.

- Porque não larga essa boneca? – perguntou enquanto se sentava no balanço, os joelhos esfolados.

- Não quero – agarrei-a melhor porque não conseguia afastar-me do único presente que tinha recebido do meu pai, mesmo que não me lembrasse dele. Mamãe disse que ele iria voltar, tinha que voltar.

- Por que sua mãe estava chorando hoje mais cedo? – ele ajeitou algum fio de cabelo que estava em seu rosto, tinha uma voz rouca.

Dei de ombros – Foi depois que ela abriu a dispensa. Porque estamos aqui?

- Gosto de brincar aqui. Minha irmã também.

- Onde ela está? – virei à cabeça para o lado e os cachos voaram para meus olhos.

- Lá dentro, está doente.

Sentei-me na grama e comecei a trançar o cabelo da boneca, ela estava sujinha, mas queria mantê-la intacta para quando papai voltasse. Ele resmungou - não entendi o porquê - e sentou-se comigo, os olhos verdes brilhando.

- Porque não vamos brincar? Larga essa boneca.

- Eu não quero – retruquei.

- Você é chata – cruzou os braços – Porque nunca vi o seu pai?

- Ele não mora com a gente – continuei a trança – Mamãe diz que iremos vê-lo em Londres em breve. Também nunca vi o seu pai.

- Ele trabalha muito – vi pelo canto do olho que mordeu o lábio – Eu cansei de conversar.

- Podemos ir para minha casa – falei – Acho que minha mãe não se importaria.

Ele assentiu, levantamos-nos em seguida e corremos até a casa, segurou minha mão na sua e até senti uma coisa estranha, não sei explicar. Os pais às vezes o chamavam de Hazza e combinava com ele, eu acho. Bati na porta de casa sorrindo porque ninguém nunca tinha ido lá, não era boa em fazer amigos, mas o sorriso diminuiu em meu rosto quando mamãe abriu com uma expressão raivosa.

Good Enough - 1ª TemporadaStories to obsess over. Discover now