"Cansada de todas as lutas
De todas as portas batendo
A dor, os pais, muito fundo, você sabe
Para trás, para trás
Você pode ver através dos meus olhos?"
(Cher Lloyd - Love me for me)
- Você está linda – Jesse elogiou depois de ter me ajudado a descer da moto.
- Obrigada – sussurrei sentindo o ar frio balançar meu cabelo, tirei alguns fios do rosto e aceitei a mão que estendia. Entramos no restaurante e subitamente me senti mal vestida para aquele lugar, primeiro porque Jesse exibia uma elegância que não fazia parte de um adolescente da nossa idade, a jaqueta preta de couro caiu perfeitamente bem com as roupas escuras que usava e também porque todo mundo ali parecia rico demais, atraente demais.
Ele afastou a cadeira para que eu sentasse, agradeci com um sorriso nervoso e esperei que ele rodeasse a mesa para sentar-se. Colocou a mão no queixo ao invés de olhar o cardápio que um garçom nos trouxe.
- Está me deixando constrangida – falei após ele passar os últimos segundos encarando-me.
- Você está linda – repetiu.
- E você já disse isso, Jesse.
Ele deu de ombros – Posso continuar, tenho a noite toda – piscou – Você está linda.
- Okay, chega – soltei uma risada – Como foi seu dia?
Eu não estava tentando puxar assunto, não era boa nisso e sabia que a pergunta saiu trêmula e incerta, mas só queria que ele parasse de me olhar daquele jeito desconcertante.
- Pensei em você o dia inteiro – admitiu – Especialmente no modo como sorriria e coraria quando eu dissesse isso.
A noite foi repleta de elogios assim, se com isso ele queria que eu passasse a confiar nele e parar de pensar que só estava comigo para zoar-me, então estava conseguindo. Jesse me fez rir quando enrolou a língua ao falar o nome do prato francês, também me fez corar durante a maior parte do tempo, não me deixou pagar a conta e, embora tenha insistido para pagar minha parte, fiquei contente porque isso significava um motivo a menos para Anthony castigar-me. Além disso, ele me fez sentir nervosismo quando terminamos e fomos dar uma volta na praça, nossos dedos juntos e sua voz cantarolando alguma musica de forma desafinada.
- Oh meu Deus! – exclamei – Irei ficar surda!
Ele apertou meu nariz – Se você não fosse tão fofa eu juro que cantaria bem alto no seu ouvido.
- Não teria essa ousadia – fiz-me de ofendida e coloquei a mão no peito – Jesse Hughes é tudo menos um cavalheiro.
- Não tem coragem de repetir o que disse, tem? – colocou a mão na cintura e tirou o cabelo do rosto – Menina Charlotte, pare de rir de mim.
Dei alguns passos em sua direção e inclinei o corpo para sussurrar – Jesse Hughes é tudo menos um cavalheiro.
Em seguida corri porque sua primeira reação foi tentar puxar minha cintura, gargalhando me desvencilhei das suas mãos e subi em um banco para tentar me afastar dele. Sua risada alta me alcançava cada vez mais por mais que corresse. Foi quando seus braços me rodearam, levantando meu corpo e fazendo com que eu sentisse seu cheiro mais perto, que percebi que fazia tempo que não sorria daquele jeito.
Jesse Hughes poderia ainda estar tentando me zoar, mas, só pediria que isso demorasse mais um pouco porque finalmente estava me sentindo como uma adolescente normal e, se não fosse isso, então teria tirado a sorte grande e aproveitaria o máximo antes de tudo ir por agua baixo ao perceber que, assim como não fui boa o suficiente para minha mãe e Anthony, também não seria para ele.
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Good Enough - 1ª Temporada
ActionAbandonada fisica e emocionalmente pelos pais, a autoritária e maior detetive criminal de Londres, Charlotte Di Angelo, vê seu mundo mudar totalmente após rejeitar com violência as iniciativas sexuais do Promotor de Manchester, na Inglaterra. Seu pa...
