Notas Iniciais:
Esse capítulo é basicamente a história toda que envolve GE, então espero que leiam com bastante atenção porque essa autora aqui ama umas pegadinhas!
"Parece que todo mundo tem um preço
Eu me pergunto como eles dormem à noite
Quando a venda vem em primeiro lugar
E a verdade vem em segundo lugar"
(Jessie J - Price Tag)
Eu não fui à formatura. Também não fui para o baile, muito menos fui convidada para o pós-festa. Não que faria alguma diferença se eu tivesse sido. Eu não iria de qualquer forma e não só porque Anthony dizia que essas distrações eram para os riquinhos da cidade, que tinham a vida ganha e já estavam em uma faculdade boa graças a boa influencia dos pais. Mas, também, porque eu mal me aguentava em pé.
Os últimos meses da gravidez tinham sido difíceis. Difíceis porque eu não sabia como o bebê estava, na verdade não sabia nem o sexo dele, mas algo me dizia que era uma menina. Não tinha dinheiro para ir a uma consulta particular e Anthony já havia deixado claro que não daria e não tinha tempo para esperar horas em uma fila em busca de atendimento porque ele simplesmente não deixava, me atolou de coisas em casa para fazer, além de mandar-me analisar alguns casos seus da polícia, o que poderia ter sido um inferno se aquilo realmente não me interessasse.
A única prova de que meu bebê estava vivo eram os chutes. Chutava por tudo. Gostava de fazer malabarismos em minha barriga. Vez ou outra sentia soluço e tentava ensiná-lo a prender a respiração, conversávamos bastante também, minhas respostas eram os cutucões em meu ventre.
Eu não engordei muito. Só o suficiente para dar espaço ao bebê. Perdi muito peso, na verdade, nos primeiros meses porque não conseguia comer nada, tudo enjoava-me e, mesmo depois que essa fase passou, também não comia por dois, as vezes nem por mim. Estávamos passando por uma crise financeira e o que tínhamos mal dava para fazer uma boa refeição, claro que Anthony fazia questão de deixar claro que aquela não era mesmo uma boa hora para se ter um bebê.
Claro que não era. Eu sabia disso. Ainda mais da forma que foi. Jesse me usando, as pessoas rindo da armadilha que eu caí, Anthony me pedindo para tirar o bebê e Jesse não assumindo, deixando-me sozinha para lidar com as ameaças dele. Eu estava sozinha, não tinha ninguém que perguntasse como estava, as pessoas começaram a notar quando minha barriga cresceu, mas ninguém atreveu-se a fazer alguma pergunta. Vez ou outra via Jesse saindo para as festas com a namorada nova, alguém bonita o suficiente para que ele a assumisse.
Mas eu não podia simplesmente abrir mão da coisinha que crescia dentro de mim. Que tomava todo espaço em meu coração, acalmava os sentimentos de angústia e inferioridade. Foi só por causa da existência desse bebê que eu não enlouqueci. Sentir que uma vida inocente crescia dentro de mim me permitiu não entregar-me a dor que estava sentindo, não ser boa o suficiente era evidente para mim, mas podia e queria ser para essa criança, por isso não havia sucumbido ainda.
Estava na reta final da gravidez, 08 meses e mal conseguia abaixar-me para fazer as coisas que Anthony pedia. Por mais que ele xingasse a mim e a criança, percebi que não me mandava mais fazer tarefas tão pesadas. Nada de subir em cadeiras para limpar os móveis, não me mandava ao mercado para comprar utensílios, de alguma forma ele estava me poupando, mas isso não fazia com que eu sentisse menos raiva dele. Para ser sincera, ela só aumentava. Sentia ódio de vê-lo sentado lendo o jornal ou assistindo televisão enquanto ignorava as fisgadas em minha barriga, meus enjoos, meu choro por estar sozinha.
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Good Enough - 1ª Temporada
ActionAbandonada fisica e emocionalmente pelos pais, a autoritária e maior detetive criminal de Londres, Charlotte Di Angelo, vê seu mundo mudar totalmente após rejeitar com violência as iniciativas sexuais do Promotor de Manchester, na Inglaterra. Seu pa...
