Goodbye

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"Existe uma tensão no ar que não é tão engraçada.
Mamãe tem perdido peso, eu posso dizer que ela não está bem
Gostaria de saber se é minha culpa ele ter ido embora"

(Cimorelli - Good Enough)

Aconteceu que ela não saiu daquele quarto por horas. Meu estômago estava embrulhado de fome e de náusea por ainda estar digerindo tudo que me aconteceu nos últimos dias. Todas as promessas desgastadas e vazias, todos os momentos que jurei ser para sempre, tudo isso estava me matando por dentro e eu não conseguia colocar nada para fora.

Ouvi sons dentro do quarto, provavelmente mamãe falava com alguém no telefone, sussurros que não consegui decifrar. Estava sentada no chão da cozinha, meus pés descalços sujos enquanto voltava a pedir para que ela me deixasse entrar. Precisava dela naquele momento. Precisava do carinho de mãe.

Por fim, cansei de pedir para que me deixasse entrar e contentei-me em apenas esperar que saísse de lá. Minha mente ficou cheia de perguntas sem respostas, de duvidas e lembranças dolorosas, acabei adormecendo enquanto pensava no meu vizinho e amigo e nas horas que passamos juntos, pensando melhor agora conseguia entender o motivo de ter feito aquilo, de ter me ajudado daquela forma, confesso que, se pudesse, faria o mesmo, porém, isso não muda o que estou sentindo, a sensação de humilhação e inferioridade não desaparece mesmo sabendo que conseguia perdoar o que fez.

Acordei porque meu ombro estava sendo balançado, abri os olhos assustada e deparei-me com mamãe a me encarar, seu cabelo molhado, as roupas limpas e uma seriedade no olhar que não reconheci.

- Tome um banho, Lottie – murmurou – Coloque roupas limpas, se perfume. Iremos embora.

- Embora? – perguntei com a voz falhando por causa da lentidão matinal enquanto levantava-me – Para onde vamos?

- Explico no caminho. Ande. Depressa, o taxi virá nos buscar daqui a pouco.

- Táxi? Com que dinheiro? Mamãe...

- Depressa, Charlotte! – rosnou enquanto empurrava meu corpo em direção a porta do banheiro.

Não fiz mais perguntas, parecia estar apressada enquanto passeava pelos cômodos e colocava coisas em algumas sacolas. Enquanto vestia uma roupa pude ver seus passos rápidos em busca de alguma comida na dispensa, achou um saco de pipoca pela metade e guardou no bolso do casaco largo em seus ombros.

Ouvimos uma buzina e segurou em minha mão enquanto saímos de casa, não estava entendendo nada do que estava acontecendo, mas alguma coisa em seu olhar me dizia que não voltaríamos ali. Tentei iniciar algum dialogo sobre o porquê de estarmos fazendo aquilo e para onde estávamos indo com tanta pressa e levando apenas roupas – poucas, claro – mas seu aperto foi firme em meu braço conforme nos encaminhava até o táxi parado na nossa porta.

Meu olhar encontrou o dele. Não o estava procurando, sequer estava olhando para a porta da sua casa, mas como num filme, parecia que existia uma música tocando, nossos olhos grudaram-se um no outro e o tempo pareceu parar. Ele viu minha mãe com a mala na mão entrando pela outra porta, ficou de pé, os olhos arregalados, enquanto tentava juntas as peças na sua cabeça, tentando entender o que estava acontecendo.

Num ímpeto, abaixei o vidro e inclinei meu corpo, lágrimas queimando em meus olhos porque meu coração gritava que aquela seria a ultima vez que o veria. Minha respiração pareceu ficar presa na garganta e minhas mãos tremiam para estarem tocando as dele.

Ele correu até a calçada e o motorista ligou o carro. Abriu a boca para falar alguma coisa e senti o carro se mover, passei por ele, poucos metros de distancia entre nós, em movimento e desejando parar par abraça-lo. Eu assenti, confirmando o que sua mente tanto lutava para discernir, estava indo embora, e pareceu que acendeu alguma coisa em seu cérebro, pois balançou a cabeça repetidas vezes.

Good Enough - 1ª TemporadaStories to obsess over. Discover now