Juntando o nervosismo, o desespero e a falta de atenção, a viagem da Perrie até a Zona de Quarentena foi bem conturbada. Perrie não era, uma motorista tão boa, assim. Havia tirado a carteira de motorista a apenas três meses, sua experiência era por conta das aulas de Ally e Erick. Seus olhos se encheram de lágrimas, ao lembrar dos amigos. A ficha de que nunca mais, os veria, não tinha caído. E ao se lembrar o fim deles, sentiu uma pontada no peito.
Levou uma mão ao rosto, para enxugar algumas lágrimas, que caíam sem o seu controle. Ao fixar o olhar em sua mão, só viu sangue. A outra, posicionada no volante, estava do mesmo jeito. Não sabia ao certo, quando havia se sujado tanto, mas sentiu
náusea. Uma leve tontura, a fez vacilar com o volante e quase invadir a calçada da direita. Se o tivesse feito, teria batido em uma caixa de correio.
Quando estava bem próxima, ouviu rajadas de tiros. Freou o carro, no mesmo instante. Estava acontecendo lá. Tinha certeza. Pegou o celular e ligou para os pais. Ninguém atendeu. Seu coração estava disparado. Ligou de novo e de novo. E os tiros não
paravam. Voltou a pisar no acelerador. Voltou a dirigir até lá, rezando para que eles ainda não tivessem chegado. Ou para que pelo menos, estivessem bem, lábdentro.
Quando chegou a avenida, a rua estava tomada por carros. Teve que parar a mais ou menos, trinta metros do Madison Square Garden. Perrie percebeu que o problema, era lá dentro. Viu um helicóptero passar. E depois outro. Sobrevoavam o estádio. As rajadas de tiro, ficavam mais altas ainda, enquanto se aproximava a pé, rapidamente, pela calçada. Não deixava de conferir os carros com o olhar, tentando identificar o do seu pai.
Não teve a menor dificuldade em entrar no local. E ao fazê -lo seu estômago embrulhou, seu coração apertou e as lágrimas começaram a cair sem parar. Ver aquela quantidade de pessoas caídas, e sangue por todo lado, era de partir o coração. Os helicópteros se afastaram, assim que o último zumbi foi ao chão. Ela escutou o último disparo.
Andou em meio aos corpos, o sangue em seus sapatos. E ela não sabia de quem poderia ser. Poderia ser de uma criança, que estava com seu urso protetor em mãos. Ou de uma mulher grávida, que via esperança, naquele lugar. Ao chegar perto, de uma espécie de sala de cadastro, seu coração parou, ver sua mãe caída no chão e seu pai por cima, como se pudesse protege-la, foi o fim para a Edwards. Até, em seu último suspiro, o pai demonstrou a mãe, o quanto a amava. Perrie agia, como se estivesse em um pesadelo. Não queria acreditar, que aquela era sua realidade. Olhou ao redor a procura de Jon, limpou as lagrimas, para ver melhor, mas nada dele. Torcia para que seu irmão, tivesse conseguido escapar.
Adentrou mais um pouco, o local. Sem saber, ao certo, o que estava fazendo. Chegou perto de um policial, caído no chão. Ele tinha um corte profundo na garganta, em seu rosto, não havia mais sinal de vida. Perrie escutou um barulho e sua reação foi se abaixar, ao lado do policial morto. Viu um homem se movimentando. Poderia ser um sobrevivente. Se levantou e tentou chamar a atenção do rapaz. Logo, o reconheceu, por conta de uma correte com um pingente. Ela tinha dado aquele objeto ao irmão, antes de sair de
casa, naquela manhã. Era o S, do Super Man. Então, o chamou pelo nome.
- Jon!
E quando o rapaz se virou, ela morreu, naquele instante. Não era mais, o seu amado irmão, o qual muitas vezes, chamava de ursinho, e recebia um abraço quente e aconchegante, de irmão. Mas, sim um monstro, com os olhos totalmente sem vida, sedento por carne e por se satisfazer, com a morte alheia. E ele andou em sua direção. Desesperada para acordar daquele pesadelo, a loira andou para trás, tropeçando no policial
e caindo logo em seguida. Mas, o zumbi não parava de se aproximar. Ela olhou para o
homem morto a sua frente, e viu em suas mãos uma pistola, a pegou, apontou para o irmão, e...
Não conseguia atirar. Era o seu irmão, ali na sua frente. O mesmo, que escutou suas reclamações e a abraçou em momentos de frustração.
Como poderia mata-lo? Mesmo em um pesadelo, ela não conseguia.
Então, como por um acaso, viu um armário com medicamentos, não muito longe. Tinha que fazer, tinha que acabar com o sofrimento dele. Mas, queria ter certeza, de que seu irmão não sofreria. Não pelas suas mãos. Mesmo sendo apenas, um pesadelo. Correu até o armário e procurou por um sedativo. Tendo encontrado, se aproximou dele, e com um movimento rápido, aplicou em seu braço, o deixando furioso, mas o apagando em seguida. Enfim, pegou a arma, olhou pro rosto do irmão, e veio uma lembrança.
Lembranças on*
Lá estava ela, sentada em uma árvore a horas, olhando para o lindo céu azul e pensando como o dia tinha sido estressante e triste. Primeiro, brigou novamente, com sua mãe por conta de sua profissão. Ela dizia que Perrie foi educada, para ser uma esposa atenciosa e atraente. Mas, Piper sempre se mostrou indiferente, aos desejos da mãe. E naquele mesmo dia, percebeu que estava completamente apaixonada por uma colega de
classe. Mas, nunca poderia assumir aquilo e ser julgada pela sociedade e principalmente,
por sua família. Então, se pôs a ficar ali, em cima daquela árvore. Ficou o dia inteiro. Chegou da escola e foi direto pra lá. E as horas foram passando e passando, e ninguém veio atrás dela.
Até que em certo momento, viu os galhos se movimentarem e um urso aparecer atrás de si. Na verdade, era seu irmão. Ela sorriu pra ele e ficaram ali, um olhando para o outro. Até que ele quebrou o silêncio.
- Sabe Pezz, eu nunca ouvi nada que a mamãe me disse. Ela sempre me dizia pra seguir a profissão do papai. E olha só onde parei, sou um ótimobtocador de banjo. E estou muito feliz, assim. Maninha, siga sua vida e nunca deixe nada, nem ninguém, lhe impedir de fazer o que o seu coraçãozinho pede. Mesmo que você tenha que matar dragões, pra isso. E se a mamãe não te aceitar, lá em casa tem espaço, o meu apartamento sempre estará de portas abertas pra você. - Sorriu e desceu da árvore, mas continuou olhando pra Perrie. - Ah, eu também acho, aquela garota da sua sala, linda. - Perrie corou violentamente.
- Co...como sabe?
- Eu sou lerdo, mas não cego. É só olhar o seu jeito com ela. Eu te amo, nunca se esqueça disso!
- Eu também te amo, ursinho.
Jon encheu as bochechas de ar e abriu os braços e saiu como se fosse um urso atacando alguém. Piper não conseguiu segurar a risada, vendo a cena. Foi pra casa, sabendo que teria o apoio de alguém que a amava incondicionalmente.
Lembranças off*
Continuava olhando pra ele. A vaga lembrança, permanecia em sua mente. Era uma das mais importantes, pra ela. E agora, ele estava morto. Perrie não queria pensar no fato de estar tendo lembranças, mesmo estando dormindo. O encarou pela última vez, suas bochechas fofinhas, que agora estavam muito pálidas, lhe dando uma feição monstruosa.
Colocou, vagarosamente, a arma em sua cabeça, contando até três.
- Um. - Vários momentos felizes juntos, vieram em sua mente. - Dois. - Os abraços de urso. - Eu te amo. Três. - O tiro passou pela testa, atravessando a cabeça e levando consigo o tão amado irmão, namorado e acima de tudo amigo, Jon.
Ela saiu do estádio, sem nem perceber. As lagrimas caíam e caíam. Perrie deixou suas pernas, lhe levarem pra qualquer lugar. Andou e andou. Não se importava em ser atacada. Nem pensava nisso. Na verdade, não pensava em, absolutamente, nada. A não ser em todas as pessoas que perdeu, naquele pesadelo horrível. O céu parecia lhe entender. Estava sombrio. O vento gelado, batia no rosto da Piper, fazendo-a tremer. Começaria a nevar, a qualquer momento. Só queria acordar, logo.
Jesy não acreditava, no que estava vendo. Olhava tranquilamente o céu, pela janela do seu quarto, quando a viu virar a esquina. Toda de branco. Cabelos loiros. Se não tivesse
toda manchada de sangue, diria que era um anjo. Contou sete zumbis, seguindo-a. E ela parecia, não dar a mínima. Jesy endireitou os óculos no rosto.
Será que era um anjo?
- Ei! - Chamou, enquanto ela se aproximava mais e mais, da frente da sua casa. Ela parecia, não lhe ouvir. Fixou o olhar no rosto dela, começando a suspeitar, que ela também
fosse um zumbi. Jesy, então, se afastou da janela.
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Apocalípse (Pesy)
Fiksi PenggemarJesy Nelson, é uma ex militar, que não sabe mais seu lugar no mundo. Perrie Edwards, cientista que de repente, se vê sozinha e sem esperanças. Seus caminhos se cruzam em meio ao caos e desesperança, exatamente, quando uma mais precisava da outra. Si...
