Perrie olhava pra pilha de roupas, que a quatro-olhos tinha lhe deixado, o tempo inteiro. Nevava lá fora. E ouvi-la falar em banho quente, com aquele frio que fazia e com o seu estado de limpeza, decidiu colocar o orgulho de lado. Se levantou, deixando a arma no chão, junto ao seus sapatos. Pegou as roupas e a toalha de cima do sofá e subiu a escada vagarosamente.
Haviam apenas duas portas, no andar de cima. Lembrou dela dizer, que a esquerda era a do banheiro. Entrou e trancou a porta. Deixou as roupas limpas em cima da pia e começou a se despir. A água quente, caía sobre seu corpo, causando alívio em seus músculos tensos. Infelizmente, não poderia demorar ali dentro. E não demorou. Seu banho não durou dez minutos. Se enxugou com a toalha e foi se vestindo. Não soube o que fazer,com suas roupas sujas. Desejou joga-las no lixo. Mas, não o faria, ali.
Quando abriu a porta do banheiro, com o montinho de roupas em baixo do braço,
secando os cabelos com a toalha, deu de cara com o cachorrinho. Não se moveu, ficouencarando-o. Ele fazia o mesmo. Sorriu sem jeito, pra ele, que continuou parado. Então,Perrie deu um passo pra fora do banheiro, fechando a porta e seguindo pra escada. Ele não latia, apenas a seguia, bem de perto. Perrie deixou as roupas sujas, junto aos sapatos e a arma inútil. Se sentou no sofá, ainda secando o cabelo.
Quando terminou, não soube onde colocar a toalha, então deixou-a junto as suas roupas, no chão. Voltou a se sentar no sofá. O cachorrinho continuava assistindo-a. Arriscou estender a mão, para fazer carinho nele. Ele não avançou em sua mão, momento algum. Prosseguiu. O acariciou, se deixando sorrir, por toda aquela fofura. Logo, estava
com ele no colo.
Se deitou no sofá, apoiando a cabeça em uma almofada, se cobrindo com o cobertor,
em seguida. O cachorrinho, o qual não conseguia recordar o nome, se deitou ao seu lado.
Ficou acariciando ele, sentindo as lágrimas caírem. Os acontecimentos do dia, ficavam
vindo a sua mente, detalhadamente, quando fechava os olhos. Além da sua realidade, ter se tornado um pesadelo, os sonhos não vieram. Acordou umas cinco vezes, durante a madrugada. Na última vez, já estava amanhecendo, e não estava sozinha na sala. Ela estava lá, de pé, perto da escada. Lhe olhando, com uma expressão assustada.
Jesy despertou ao ouvir gritos, na sala. Com o coração disparado, teve medo de que a loira louca tivesse aberto a porta. E imaginou, que sua casa estivesse sendo invadida, pelos zumbis. Mas, não. Estava tudo fechado, a loira que estava tendo um pesadelo. E parecia ser horrível. Quando ia chama-la, para que despertasse, ela abriu os olhos, se sentando no sofá ofegante, com os olhos cheios de lágrimas.
O instinto da Jesy, a fez ir rapidamente até a cozinha e traze-la um copo de água. Lhe
entregou. Ela não hesitou em segura-lo, com as mãos trêmulas. Bebeu a água toda, e ficou segurando o copo, enquanto encarava o chão. Jesy olhou pro relógio da parede, marcava quase seis da manhã. Voltou a olhar pra loira. Não sabia se perguntava, se ela estava bem.
Talvez, ela resolvesse lhe contar.
Não perguntou nada, no final. Deixou ela quieta, com os pensamentos longe. Subiu
pro quarto, novamente. Não conseguiu mais dormir. Ficou deitada até o relógio da
cabeceira marcar sete horas. Pela janela, só enxergava branco. Uma camada grossa de neve, cobria tudo. Nem conseguia mais, ver os corpos, que deviam estar caídos lá na rua. Fechou a janela. Reggie estava no seu pé. Ele queria comida. Jesy o fitou.
- Agora, que você vem lembrar de mim? - Se abaixou perto dele. - Ontem, quando eu te chamei pra vim deitar, você nem ligou. Me deu as costas como resposta e ficou lá, com ela.
Reggie apoiou as patinhas da frente, na perna da Jesy, lhe olhando como se pedisse desculpa. Ela não resistiu e pegou-o nos braços. Ele ficou assistindo-a escovar os dentes e
pentear os cabelos. Desceram juntos, lado a lado. A morena achou curioso, o fato da loira
olhar para um papel amarelo, fixamente. Não arriscou cumprimenta-la. Foi direto pra
cozinha, lançando um olhar fuzilante pro Reggie, que correu até a loira.
Colocou um pouco de ração na vasilha do cachorrinho e balançou-a. Ele sempre
vinha. Quando ele entrou, todo animado na cozinha, ficou encarando-o. Demorou um
pouco, pra deixa-lo comer.
Perrie não arriscou fechar os olhos, desde que teve aquele pesadelo horrível, com todos que conhecia sendo zumbis e vindo ataca -la. Ally, Erick, Jen, Alex, Jon e seus pais. Pensando nos amigos, lembrou do laboratório, e assim automaticamente, lembrou da fórmula fracassada. O papel devia estar em seu jaleco. Desceu do sofá, indo pega-lo.
Estava tão frio. Voltou pro sofá, rapidamente.
Ela encarou aquela fórmula, por vários minutos. Lendo e relendo. Procurando o que tinha feito de errado. Nem teve a chance, de compartilha-la com o pessoal de Connecticut. Se perguntava se eles já haviam chegado a cura. Provavelmente não. Eles não tinham os dados, que John havia mandado. Sem eles, dificilmente conseguiriam. Começou a se perguntar, o porquê, de estar procurando a falha. Não importava mais. Errou e perdeu todas as pessoas que tinha. Pra que consertaria? Não tinha mais quem salvar. Não tinha mais
ninguém.
Sentiu o cachorrinho se aproximando. Viu de soslaio, a mulher seguir direto pra
cozinha. Cozinha lhe lembrou comida. Não comia a quase vinte e quatro horas. Seu estômago reclamou alto. Acariciou o cachorrinho fofo. Mas, ele lhe deixou, ao ouvir um barulho na cozinha. Perrie olhou pra porta. Poderia sair? Devia sair?
Claro que devia. Tinha que ir. Mas, não sabia pra onde. Pro seu apartamento, era improvável. Não sabia bem, onde estava. Mas, imaginava que ficasse longe. Não chegaria lá, viva. Pra casa dos seus pais, talvez. De repente, Perrie lembrou da avó. Lucy e Isabel. Não estava sozinha. Elas duas estavam fora da cidade. São e salvas, acima de tudo. Sorriu
um pouco. Tinha que telefonar para elas. Nem tudo estava perdido.
- Bom dia. - Se assustou ao ouvir a voz grave. Olhou pra dona dela.
- Bom dia. - Respondeu baixo. Sua voz saiu rouca e estranha. Limpou a garganta, mas
não disse mais nada.
- Você pode comer alguma coisa, lá na cozinha. Sem problemas.
Perrie assentiu com a cabeça. A morena ia saindo da sala.
- Você tem um telefone, que possa me emprestar, por dois minutos? - Perrie perguntou rápido, receosa. Ela bem que tinha motivos, pra recusar seu pedido. Admitia aquilo. A mulher se virou pra ela e confirmou com a cabeça. Ela foi busca-lo, escada acima. Voltou rapidamente e lhe entregou. - Obrigada. - Disse sem jeito. - Obrigada, por tudo.
Sem jeito, também, Jesy balançou a cabeça lhe dando um sorriso tímido, em seguida se afastando. Estava contente, pela loira estar melhor, que no dia anterior. Ela estava até sorrindo, quando entrou na sala para avisar do café da manhã. Esperava que ela não quisesse mais, cometer suicídio. Suspirou e começou a lanchar tranquilamente. Lavou as poucas louças e foi até a sala. A loira chorava, novamente.
- Esse... Celular funciona? - Ela lhe perguntou, ainda chorando.
- Sim. Funciona. Por que? - Ela balançou a cabeça negativamente e lhe devolveu o
aparelho. A morena viu, que não havia sinal. - Ah... Está sem sinal. Deve ser porque nevou pra caramba. - Deixou o celular na mesinha de centro. - Tenta de novo, daqui a pouco. - Sugeriu.
- Tá. - A loira secou as lágrimas da bochecha, se recompondo.
- Eu vou me vestir, para dar uma volta, lá fora. - Olhou pra ela, buscando sua reação. Ela desviou o olhar.
- Posso ir? - Perguntou, se explicando em seguida. - Eu posso ajudar. E talvez, o
celular funcione melhor, lá fora.
Jesy a princípio, achou que ela estava pedindo pra ir embora. Hesitou, um pouco. Ela não ia ajudar, em nada. Mas, não sabia como, nem porquê, diria não, então assentiu com a cabeça.
- Eu sou Perrie. - Ouviu ela dizer, quando estava começando a subir a escada. - Perrie Edwards. - Se levantou, estendendo a mão em sua direção. Jesy voltou até ela.
- Jesy Nelson. - Apertou a mão dela.
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Apocalípse (Pesy)
FanfictieJesy Nelson, é uma ex militar, que não sabe mais seu lugar no mundo. Perrie Edwards, cientista que de repente, se vê sozinha e sem esperanças. Seus caminhos se cruzam em meio ao caos e desesperança, exatamente, quando uma mais precisava da outra. Si...
