Você é louca?

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Jesy foi até o armário de equipamentos e pegou seu binóculo. Voltou pra janela,
buscando saber se aquela loira era um zumbi, ou só uma louca. Observou a loira abatida,
com uma arma em mãos, andando sem rumo, não aparentando o mínimo sinal de
preocupação, com o fato de que poderia morrer por um ataque, a qualquer momento. Jesy confirmou, que ela não era uma infectada. Balançou a cabeça negativamente, ainda a observando. Sentia conhecer, aquela loira louca.

Mas, de onde ela estava vindo, daquela forma?

Saiu da janela, ainda decidindo se a ajudaria, ou não. Em sua memória, veio as palavras de sua mãe.

"Se preocupe apenas com você. Você tem que ser a pessoa mais egoísta do mundo."

Mas, aí lembrou também o juramento feito no exército.

- Ah, que se foda! - Decidiu fazer o que seu coração, por algum motivo, implorava. Iria salva-la. Desceu as escadas, rapidamente.

Pegou sua pistola, já carregada, e um taco de beisebol, por precaução. E se dirigiu, até a porta de entrada. Reggie ficou irritado, por ela impedi-lo de sair, também. Fechou a porta,
atrás de si. Jesy mirou e atirou, no zumbi que estava mais próximo a loira, que parou de
andar no mesmo momento, olhando pra trás assustada. A morena desceu a pequena
escada, para chegar a calçada da rua.

Atirou, na cabeça, do primeiro zumbi que apareceu na sua frente. Olhou pra trás, mais
dois zumbis se aproximavam. Quando voltou a olhar pra loira, ela estava lá parada, praticamente esperando que o zumbi, a menos de dois metros dela, se aproximasse, e a
matasse. Atirou nele. Driblando os corpos caídos na calçada, chegou bem perto dela.

- Ei, tá tudo bem? - Perguntou, encarando-a. Era ela. Jesy tinha certeza. A única diferença era que hoje, estava abatida. Ela não lhe respondeu. Se virou e voltou a caminhar.

Jesy não entendeu nada. Olhou pra trás e os outros três zumbis se aproximavam. E não eram, apenas eles. Com o barulho dos tiros, mais alguns, começavam a aparecer virando a esquina. Então, decidiu agir rápido, atirou no zumbi mais próximo. Avançou com o taco, acertando o zumbi que estava em frente a sua casa.

Precisava limpar o caminho.
Esperava o outro chegar mais perto. E quando olhou pra esquina de novo, algo lhe chamou atenção. O zumbi, que viu, parecia uma fera. Piscou algumas vezes, tentando saber se não era um homem. Mas, não era. E ele vinha em sua direção.

Olhou pra loira, que continuava se afastando, mas bem devagar. Correu até ela, puxando-a pelo braço, a fazendo virar.

- O que você está fazendo? - Ela reclamou, muito irritada. Agora, não restava dúvidas, de que era mesmo, a loira de muitos dias atrás.

- Olha aquilo! - Apontou pro zumbi, que se aproximava, cada vez mais rápido. A loira olhou e deu de ombros. Jesy perdeu a paciência e a puxou pelo braço, levando-a pra casa.

- Me solta! - Ela estacou no chão, tentando se soltar da mão da Jesy, que continuava sem entender.

Sabia que precisavam entrar, e rápido. Mas, a loira louca, não ajudava em nada. Então, não havia mais alternativa. Sem pensar duas vezes, Jesy parou de puxa -la, se abaixou e envolveu suas pernas com os braços, deitando ela em seu ombro.

- Me coloca no chão! - Ela gritou. Jesy prosseguiu. Andou o mais correu o mais rápido que pode, para dentro de casa. O mais difícil, foi subir a escada. E a loira, ainda ficava se
debatendo.

Abriu a porta, colocou ela no chão e empurrou-a para dentro, ao mesmo tempo em que impedia Reggie de sair. Fechou a porta e empurrou de volta, a placa de metal que dava mais resistência a porta, travando tudo, em seguida. Em dois segundos, sentiu o baque, que ele deu na porta. Duas vezes.

- Mas, que merda é essa? - Jesy olhava horrorizada, pra porta, se afastando da mesma.

- O que significa, isso? - A loira perguntou, ao mesmo tempo.

Jesy fingiu, não ouvir. Tinha mais com o que se preocupar. Então, subiu pro quarto bem rápido, para conferir pela janela. O zumbi fera, corria pela rua. Ela o seguiu com o olhar, até ele virar a esquina. Respirou aliviada. Mas, os outros, continuavam a se aproximar, da sua porta. Teria trabalho, pra acabar com todos. Gastaria muita bala. Balançou a cabeça negativamente e desceu para ver como a loira estava. Reggie latia pra ela, sem parar.

- Reggie! - O chamou, pegando-o no colo. - Quietinho. - Olhou pra loira. - Jesy. - Se apresentou, estendendo a mão, na direção dela. Ela olhou pra sua mão, sem fazer menção de lhe cumprimentar.

- Por que você me carregou pra cá? - Se encararam. Jesy desceu a mão, sem graça.

- Se não percebeu, caso estivéssemos lá fora agora, estaríamos mortas. - Explicou,
calmamente.

- E por que, você não entrou sozinha?

- Olha aqui, eu só acho, que você deveria me agradecer, por salvar a sua vida. - Jesy respondeu alterando a voz, com indignação.

- Quem você pensa que é? - Dizia, no mesmo tom de voz, que a Jesy. - E quando foi, que eu pedi pra você, fazer isso? - Elas se encararam com raiva. - Quero sair. - Se virou pra porta.

- Tem muitos lá fora, agora. -Avisou. - Impossível, sair.

- Não importa. - Disse firme.

- Você é louca?

Perrie mexeu em uma das trancas.

- Solte isso! - Jesy se aproximou. - Se você abrir, eles irão entrar. - A loira, deu de ombros. - Se quer se matar, eu abro pra você. Mas, só quando eu tiver certeza, de que meucachorrinho e eu, estaremos seguros. - A loira hesitou, mas pareceu concordar, pois se
afastou, segundos depois.

Jesy e Reggie, subiram para o quarto, deixando a loira sozinha, na sala.

- Você viu só? - Conversava com o Reggue, baixinho. - Toda nervosinha. Em um mundo
onde, todo mundo tá fugindo da morte, ela vem com essa de querer se matar. Mereço. - Olhou pela janela. - Agora tenho que limpar essa bagunça toda, ali na frente. Eu devia ter deixado ela, lá fora. Droga!

Perrie se sentou no chão, encostada na parede, próxima a porta. Não queria estar, ali
dentro. Aquele, poderia ter sido o seu fim. Queria que tivesse sido. E cada vez mais, a ficha de que não iria acordar, caía. Pelo simples fato, de não ser um pesadelo. O que mais doía,
era saber que era culpa sua, a morte de seus amigos. Ela fez aquele zumbi, se tornar uma
fera. E por consequência, todas as pessoas naquele estádio morreram, também. Com eles,
sua família.

Pensar que não era um pesadelo, a fez constatar, que atirou de verdade, em seu irmãozinho. As lágrimas começaram a cair, mais e mais. Se era a sua realidade, não queria estar viva. Mas, estar viva, era culpa, daquela quatro-olhos, metida a heroína. Ela não tinha nada, que ter se metido.

O que ela fazia naquele pesadelo, mesmo? Atrapalhando, é claro.

O fortão, teria acabado com tudo. Se fosse um pesadelo, ela teria acordado, se não fosse... Pelo menos estaria com sua família e amigos, em algum lugar do além. Era para ter sido, assim. Sua cabeça já doía, de tanto chorar. Seus olhos caíram sobre a arma, ao seu lado. Talvez, nem tudo estivesse perdido.

Pegou-a, conferindo se estava pronta pra atirar. Não entendia, nada de armas. Mas, já havia atirado uma vez, com ela, então devia estar. Colocou contra sua têmpora direita. Respirou fundo, se permitindo sorrir um pouco. Só queria que aquela dor que sentia, parasse. Toda vez que fechava os olhos, via as pessoas que amava, mortas. Tudo que estava acontecendo, era horrível demais, pra ser verdade. Estava confusa, mas com aquilo, tudo ficaria claro. Então, puxou o gatilho...

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Postei e sai correndo

Apocalípse (Pesy)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora