Capítulo 10.

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Sou acordada com uma torrente de água gelada no meu rosto.
Olho ao meu redor, tentando ao máximo reconhecer alguns  desses homens e até mesmo o local onde eu me encontrava presa.

__Olha só pessoal, sem o seu séquito a princesinha é toda medrosa.

Diz um sujeito barbudo que me pareceu ser o chefe daquele grupo.

__Por favor,__ Digo com uma voz um tanto debilitada, provavelmente pela pancada que recebi na cabeça e pela situação angustiante que eu me encontrava. __Por favor, se é ouro que vocês querem, meu irmão o rei Layon pode pagar tud..

Sou interrompida, um outro sujeito que tinha uma cicatriz enorme na face me dá um tapa.
Ouço as risadas de cada um deles, e me sinto envergonhada por estar chorando.
Nunca recebi um tapa na cara, ou muito menos fui tratada com tanto ódio.

Olho para as minhas vestes que se encontravam rasgadas e sujas de lamas, só então me dou conta que estou presa dentro de um cercado de porcos. Um grito irrompeu pela minha garganta quando sentir uma dor lacerante na boca do meu estômago, alguém tinha me chutado, jogado meu corpo de encontro ao lamaçal.

___Para pelo amor dos Deuses! Eu não aguento mais, piedade, por favor..

O sujeito barbudo ordenou que parassem, mas em nenhum momento seus olhos demostraram algum tipo de piedade.

__Por hoje chega!! Não esqueçam homens, temos o nosso plano já em ação. Coloquem a corrente no pé dela, e cada um pro seus postos.

__Vocês vão me deixar assim? Me deixar dentro desse chiqueiro? Céus eu estou echarcada, enlameada!

Na mesma hora me arrependo de ter aberto a boca quando vejo aquele homem marchando em minha direção.
Sinto as mãos deles terminando de rasgar oque restava do meu vestido, entro numa luta feroz com ele e sinto outro tapa me atingir em cheio, dessa vez chego a sentir o sangue escorrer pela minha boca.

__Aqui a sua coroa ou seu título de princesa não vale de merda nenhuma! Ou você entra na linha e se contente por ainda ter vida, ou nem isso você terá.

Debilmente cubro meus seios com os meus braços, e me deito numa posição fetal, desejando silenciosamente que a morte viesse depressa a me buscar.

Alguma coisa estava acontecendo, mesmo ainda tonta pelas agressões, e uma fome mortal que me torturava lentamente, eu podia ouvir ao longe gritos e vozes alteradas.

Era uma missão de resgate, mesmo estando o céu já escuro, dava pra ver alguns daqueles homens cruéis correndo feitos loucos para salvarem a própria vida.
Começo a rir e a chorar feito uma idiota, um alívio indescritível percorria meu corpo fazendo-o sentir um pouco mais aquecido.

Ouço passos atrás de mim, desesperada tento cubrir minha nudez, ao mesmo tempo que temo ser mais alguém para me fazer algum mal.

Um homem com uma máscara negra se ajoelha ao meu lado, seus olhos azuis são as únicas coisas que posso ver.
Num único golpe com um machado ele corta a corrente que me prendia me ajudando a ficar de pé.

Quase caio de volta a lama, já que meus pés não sustentavam nem um pouco o meu corpo, mas suas mãos impeçam que eu caia me prendendo firmemente contra seu corpo.
Fico paralisada, hipnotizada pelos olhos que me encaravam quando sinto uma capa ser colocada no meu corpo é que me dou conta que estava agarrada a um homem praticamente nua.

__Quem é você?

Pergunto e sou ignorada, levo um susto quando ele me carrega no colo indo de encontro a uma charrete , mais de dez cavalheiros armados com arcos e flechas nos aguardavam, gentilmente cada um deles abaixa suas cabeças em sinal de respeito, agora eu não sabia se era pelo fato de eu ser a princesa ou por eu ter apenas uma singela capa me cobrindo o corpo nu.

Assim que subo no charrete me encolho no banco próximo a janelinha.
Meu salvador senta de frente a mim, tento me controlar mais é impossível, e um choro alto sobe pela minha garganta, fico sem ação quando ele se põe do meu lado e me dá um forte abraço me permitindo então descansar a cabeça no seu ombro e finalmente descansar.

__Por favor, me diz quem é você..

Ouço seu suspiro pesado, ao mesmo tempo que sua mão vai de encontro a máscara.

Abro a boca, mas som nenhum sai.
Fecho os olhos e os abro novamente.
O meu salvador era nada mais nada menos que Igael Bell Montes, Rei do Diamante.

A Filha da Deusa.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora