Depois do fim dá Deusa Mestiça, vamos acompanhar a trajetória de Açucena.
A bela princesa que foi traída por aquele que deveria ser o primeiro a lhe proteger.
Tendo seu trono e sua Coroa usurpado.
Anos mais tarde, depois de recobrar sua memória, Aç...
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Essa sensação de angústia que esmaga meu peito, esse arrepio que me sobe por todo o meu corpo, sinais claros que algo de ruim está para acontecer.
Duas noites sem que eu consiga dormir direito, me sentindo em uma bolha flutuante que está para estourar a qualquer momento, pego a minha caneca e tomo de uma vez o chá de camomila torcendo intimamente para que o sono se achegue em mim e me possua como os beijos do príncipe Luigi.
Só em lembrar dele sinto meu corpo vibrar feito um sino descompensado, onde estou com a cabeça para se quer cogitar a ideia que ele realmente pensa em me desposar como sua esposa, futura rainha do reino mas potente.
Eu devo estar louca, louca e burra em ter acreditado nas palavras dele. Se meu pai soubesse disso, pelos Deuses que ele me obrigaria a me deitar com o príncipe e providenciar as pressas um herdeiro.
Sorrio ao imaginar a cena, a cena de um casamento impossível de acontecer. Deito na cama abraçando o travesseiro contra o meu corpo, inspiro o cheiro do tecido e fecho os olhos implorando mentalmente que o sono venha e com ele venha bons sonhos, pois sonhar não era proibido.
Rainha Tiffany.
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__Entre.
Respondo já ciente de quem batia a porta do gabinete aquela hora dá noite. Olho meticulosamente o conselheiro Ralf a minha frente, sorrio o mais inocente possível e assim que dou permissão ele se assenta a minha frente.
__Houve alguma emergência minha rainha, para que me chamasse a essa hora em seu gabinete?
Percebo um certo temor pelo tom de sua voz e principalmente como a forma descaradamente que me olhava. É eu confesso que ele soube ser um bom amante durante esses anos, mais é uma pena que tenha me traído da pior maneira, e se tem uma coisa que não tolero são traições.
__Quero que você beba comigo, vamos brindar aos nossos filhos, sua bela filha com o meu filho.
Tenho o cuidado da minha voz sair o mas tranquilamente possível, Ralf no fundo era uma velha raposa, sabia dar o bote na hora certa.
__Não entendi vossa majestade.
Sorrio mais uma vez e aponto-lhe o cálice cheio de vinho, pego a minha taça e bebo num só gole indicando com o olhar que ele faça o mesmo.
__Não é segredo para ninguém que meu filho caiu de amores por sua filha, é uma pena que arruinarei seus planos.
Vejo que ele assume uma postura defensiva, exatamente como eu previ que fizesse.
__A onde vossa majestade quer chegar com esse assunto? Confesso que seria uma grande honra ver minha filha se tornar a primeira concubina do rei de Cambalar.
Quando noto que ele já bebeu todo o vinho de seu cálice, me levanto e dou a volta pela mesa parando diante dele.
__Semana passada quando levei minhas damas para o meu aposento, para que os lordes se divertissem com cada uma delas, algo me chamou atenção em lady Merilyn. Uma pinta próximo ao seio esquerdo, em segredo ordenei que investigassem minuciosamente todo o passado dá sua falecida esposa e no que ocasionou a gravidez. Então imagina a minha surpresa ao descobrir que de fato sua falecida mulher nunca engravidou.
Observo ele cair no chão, se contorcendo em uma dor silenciosa. Há medo e pavor em seus olhos, ignoro quando ele tenta se agarrar em minhas saias num ato desesperado por ajuda ou alívio naquele veneno mortal que botei em sua bebida, ignorando tudo isso continuo a falar.
__Você sabia Ralf que a falecida princesa Açucena possuía o mesmo sinal no seio esquerdo? Que a sua esposa camponesa recebeu uma recém nascida na mesma semana que supostamente a filha de Açucena foi largada na roda dos enjeitados, e você ainda teve a petulância de trazer o bebê para que fosse criada com todos os méritos de uma alta sociedade e pra piorar nunca escondeu de ninguém o quanto torcia para que o meu filho se apaixonasse por ela! Você armou tudo isso não foi? Sempre soube a verdadeira identidade dessa bastarda!
Bufo de raiva ao perceber que o infeliz já estava morto, provavelmente eu exagerei a dose do veneno.
__Guardas!! Guardas!!!!!
Meu gabinete é invadido pelos meus soldados aponto o corpo sem vida de Ralf no carpete.
__Leve esse traste e jogue seu corpo em alguma cova. Não quero comentários sobre isso, se não seus familiares terão o mesmo destino desse traidor. Espalhem que conselheiro Ralf viajou nessa madrugada sem dar satisfação a ninguém.
Saio do gabinete sentindo o ódio ferver no meu sangue, me dirijo ao único aposento que sempre tenho pavor de chegar perto, o quarto de mamãe.
Entro sem ao menos bater a porta, vejo a velha decadente dormindo a sono profundo, o arcebispo veio ontem e concedeu a extrema unção era apenas questão de dias ou horas para que ela morresse de vez.
Porém como sou uma boa filha, vou adiantar a sua partida. Me sento na cama no mesmo momento que ela abre os olhos, sorrio com candura e deposito um beijo em sua testa percebo que a respiração dela que antes estava tão calma começa a ficar ofegante.
__Olha para você mamãe. Está horrível, feia com essa pele enrrugada. Você fede mamãe.
Minha voz sai doce e maternal, sinto uma felicidade estranha ao ver que os olhos dela se enchem de lágrimas, subo em cima do seu corpo mamãe geme em agonia tentando inutilmente me estapear com apenas uma mão mobilizo seus braços frágeis e vômito a informação na cara dela.
__Por causa da sua burrice! A filha de Açucena vive nesse castelo, e seu neto é apaixonado por ela! Você mamãe, você pessoalmente tinha que ter dado um fim naquele bebê, mais do jeito que é burra e preguiçosa confiou em alguém para fazer o seu serviço.
Pego o travesseiro mas próximo a mim e tampo-lhe sua cara a sufocando. Pra quem já estava a beira da morte até que ela teve forças para lutar comigo, sem alternativas sento em cima do travesseiro colocando assim todo o peso do meu corpo em seu rosto.
Em questão de minutos seu corpo não se move mais, arrumo tudo novamente no lugar para não levantar suspeitas, antes de sair mais uma vez beijo-lhe suas buchechas colocando em suas mãos geladas um terço feito de pérolas negras.
Quando finalmente me dirijo ao meu quarto em busca de um bom descanso sinto minha consciência ser invadida pelos atos desta noite. Meu filho seria Rei, e nada e nem ninguém poderia mudar isso.