Capítulo 40.

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__Até quando pretende ignora-lo? Já se passou semanas desde que você recobrou a memória e se recusa a se quer estar perto dele

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__Até quando pretende ignora-lo? Já se passou semanas desde que você recobrou a memória e se recusa a se quer estar perto dele. Igael lhe ama Açucena.

A encaro de frente para que ela veja o tamanho do ódio que meu olhar expressa.
Não consegui disfarçar por muito tempo que ainda não havia recuperado a memória pois assim que meus olhos caíram sobre ele uma fúria sem precedentes se apossou sobre mim, e por muito pouco não o degolei com a minha espada.

__Meu nome é Briana! Açucena para todos os efeitos permanece morta!

__Até quando isso?

Respiro fundo tentando controlar dentro de mim todas as emoções que meu verdadeiro nome ainda me trazia.

__Até quando eu quiser Eleonor. Até quando eu quiser.

Saio da tenda dando a conversa por encerrada, avisto um grupo de jovenzinhas rodeando Igael, fazendo com que meu estômago se embrulhe rapidamente monto no meu cavalo e saio em disparada sem me preucupar com a nuvem de poeira que deixei pra trás.

Mas não demorou muito, quando percebi que o defunto vinha galopando atrás de mim.
Aumentei mais ainda a velocidade para que deixasse claro que eu não estava afim de ser pertubada,  porém nada adiantou e na trilha seguinte já exausta e ciente que meu cavalo estava ficando cansado, desço próximo ao pomar da divisa dá região norte.

Me certifico que meu punhal esteja entre os meus seios, prontos para serem usados se assim fosse preciso.

Mais absolutamente nada me preparou para a atitude de Igael, e me vi sem ação quando este me pegou com toda sua força bruta e me beijou com sede de desejo, de prazer e de amor.
Suas mãos ainda apertavam com firmeza a minha cintura e seus olhos pareciam brasas sobre os meus.

__Dessa vez você não vai mais fugir, precisamos ter essa conversa! __Enquanto ele falava eu tentava me soltar dos seus braços, então não pensei duas vezes quando lhe acertei um tapa e logo em seguida uma joelhada em suas partes masculinas.

Sorrio com satisfação ao ver ele caindo no chão se contorcendo de dor, e me aproveitando desse fato chuto-lhe as costelas e tento voltar a montar no meu cavalo.

__Eu me apaixonei por você desde o istante que a vi naquele baile de coração. Eu lhe amei mais do que a minha própria vida, eu só peço uma chance de falar com você sem que fique tentando me matar e depois disso se ainda não quiser olhar na minha cara lhe dou minha palavra que partirei para o mais longe possível. Só por favor me ouça.

Travo diante do cavalo absorvendo aquelas palavras, continuo com as costas virada para Igael e dos meus lábios não sai uma única  palavra, porém ele entendeu que o meu silêncio e a minha presença era a chance que ele tanto clamou por  durante semanas.

__Eu acreditei de fato na sua morte. Quando acordei no barco que havia me resgatado, deixaram bem claro que você já havia sido setenciada a morte. Nunca me falaram dá sua gravidez, eu não sabia Açucena. Eu passei seis luas praticamente em coma, e demorei anos para recuperar meu porte físico novamente. E mesmo assim, nunca teve um só dia que seu rosto não me aparecesse em minha mente, ou o som do seu riso acalentando os meus sonhos.

Me apoio no cavalo pela primeira vez me sentindo exausta, cansada e farta de toda essa vida.
Odiei  ao perceber que eu sentia sinceridade nas palavras dele e custei pra admitir que eu ainda o amava, mas infelizmente nada seria como antes, nem mesmo esse amor.

Respiro fundo como se eu pudesse convencer a mim mesma que tudo ficaria bem e então monto no meu cavalo e só então olhei pro homem ainda estendido no chão que me olhava com profunda admiração.

__Só o tempo poderá dizer se conseguirei lhe perdoar. Mas peço que fique ao meu lado, ao lado do seu povo.

Meu corpo estremece quando o vejo sorrir, um sorriso que exalava esperança.
Saio em disparada deixando para trás o único homem que amei, e procuro afugentar da minha mente o efeito que Igael provocava em mim.

A ventania em meu rosto me trazia emoções indescritíveis, sempre fui apaixonada em andar a cavalo rio feito boba ao me lembrar das aulas que papai me dava, do meu primeiro tombo e o fato de Layon sempre rir de mim quando eu caia em poças de lamas.

E o riso veio acompanhado de um choro, um choro abafado onde eu sentia claramente um punhal dilacerar lentamente meu coração.
Chego ao acampamento e rapidamente seco as minhas lágrimas, eu não admitia que ninguém se apiedasse das minhas dores, aquela cicatriz só pertencia a mim, somente a mim.

Vejo Eleonor correr em minha direção e pelo seu semblante sei que algo muito grave aconteceu, amarro Lizel na cerquinha e corro também ao seu encontro.

__Oque houve Eleonor?

Pergunto quando vejo a palidez do seu rosto.

__Os rapazes encontraram no penhasco uma charrete destroçada. Só havia uma sobrevivente, uma menina que por sinal está muito ferida entre a vida e a morte.

__Oque isso tem de mais?

Sinto as mãos de Eleonor acariciar o meu rosto, percebi que ela queria me acalmar antes de me dar a notícia.

__Fontes segura nos confirmaram que se trata de Lady Merilyn, a filha do conselheiro Ralf.

Sinto meu sangue ferver de ódio, num impulso tento correr até a tenda onde a menina se encontrava, mais sou impedida por Eleonor a qual eu jamais mediria forças.

__Ouça Briana, Sultan descobriu que esse Ralf foi morto pela própria rainha, e a cabeça dessa menina está a prêmio. Ela é só uma inocente que não tem culpa alguma dos erros do pai, e se a rainha de Cambalar tentou matar essa jovem, ela nos vale muito mais viva não concorda? Ela era a dama de companhia preferida da rainha, tem um boato que o príncipe morre de amores por ela. Temos uma mina de ouro nas mãos!

Analiso cuidadosamente cada palavra e percebo que Eleonor tem razão, sigo para a tenda médica com ela ao meu lado, assim que adentro vejo a menina coberta de sangue deitada sob uma esteira aos cuidados das curandeiras.

Me aproximo bem devagar e me ajoelho no chão para olha-la bem de perto. "É uma jovem linda, nem parece ser filha de um bicho como aquele. A morte ainda foi pouco pra aquele patife"

__Cuide dessa menina, precisamos dela viva. É para o bem da causa.

Evito o olhar de Eleonor e me retiro, algo queimava em meu peito e eu não sabia o porquê.

A Filha da Deusa.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora