Capítulo 27.

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___Eleonor
porque meus seios jorram leite, eu por acaso tive algum filho?

Pergunto e noto sua face corar diante de mim.

__Sim você teve, mas morreu no parto.

Fecho meus olhos com toda a força, tentando me lembrar de alguma imagem de eu grávida, mas só enxergo a escuridão como se eu fosse feita dela.

__Tenho marido? Onde ele está? Eu tive um filho ou uma filha?

Eleonor me olha com seus olhos tristes, sempre tenho a sensação que me escondem algo, nunca ficamos acampados muito tempo no mesmo lugar, agora mesmo estamos a caminho de um vilarejo chamado Postuar, pelo menos dessa vez moraremos em uma fazenda, algo que não seja feito de barracas e tendas.

É o lugar onde senhora Virgínia cresceu, como eles falam entre si um bom lugar seguro para se viver.

Volto a encarar a mulher a minha frente esperando receber suas respostas.

__Seu marido morreu a algum tempo, sobre a criança você deu a luz a um menino. E por hoje chega de perguntas Briana, quando o destino decidir suas memórias voltarão. Agora descanse, a viagem é longa.

Volto a repousar no banco dá charrete, tentando compreender de fato oque eu ouvira.
Aos poucos com o balanço que a charrete dar, sinto meus olhos começarem a ficar pesados.
Durmo tendo novamente a escuridão como companhia.

Sou acordada com o solavanco que a charrete dar de repente, Senhora Eleonor esbravejava com um menino pelo oque eu entendi este quase se jogou na frente dos cavalos.

__Por favor senhora, me leve até o vilarejo mas próximo, sou órfão e descobri a pouco tempo que tenho um tio distante que mora no vilarejo Postuar.

Percebo que Eleonor ia se negar a ajudar aquela pobre criança, algo em mim se condoi e ajo em defesa daquele pequeno anjo.

__Eleonor, não custa ajudar, temos espaço aqui e ele é apenas um menino.

Vejo Ítalo se aproximar com seu cavalo, seus olhos caem sobre o menino e percebo que se compadece assim como eu.

Eleonor se dar por vencida e chama o garoto para se juntar com agente na charrete.
Este com um largo sorriso no rosto se senta próximo a mim.

__Como se chama menino?

Pergunto tentando descobrir mais sobre ele, pois de alguma forma eu sentia uma conexão com esse menino, talvez seja pelo fato de ele ficar órfão e eu perder um filho.

__Me chamo James! E a senhora?

__James bonito nome, eu me chamo Briana e esta que está conduzindo a charrete é minha irmã mas velha Eleonor, o rapazote do cavalo é meu irmão Ítalo. E essa que está aqui roncando tão alheia de tudo é a senhora Virgínia.

James me olha com uma estranha intensidade, Como se algo em mim o lembrasse alguém ou talvez seja minha mente me pregando peças, afinal ele era só uma criança.

__Tens olhos lindos Briana, são um azul profundo.

Sorrio diante de sua observação, e respondo.

__Você também tem lindos olhos azuis, me lembra o céu num dia ensolarado. Tem quantos anos?

Rio ao ver ele se empinar todo, e me responder como se tivesse cochilando.

__Tenho 10 anos.

Eleonor se mete na conversa, dava pra ver que ainda estava mal humorada, mas mesmo assim tentou passar uma falsa simpatia.

__Me diga James, você morava em qual reino? O de Cambalar?

Percebo o seu desconforto,mas mesmo assim ele responde prontamente.

__Sim eu vivia lá, mas desde a coroação da Rainha regente tudo por lá ficou insuportável de se viver, a pobreza multiplicou e as doenças também. Perdi meus pais para a febre negra, fugi de lá antes que me jogasse na casa dos enjeitados.

Ao ouvir isso Eleonor fica calada durante a viagem inteira.
Muitas horas depois, chegamos nos portões do vilarejo, assim que os guardas locais liberam a nossa passagem, Eleonor para a charrete para que o James descesse.

__Tem certeza que ficarás bem?

Pergunto com meu coração em frangalhos, ele apenas sorrir e responde.

__Eu ficarei bem, não se preocupem comigo. Esse vilarejo é pequeno, então provavelmente nos esbarraremos por aí.

Dou-lhe um beijo em sua testa, e com tristeza me despeço.

Quando a charrete volta dar a partida, um James parado no caminho continua com seus olhos azuis cravados em mim.
De alguma forma estranha eu sentia que o veria novamente.
Seus olhos azuis não me saiam dos meus pensamentos.

 Seus olhos azuis não me saiam dos meus pensamentos

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