CAPÍTULO VINTE E DOIS

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Tudo está silencioso, mas sei que ele está em casa. Sua camisa está jogada no sofá da sala, e as suas chaves e sua carteira, estão na mesinha de centro. Uma onda de pavor tenta me dominar, mas inspiro fundo e tento me acalmar.

Vou até a cozinha e tudo está exatamente como deixei. Tremendo muito, crio coragem para ir até o quarto, quando ele surge inesperadamente à minha frente.

Sinto vontade de me encolher de medo. Mas fecho as mãos em punho e busco forças onde talvez nem tenha mais. Preciso enfrentar esse medo, ou serei consumida por ele.

Seus olhos estão chocado, enquanto me observa atentamente.

—Marina... — balbucia — Meu Deus, o que foi que eu fiz?

Ele então leva as duas mãos à cabeça e para meu mais absoluto assombro, cai de joelhos na minha frente. Chorando. O Pedro está chorando de joelhos à minha frente, e nada, absolutamente nada me preparou para isso.

Estou tão chocada, que fico paralisada achando que isso é uma ilusão de ótica.

Alguns minutos se passam e eu continuo imóvel. Tenho medo de me mover e ele me tocar. Não quero que ele me toque. Nunca mais.

Então ele finalmente ergue os olhos e seu olhar atormentado encontra o meu.

— Me perdoa Marina... Me perdoa... — pede

Permaneço em silêncio. Não consigo emitir nenhum único som. Estou com medo, mas agora, neste momento, o medo vai dando lugar a uma outra sensação...

Desilusão.

Uma profunda sensação de desilusão.

Por mim, por ele e por tudo que não faremos mais.

— Você me perdoa? Por favor, diz que me perdoa... eu... eu não sei o que deu em mim... — ele fica balbuciando as mesmas coisas de sempre.

Por um momento, meus olhos viajam para longe dele. Para a minha casa. Minhas coisas e por tudo que poderíamos ter vivido. Por um momento, sinto um gosto amargo travar minha garganta e uma profunda tristeza me assola... Como pude permitir que chegássemos a este ponto? Como deixei que o amor profundo e intenso que um dia senti por ele, me anulasse de forma tão contundente? Porque não dei um basta na primeira vez que ele simplesmente me empurrou? Porque o desculpei tantas e tantas vezes por tantas agressões físicas e psicológicas?

— Marina — ele diz ficando de pé e dando um passo em minha direção. Imediatamente recuo um passo. Ele percebe e passa novamente as mãos na cabeça e tenta mais uma vez — Eu juro que nunca mais isso acontecerá Marina... pelo amor de Deus, me perdoa... Eu não sei o que deu em mim... Eu perdi o controle... Eu...

Então o interrompo. E para minha surpresa, minha voz soa firme e determinada.

— Quero que você saia dessa casa imediatamente.

Ele me olha como se eu tivesse falando grego.

— O quê?

Não recuo. Inspiro fundo e falo com mais firmeza:

— Quero que você saia desta casa imediatamente. Nosso casamento acabou.

Ele se aproxima rapidamente e segura meus ombros machucados. Me encolho de dor, mas não de medo.

— Me solta — exijo.

Ele olha para suas mãos e olha para mim. Recua um passo, tira as mãos dos meus ombros e diz:

— Nosso casamento não acabou.

— Acabou.

Vejo seus olhos turvarem-se. Raiva e Medo duelam ferozmente dentro dele.

O Silêncio da AlmaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora