Capítulo 1

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Dez minutos. Apenas tempo suficiente para um chá e algo doce. Então lá vou eu.

Louis Tomlinson caminha até a pequena loja que ele conhece tão bem, encantadora como sempre mas vagamente ameaçadora agora. Petrichor, se lê a placa com uma caligrafia cursiva pintada de uma profunda cor verde-azulado. Uma pontada de tristeza atravessa seu coração enquanto ele olha confuso para a placa. Louis não tem ideia que a loja tinha mudado de dono. Isso deve ter sido o que aconteceu, no entanto. Madeleine não mudaria o nome, ele sabia, pois era nomeado em homenagem ao seu falecido marido. O amor da vida dela.

Falando nisso.

Ele provavelmente nem está aqui. Madeleine claramente não está. Ele provavelmente deve ter saído quando ela saiu. Ou quando os novos donos entraram e mudaram tudo. Ele não trabalha mais aqui.

Fechando os olhos uma última vez e respirando fundo, Louis abre a porta e atravessa a soleira, o sino tilintando acima e o cheiro de baunilha e do passado em torno dele. Ele não sabe o que é mais doce.

Louis não está realmente surpreso com o quão fortemente o cheiro da loja está o afetando. É exatamente o mesmo. O que é surpreendente é que tudo na loja parece exatamente como há cinco anos. Ele foi embora em uma noite, um garoto de dezoito anos, depois de colocar aquelas velhas cadeiras de madeira em cima das mesas limpas, e a única diferença agora é que alguém as colocou de volta no chão esta manhã. Louis percebe de repente que ao ver a nova placa, ele esperava mais mudanças. Mas tudo é exatamente como ele deixou naquela noite.

Bem, falta uma coisa, seu cérebro responde graciosamente. Alguém.

Se recompondo o máximo que consegue, ele dá alguns passos hesitantes em direção ao balcão. Aquele maldito balcão que não deveria dificultar sua respiração. É um balcão de aparência tão estúpida, com o glitter derramado de tantos anos atrás. E adesivos. Há tantos adesivos estúpidos naquele maldito balcão. Há duas pessoas esperando na fila antes dele, e ele não pode impedir que as memórias aconteçam enquanto ele espera impacientemente.

"Lou! Ah não! Louis, pare!"

"Renda-se e eu vou deixar você sair daqui vivo!"

Ambos estão rindo e sem fôlego, correndo pela loja depois de terem trancado a noite. Louis está olhando para ele e o menino está olhando de volta, com uma excitação frenética em seus olhos. Louis dá um passo em direção a ele, balançando ameaçadoramente a espada de baguete queimada, e ele grita. Ele realmente grita e Louis ataca.

"A vitória é minha!", ele anuncia dramaticamente quando ele solta sua arma e agarra o garoto em um abraço, o girando uma vez e o segurando apenas o suficiente para que seus pés fiquem fora do chão. O garoto está rindo alto, e Louis se inclina para trás o suficiente para ver os olhos dele fechados e seu cabelo encaracolado saltando com o movimento. Ele é bonito.

Quando Louis começa a gritar que a fuga é impossível, o garoto ri ainda mais. Louis perde o equilíbrio de segurar o peso de outra pessoa, que não está ajudando nada a situação com seus membros agitados e gargalhadas estridentes, e solta seu aperto. O menino tira vantagem dessa fraqueza momentânea e se afasta de seu abraço para correr até o armário atrás do balcão. Louis está perplexo até que ele percebe o que o menino roubou em seu movimento louco.

"Não se atreva", ele fracamente ameaça através de sua respiração difícil. Sorrisos selvagens são colocados em ambos os rostos.

"Me deixe ir, e eu vou poupar você da tarefa de lavar o glitter de seu cabelo por três horas." Os olhos do garoto estão brilhando mais do que o glitter nunca poderia brilhar, e Louis não consegue recuperar o fôlego mesmo com a distância.

Eles olham um para o outro de cada lado do balcão por minutos que parecem anos. Os olhos do garoto ficam um pouco mais suaves e Louis quer passar o polegar por suas pálpebras. Ele quer contar seus cílios e cheirar o espaço atrás da orelha. Ele quer beijá-lo.

Ele dá um passo hesitante para a frente, e é claro que o garoto não tem como saber que Louis perdeu todo o traço de sanidade, então ele é imediatamente recebido com uma nuvem espessa de arco-íris de glitter.

"Oh meu Deus! Eu não acredito que você fez isso!" O riso está de volta com força total, e Louis jura que é o seu som favorito. "Você vai limpar tudo sozinho, seu merdinha irresponsável." Ele corre em direção ao balcão, pulando na superfície de um jeito desajeitado, e joga o garoto no chão.

"Louis! Não! Me deixe ir!"

"Nunca!"

O menino parece aceitar seu destino depois de vários minutos de falsas lutas e risadas muito reais. Eles se encontram pressionados nos corpos um do outro, cobertos de suor e da sujeira de um dia passado em uma cozinha de padaria. E glitter. Muito glitter. Ambos parecem perceber as consequências de sua batalha épica ao mesmo tempo, olhando para o chão anteriormente limpo.

"Madeleine vai nos despedir. Ou talvez nos matar."

Louis acena com a cabeça. "Provavelmente os dois." Ambos explodem em outro ataque de riso.

Quando eles finalmente se levantam e examinam adequadamente os danos, eles simplesmente olham um para o outro e suspiram. Louis pega duas vassouras e oferece uma para o menino arco-íris ao lado dele. Eles começam a trabalhar e conseguem varrer a maior parte da bagunça pelas próximas horas. Eles despejam o glitter nas latas de lixo da cozinha, puxam seus casacos, cachecóis e chapéus de seus ganchos, vão até a porta da frente para sair quando o menino volta a gargalhar incontrolavelmente.

"O que é tão engraçado?"

O garoto aponta para o balcão.

Louis nem sequer olha para o balcão, ele vai entender mais tarde, que agora o mesmo está permanentemente coberto de glitter multicolorido. Em vez disso, ele olha para o belo sorriso do menino pela centésima vez hoje e pela bilionésima vez em sua vida. Esse sentimento está de volta. E desta vez, ele vai fazer algo sobre isso.

"Hazzah"

"Sim, Lou?" O menino questiona com lágrimas de alegria em seus olhos.

"Posso beijar você?"

De alguma forma, o sorriso do garoto se torna ainda mais brilhante. "Sim, por favor."

Louis é abruptamente retirado de seus pensamentos pela garota atrás do balcão, o cumprimentando e pedindo o seu pedido. Ele entra em pânico por alguns segundos, percebendo que não havia escolhido algo para acompanhar o chá.

"Chá, por favor. Você tem algum beignets*?"

A menina acena e se move para preparar seu pedido. Quando ela se vira para ele, ele a paga e quase se queima tentando sair o mais rápido possível. Ele pode ficar sem leite em seu chá hoje. Ele só precisa sair. Se aquele menino lindo está aqui ou não.

Ele respira um suspiro de alívio prematuro quando sua mão toca a maçaneta da porta, mas ele não pode evitar o frio que percorre sua espinha e certamente congela a xícara de chá quente em sua mão quando ele ouve.

"Louis?"

Harry

A voz de Harry. É diferente. Está mais grossa. E soa meio dolorida, honestamente. Mas é de Harry. E ele sabe que é de Harry sem sequer se virar. Ele não precisa.

Então ele não se vira.

Ele sai da loja, chegando a cerca de seis metros de distância antes que as lágrimas se tornem ofuscantes.



-x-

* Beignets é um bolinho recheado com açúcar de confeiteiro em cima, quase um bolinho de chuva

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Petrichor [l.s] • portuguese versionOnde histórias criam vida. Descubra agora