Todas as pessoas que passam por nossas vidas deixam um pouco de si e levam um pouco de nós.
Essa é a estória de uma turma de amigos, vivendo os melhores e mais confusos anos de sua adolescência. Descobrindo o primeiro amor, o valor da verdadeira am...
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Zayn estava sentado no costumeiro banco, embaixo da arvore mais antiga daquela escola. Concentrado no bloco a sua frente, enquanto desenhava. Sempre se perdia em seu mundo de traços e cores.
Alexia o observava de longe, sem que o moreno sequer a percebesse. Zayn estava diferente.
Não era mais o garoto que a tratava como se não fosse nada, que colocava apelidos escrotos nela, que a chamava de “Pennis” apenas por achar divertido fazer piada de seu sobrenome.
Mas agora ele sempre parecia perdido quando ela estava por perto. Havia sempre aquele brilho de desejo e algo mais em seus olhos âmbar.
Já haviam se beijado muitas vezes, mas ele ainda parecia incerto ao se aproximar dela, era como se temesse ser rejeitado.
E talvez ela devesse mesmo rejeitá-lo. Zayn a machucou mais do que qualquer outra pessoa no mundo.
Machucou psicologicamente, incentivando o bullying contra ela.
Machucou fisicamente, cada vez que foi encurralada no banheiro, pelas garotas, que se achavam bonitas e perfeitas demais, para dividir o mesmo banheiro que a gorda, nerd e esquisita.
Zayn não estava lá, mas as constantes piadinhas que fazia, incentivava que outros fizessem o mesmo.
E quando não era machucada por essas pessoas, ela mesma se cortava , se arranhava, se maltratava porque queria apenas morrer e nunca mais ter que voltar aquela escola.
Talvez tivesse mesmo se matado em algum momento, se Liam e Luke não a vigiassem tão de perto.
Como dois anjos a impedindo de chegar ao fundo do poço. Sempre que estava prestes a desistir e jogar-se no precipício, um dos dois a segurava pela mão e a trazia de volta a luz. E todo o sofrimento recomeçava.
Alexia passou um ano todo de sua vida, se preparando para ser alguém diferente. Se preparando para se vingar de Zayn.
Mas, agora, enquanto o observava sentado ali, com as pernas cruzadas como se fosse um índio e tão concentrado no que fazia. Nem lembrava mais porque devia manter distância daquele garoto.
Caminhou devagar e observou o desenho quase pronto. Não podia negar que Zayn tinha talento pra isso e os traços eram tão perfeitos que chegava a assustar.
Era seu rosto. Sempre era seu rosto que ele desenhava. Chegou a se perguntar quantas versões de si havia naquele bloco que ele carregava para todos os lados.
Deslizou os dedos pelos cabelos negros dele e o viu dar um salto, deixando o bloco cai aberto no chão. Foi engraçada a maneira como ele atrapalhou-se tentando recolher as coisas e esconder o que estava desenhando.
__ Garota! Está tentando me matar? – apertava o bloco contra o peito, como se temesse que Alexia tirasse dele.
__ O que tanto desenha aí? – ela sorriu divertida – por que está escondendo? Sua arte tem que ser mostrada Zayn.