Narrado por May
Já tinha completado quatro horas de atraso, e o aeroporto estava cheio, com as pessoas nervosas e reclamando com os funcionários. Ansiosa, eu me preocupava com Wiliam, medindo todas suas reações, que surpreendentemente estavam serenas, como se não estivéssemos num tumultuo. Nem parecia o mesmo homem que disse que queria ir embora no dia primeiro, para não pegar aglomeração de pessoas voltando de feriados. Bom, se ele não estava estressado, eu iria relaxar. Tinha que parar de me preocupar com as suas reações.
Ele me abraçava forte em todo o tempo, alisando o meu rosto, como se estivesse em uma bolha, longe do barulho.
—May, você pediu esses livros para o seu pai? — Questionou cauteloso.
—Wiliam, relaxe. Esses livros meu pai ganha. Esses autores quando publicam, mandam de presente para ele. Assim, ele escreve algum artigo e acaba tendo marketing para o livro do autor.
Ele sorriu. —Foi bom porque já li todos os livros que tenho, inclusive o que você me deu de Natal. E não suporto ficar sem fazer nada no avião. Não gosto de perda de tempo. — Disse e voltou a beijar meu rosto.
—Você aceitou numa boa o romance do meu pai com a sua mãe? — Perguntei preocupada por ele não ter falado nisso o dia todo.
—Ah, May, se minha mãe gosta dele o quê que eu posso fazer? — Resmungou, não completamente satisfeito.
—Eu queria que se esforçasse mais com o meu pai. — Pedi. —Você não está tentando. Ele está cedendo muito e você não está fazendo o mínimo esforço para se aproximar dele, para conversar com ele. Além disso, ele também gosta de sua mãe.
—Eu não tenho nada contra o seu pai, só não tenho assunto. E duvido muito que ele realmente goste dela, ou pelo menos que goste dela como ela dele. Mas acho melhor não conversarmos sobre isso.
—Por que não? Por que você acha que meu pai não gosta dela? Pra mim ele só não sabe se expressar. — Insisti no assunto.
—Tudo bem, May... Eu não vou discutir sobre isso. Só o tempo dirá se ele gosta ou não. Pra mim, o importante é que minha mãe fique bem. — Wiliam disse inteiramente relaxado, sinal que já tinha certa aceitação.
Ele me abraçou, e eu sentia tanto por ele ter que ir. Além disso, estava preocupada... Ele ia chegar à capital de madrugada.
—Não vai ter coletivo quando você chegar lá. — Externei a preocupação.
Ele sorriu e me afastou para olhar-me nos olhos, com diversão.
—May, eu posso pagar um táxi. Não gosto de gastar o dinheiro da minha mãe com futilidade, mas também não é assim. Sempre que eu chego de viagem eu vou de táxi para o campus. Você acha que tem como andar de coletivo com essas malas?
Riu descontraído.
—Tudo bem... É que eu fiquei preocupada. — Expliquei sem jeito.
—Pode deixar, um dia você não vai se preocupar assim comigo. Estou até pensando se compro meu próprio avião. — Brincou bem humorado, e o anúncio do vôo apareceu no painel. Era vinte e duas horas, e ele se ia. Então fechou os braços sobre o meu pescoço, escondendo o meu rosto, e beijou-me docemente por longos minutos. Senti-me cortar, uma dor lenta que me embargava e trazia umidade aos meus olhos. Era uma despedida, mas não uma despedida para sempre.
Ele afastou-me do seu corpo e olhou intensamente em meus olhos, hesitante. —Por favor, espere-me... — Suplicou num sussurro.
—Eu te espero há anos, então, você, volte, porque eu vou continuar te esperando sempre. — Disse com firmeza.
Ele abraçou-me novamente forte e beijou-me... Depois se foi e eu respirei fundo para não deixar as lágrimas caírem.
Passei os dias seguintes ansiosa, olhando para o notebook em todo tempo. Saía minimamente do quarto na esperança dele me chamar para conversa de vídeo a qualquer momento para conversar. Finalmente aconteceu quatro dias depois que ele se foi.
—Oi... — Disse carinhosamente ao ser chamada por ele.
—Oi! — Respondeu bem animado.
—Como foi de viagem? Como foi a aula? — Perguntei eufórica.
—A viagem foi boa, meu avião não caiu. Graças, né? Senão, você já seria viúva. — Brincou, e eu sorri. Ele devia estar de bom humor. —E as aulas são sempre entediantes. Enquanto não chegar às aulas de conversação, vou ficar entediado, porque eu preciso mesmo é de praticar.
—O que você está fazendo nas horas vagas?
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Amor VS Poder
RomansaMay é uma das herdeiras de uma influente organização de notícias e publicidade do país. Musicista alto astral, apaixonada pelo pai e unida aos irmãos, vive num mundo em que luxo e riqueza são parte de quem ela é. Ao conhecer o filho humilde de uma...
