Capítulo 15 (Angel)

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Assim que mamãe saiu de casa com tio Rob, que fez questão de vir ver como eu estava, e que quase me fez não conseguir esconder meu nervosismo e apreensão de saber que talvez ele, o cara que me cuidou, me mimou e sempre esteve presente minha vida toda pudesse ser um maníaco torturador assassino. Mas por sorte, eu estar doente foi uma coisa ruim, num momento bom, pois consegui passar a ideia de que minha gripe estava me causando tremor de frio, e não o fato dele estar ali.

Coloquei meu plano em prática assim que eles saíram. Eu só torcia pra que não fosse verdade. Tio Rob se preocupa comigo. Me ama. Ele nunca me faria mal. Mas o que me preocupava mais, era nunca saber em quem podemos confiar. Acreditar numa pessoa é algo simples, mas confiar é uma coisa totalmente diferente. Confiança só é adquirida quando nosso cérebro e coração trabalham em sintonia.

— Angel, você só pode estar maluca. Acho que eu vou te levar para um hospital. — Mia bufou, enquanto dirigia a sua gema de ovo.

— Eu estou bem. — Falei encarando-a e mantendo minha expressão firme e tranquila. — Agora vire a direita na primeira quadra.

A noite estava tão fria que quase não havia carros e pessoas na estrada. Não tinha sido nada fácil convencer Mia de vir comigo, mas depois de negociarmos um mês de sorvete que eu teria que pagar para ela, ela concordou. Mesmo nem sabendo onde estávamos indo. Por isso ela é minha melhor amiga, assim como eu, ela é astuta e curiosa, são as únicas coisas em que somos parecidas. Somos uma dupla imbatível, tipo Batman e Robin.

— Você quer encontrar aquele tal de Jason. Não é? — Ela olhou para mim, seus olhos semicerrados como se quisesse ler a minha mente.

— Não. Não é isso! — Chacoalhei a cabeça negando.

"Droga".

Esqueci completamente que Jason voltaria pra me ver de noite, mas agora já é tarde demais. Estamos chegando ao nosso destino final.

"Nossa... Isso não soou muito bem na minha cabeça. Nada de destino final. Nada de destino final. Vai dar tudo certo".

— Pare naquele prédio cinza com fachada de espelhos! — Apontei para frente.

— Angel! — Ela bufou, rindo. — Por que não me disse que estávamos vindo à antiga empresa do seu pai? — Ela me encarou, estupefata.

— Achei que você daria pra trás.

— Mas, a empresa é sua! — Ela disse, tentando me explicar o óbvio.

— Meu plano não é entrar do jeito tradicional! — Dei de ombros.

— Qual é então? Entrar como se fôssemos espiãs? — Ela riu ironicamente.

Eu assenti tranquilamente.

— O QUÊ? — Ela gritou, e uma freada brusca nos jogou para frente. — Deixa-me ver essa tua febre. Você só pode estar louca! — Ele tirou sua mão direita do volante e colocou na minha testa. Eu peguei a sua mão e empurrei-a para longe, rolando os olhos.

— Para com isso! Vamos antes que seja tarde. Entre na rua detrás, ali pelo beco. — Apontei para frente.

— O que eu fiz para ter uma amiga pirada como você? — Ela disse olhando para o céu, e acelerou o carro.

— Provavelmente ganhou na loteria. –— Dei de ombros e pisquei para ela.

— Angel, Angel!

Ela fez o que eu disse e estacionou o carro no beco escuro.

— Coloque o capuz. — instrui. — Vamos!

Nós duas puxamos os capuzes das blusas na cabeça para escondermos os rostos. Estava literalmente me sentindo uma ninja superpoderosa por fora, mas tremendo de medo por dentro.

A Protegida (Segundo livro da trilogia Salva-me)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora