"Por quê? Por que ela não diz que me ama?"
Seria simplesmente magnífico se ouvisse isso dela. Eu sei que ela tem atração por mim, posso sentir seus olhos cobiçando meu corpo, e o modo como suas bochechas coram quando ela está perto de mim, mas isto não basta. Eu nunca fui amado, preciso ouvir isso dela.
"Será que sou merecedor do amor?"
O que acabamos de fazer foi transcendental. Mesmo não a tocando, eu senti que ela era minha, que assim como eu, ela estava totalmente envolvida pelo momento. Ela não imagina o quão linda e sexy é. Desde a curva do pescoço a estrutura da sua canela. Ao modo como o cabelo é ondulado naturalmente ou até mesmo como ela sorri quando eu falo algo que a deixe encabulada. Parece que cada pedaço dela foi feito para me deixar maluco. Não podia perder o controle com ela, não mais uma vez. Sei que a deixei amedrontada. Até eu fiquei assustado comigo mesmo. Já havia saído com outras mulheres e nunca nada disso aconteceu. Mas foi como se o animal em mim ganhasse vida e me controlasse, fazendo-me agir como um homem das cavernas possessivo. Fiquei fora de controle.
"Cada dia eu sinto que não posso viver longe dela".
E agora com essa descoberta, que ainda não consegui decidir se é verdadeira ou não, tudo tornasse mais complicado. Precisava falar com Pepe sobre isso, ver se ele se lembrava de alguma coisa. O nome Allen Carter não me é estranho. Eu tinha quase certeza que Robert Petrova era o Sombra da Noite, mas não posso mais me enganar. Tirar conclusões precipitadas sempre me meteram em encrenca. Por enquanto, iria me preocupar somente com Angel e tentá-la fazer admitir que me amava. Pois eu sei que no fundo, ela deve sentir mais do que atração por mim. Pelo menos é isso que eu espero. É isso que eu quero.
Fui até sua cômoda e abri a primeira gaveta. Encontrei suas lingeries perfeitamente organizadas. Peguei uma vermelha de rendinha, e a encarei interessado em descobrir como as mulheres conseguiam usar uma coisa tão pequenininha assim. Percebi também, o quanto gostaria de ver Angel, usando isso para mim. Na verdade, o que eu faria era dar mais lingeries assim para ela. Pequenininhas.
— Acho que essa não serve para você.
A voz de Angel me chamou atenção. Virei-me e Angel estava enrolada numa toalha branca com seus cabelos molhados espalhados pelo ombro nu. Sua pele arrepiada e seus lábios grossos. O modo como ela me olhava, me excitava. Tinha que sair dali.
— Vou deixá-la se vestir. — Gaguejei. — Vou lá para baixo, pegar minhas roupas na secadora.
— Ok.
Dei um passo à frente e entreguei-lhe a calcinha minúscula.
— Vista essa daqui. — Suas bochechas ficaram vermelhas instantaneamente. Eu amava esse jeito nela, de ser tão ousada, mas ao mesmo tempo tão tímida.
Saí do quarto antes que perdesse meu autocontrole novamente. Desci as escadas e fui até a lavanderia, tirei minhas roupas já secas da secadora e me vesti. Andei até a sala.
A sala da casa da Angel era bem clássica e requintada como a mãe dela. Tudo organizado e colocado no seu devido lugar. Em cima de um aparador, vários porta-retratos delas estavam dispostos. Peguei um que me chamou a atenção. Uma foto antiga de Angel quando ela deveria ter uns quatro anos de idade. Sua mãe, seu pai e Robert estavam com ela na foto. Os dois homens usavam jalecos idênticos, já a mãe da Angel estava com a filha ao seu lado a abraçando e sorrindo, a placa da empresa Petrova aparecia no fundo. Deveria ter sido a inauguração.
A alguns dias atrás, fui à antiga empresa do pai dela para ver se me lembrava de algo. Mas voltar lá, me deixava em pânico. Mesmo assim eu fui, porque precisava achar uma maneira de manter Angel a salvo. Eu faria qualquer coisa por ela. Até mesmo voltar naquele lugar amaldiçoado. Angel não deve nem ter ideia de que no subsolo daquela empresa, tem uma espécie de prisão. A empresa de fachada que o pai dela mantinha, era só um disfarce para todo mal que eles causavam e as experiências que faziam no subsolo. Fiquei com medo o dia que a segui até lá, ela poderia ter descoberto como tudo era horrível e ter ficado abalada, mas acho que não encontrou nada. Mas também percebi que ela me esconde algo. Algo ruim.
Para mim, a coisa mais lógica é que Robert Petrova seja o Sombra da Noite. Só ele conhecia a empresa tão bem quanto o pai da Angel. Mas como ter certeza?
— O que você está fazendo? — Me virei para encontrar Angel usando calça legging e um casaco comprido, seus cabelos já secos. Tinha ouvido o barulho do secador alguns minutos atrás. Meus olhos se detiveram por um instante nos seus pés. Ela usava meias de listras rosa e azul.
— Adorei as meias. — Falei sorrindo.
— Meu pai que me deu. — Ela disse encarando seus pés e mexendo os dedos. Ela se aproximou de mim, vendo o porta-retratos que eu segurava. Então o pegou da minha mão, sorrindo encantadoramente.
— Por que estava vendo isso? — Perguntou-me.
— Não sei. Só tive um sentimento estranho quando vi essa foto.
— Tio Rob não é o Sombra da Noite. — Ela disse afirmando mais para ela mesma do que para mim, pelo que percebi na sua expressão. — Eu vi um casaco com o símbolo do Sombra da Noite, no banco traseiro do carro do detetive Carter, e ele saiu com a minha mãe, foram jantar outro dia. E ainda por cima ele veio me fazendo perguntas estranhas. Ele é o Sombra da Noite. Tenho certeza.
— Mas talvez ele tivesse encontrado o casaco, e sua mãe é uma mulher bonita e poderia ter saído com ela sem problemas e as perguntas podem ter sido feitas porque ele é um detetive, Angel. Não posso cometer erros novamente. — Ela me encarou preocupada.
— Não sei o que pensar. Qual dos dois é?
Seu rosto cheio de angústia me deixou nervoso. Não queria vê-la assim. Precisava dar um jeito em tudo. Logo.
— Não faço ideia, mas vamos descobrir. Eu darei um jeito.
Ela colocou o porta-retratos no lugar e suspirou.
A porta da frente bateu e nós demos um pulo com o susto que levamos. Eu estava tão focado em achar uma maneira de descobrir quem é o Sombra da Noite que não percebi que alguém já se aproximava.
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A Protegida (Segundo livro da trilogia Salva-me)
RomansaAngel está desolada. Jason desapareceu de sua vida a deixando apenas com lembranças, e a incerteza de que tudo o que viveram talvez tenha sido apenas um sonho. Angel decide tentar voltar a viver mesmo que as memórias ainda a machuquem. No entanto qu...
