— Minha vida é uma merda! — Gritei exasperado, dando um soco na parede da sala.
— Calma, hermano! — Pepe me encarou aflito.
— Que calma, o que Pepe! — Eu estava muito bravo, minha frustração ia além do limite. Minha vida era um inferno, e eu nem deveria reclamar, pois merecia isso. Mas era frustrante demais.
— Ela querendo ou não, mexe com você, e você querendo ou não, gosta disso! — Ele disse chacoalhando a cabeça, tirando uma da minha cara.
— Eu gosto disso? — Perguntei exaltado. Em passos largos fui para o meio da sala, Pepe me seguiu. — Eu odeio isso! — passei as mãos nos cabelos. — É horrível vê-la com outro e não poder fazer nada. Nada, você entende?
Sentei-me no sofá.
— Mas o pior de tudo foi ouvi-la gritar meu nome, ela ainda espera por mim! — Suspirei profundamente.
— Logo todo estará bien!
— Já disse que não gosto que você fale espanhol, já é ruim ter que comer seus nachos!
— Eu só disse que logo tudo ficará bem! — Pepe deu um tapa no meu ombro, daquele tipo "Mano eu tô aqui" e sentou-se na poltrona verde na minha frente.
— É o que eu espero, Pepe. Porque, sinceramente, eu estou ficando louco! — Falei com os cotovelos apoiados nos joelhos.
— Mas louco você sempre foi. — Pepe falou e eu inspirei profundamente para não acabar dando um soco nele. Às vezes esse mexicano, me fazia me arrepender de tê-lo tirado daquele inferno. Pepe é um maldito pé no saco quando quer ser.
Depois que deixei Angel no hospital há três meses, minha vida virou noite o tempo inteiro. Eu mesmo acho que me tornei mais obscuro. Pepe vinha reclamando que eu estava mais rabugento que o normal, e eu simplesmente mandava-o se foder.
Pepe e um cara legal e me ofereceu seu apartamento para me esconder, apesar de pequeno pelo menos tenho um quarto, se é que era possível chamar aquilo de quarto. O cubículo dois por dois parecia mais uma caverna, mas eu não podia reclamar, Pepe estava fazendo muito por mim.
Após o ocorrido fiquei sem casa, perdi Madalena e Jofrey e a maioria dos meus bens materiais. As únicas coisas que se mantiveram intactas foram a vontade de ver Angel, meu amor por ela e minha sede de vingança.
Pepe e eu estamos trabalhando dia e noite, investigando e seguindo pistas para poder encontrar o Sombra da Noite. E depois de eu ter me enganado com o pai da Angel, que no fundo era apenas mais uma vítima assim como eu e Pepe, não podemos cometer o mesmo erro. Não posso ser o culpado por outro inocente morrer.
— Mas você deve deixar a chica em paz! — Pepe diz, tirando-me de meus devaneios.
— Eu não posso. Eu prometi a ela que sempre estaria por perto para protegê-la! — Falei jogando a cabeça contra o sofá, olhando para o teto.
— Acho que ela já não acredita mais nisso, depois que você não apareceu naquele dia. — Ele disse num tom áspero.
— É claro que ela não acredita, mas eu estava lá, ela só não me viu. Você sabe disso! — O encarei furioso.
Vinte dias após o ocorrido Angel se jogou em frente a um caminhão. Eu não estou bravo por ela ter feito isso. Eu fico mais bravo comigo mesmo, porque foi por minha causa que ela fez uma idiotice dessas. Mas eu estava lá do outro lado da rua, vi o exato momento em que o idiota que a salvou a puxou pelo braço. Eu vi o seu rosto se erguendo para ver seu salvador, com toda a esperança e beleza que um rosto poderia ter e vi quando ele se desfez em decepção, quando ela viu que não era eu. Aquele olhar vem me assombrando desde então. Ela nunca mais irá me perdoar. Ela esperava por mim. "Hoje, ela esperava por mim". Mas eu estava lá, eu ia salvá-la, minha agilidade me faria ter salvado ela em milésimos de segundos. Ela não teria nem mesmo sentido o vento do caminhão próximo a ela, pois eu não deixaria, não deixaria nem mesmo que ela sentisse o cheiro do diesel, mas não foi o que aconteceu, e agora aquele idiota está cuidando dela, está enxugando suas lágrimas e dando flores pra ela.
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A Protegida (Segundo livro da trilogia Salva-me)
RomanceAngel está desolada. Jason desapareceu de sua vida a deixando apenas com lembranças, e a incerteza de que tudo o que viveram talvez tenha sido apenas um sonho. Angel decide tentar voltar a viver mesmo que as memórias ainda a machuquem. No entanto qu...
