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"Onde vai ser?" Alina perguntou.

Com os olhos voltados para a pista, à sua frente, Tam respondeu, "Chefe confirmou que continuará sendo no mesmo local."

Ela riu. "Deveria ter mudado."

"Relaxa, ele tem amizade com alguns dos policiais que farão a ronda de hoje no quarteirão." Todo mundo era amigo de Chef.  Incrível como o cara era capaz de corromper o mais exemplar dos policiais. Um minuto de silêncio e Tam continuou, "O que você disse pra sua mãe?"

"Só disse que ia sair depois de ter visto sua mensagem. Ela acha que a gente namora."

Tam riu com vontade. "Até parece que eu ia sair com uma frígida como você. Meus gostos podem ser variados, mas com certeza, você não entraria na minha lista de exs."

"Frígida? Você tem lido dicionário no banheiro, Tam?" Alina debochou.

Tam rebateu maliciosamente, "Você tem mentido para sua mãe, Ali?"

"Ai." Alina riu mesmo sem querer e disse em um tom baixo, "Vadia."

Tam se revoltou, "Ah, e você pode?" Havia se virado para olhar para ela. Estava rindo também.

"Claro." Rindo, Alina lançou um olhar divertido para a amiga.

Quando chegaram há duas quadras de onde ficava o local, saíram do carro e foram em direção ao porta-malas.

"Que armas você trouxe?" Alina quis saber.

"As mesmas de sempre." Tam parecia entediada.

Quando abriu o porta-malas, Alina vislumbrou o cuidado que Tam tinha para arrumar aquelas armas de forma que não se tocassem e houvesse um encaixe, metodicamente perfeito entre todas, incluindo as suas respectivas munições. Era um dom arrumar as armas daquele jeito.

"Ainda não sei como ninguém nunca te parou até hoje." Ela disse para Tam, enquanto pegava uma arma de uso policial e verificava o peso, pensando em que partes do corpo ela se encaixaria.

"Ao contrário de você," Ganaciosa, Tam havia pegado uma arma maior, com uma alsa para facilitar o manuseio e estava sentindo o peso. Então destravou a arma, deixando-a no ponto. "eu sei o que estou fazendo."

Alina adivinhou, "Um caminhão?"

Tam olhou de canto de olho para amiga e então respondeu, "Dois. A noite pode ser longa, temos poucos para ajudar no descarregamento." Viu que Alina havia escolhido e escondido algumas facas e uma arma em seu corpo e agora, procurava outro local para esconder uma outra arma de pequeno porte. Olhou fixamente para a amiga, esperando dizer o que a incomodava.

Alina perguntou, escondendo a arma, "Viu os noticiários de hoje?"

"E?" Perguntou Tam, fechando o porta malas.

"A doutora disse que chegou uma troll estranha hoje, no hospital." Por precaução, elas sempre se referiam à mãe de Alina, como doutora.

"Eu, como uma troll orgulhosa, estou tentando não ficar ofendida." Tam se defendeu, "Prossiga."

"Ela disse que parecia humana."

"Nada de novo, alguns são muito parecidos com vocês." Alina ficou satisfeita com a resposta.

Os trolls, assim como Tam, tinham algumas marcas que caracterizavam-os. Cabelos do corpo naturalmente coloridos, com cores como rosa, azul, verde, roxo, cinza. Alina já chegou a conhecer um troll, com o cabelo de sete cores diferentes. Alguns tinham olhos um pouco incomuns, em relação aos humanos. Eram fisicamente humanóides, mas caracteristicamente, trolls. Além de todos terem um talento nato para música e dança. Tam odiava quando alguém pedia para ela dançar e cantar.

Um Conto KyobanOnde histórias criam vida. Descubra agora