Notas do Autor
Gente, que raiva. Copiei e colei o capítulo aqui e ele veio todo junto e desconfigurado. ARGH! Vou deixar assim por enquanto, depois venho ajeitar. Boa leitura!
– Eu não estou entendendo, Mira.
A noiva do meu irmão parecia ansiosa, mesmo diante de toda a sua aparência elegante e amorosa. Mira sempre gostou de vestidos rodados, com rendas e detalhes delicados, o que condiz muito com sua expressão cativante e calorosa. Diferente de Lissana, eu não via nenhum tipo de falsidade nela, o que me deixou muito mais tranquila com relação ao casamento com meu irmão. Entretanto, desde que eu soube que a irmã dela era realmente, venho me perguntando se Mirajane realmente não sabe de nada. E se não sabe, também existe a possibilidade do meu irmão não saber nada sobre mim? Não faz muito sentido, pois ambos são nossos irmãos mais velhos, mas uma pontinha de esperança ainda existe em mim. Eu ficaria muito magoada se eu descobrisse que o Laxus sempre soube de tudo e nunca me contou nada.
Sentei na cama e ela fez o mesmo.
– É que, como você sabe, o casamento está se aproximando. – Ela começou a falar e eu balancei a cabeça, mesmo que tenha esquecido completamente deste fato. – Os preparativos estão à todo vapor e eu queria muito a minha irmãzinha animada junto comigo, me acompanhando e tudo mais. Mas isso não está acontecendo.
Fiquei parada, analisando como ela estava rodeando o assunto sem falar diretamente sobre ele.
– A Lissana, bom. – Fez uma pausa, parecendo emocionada. – Sempre foi uma criança difícil desde que comecei a ter contato com ela. Não sei se você sabe, mas eu só a conheci quando eu tinha dez anos, porque antes disso ela morava com nosso irmão mais velho, o Elfman. Meus pais estavam numa ação médica comunitária e enquanto eu era criada pela minha tia, Lissana nasceu em outro país. O Elfman estava mais próximo deles, no serviço militar no meio de uma guerra, então meus pais a entregaram para ele e acabaram morrendo num acidente de avião. Eu a conheci quando eles voltaram para casa, quando ela já tinha três anos.
– Nossa, eu não sabia. – Disse, surpresa. – Eu sinto muito.
Ela sorriu, apertando minha mão.
– Ao mesmo tempo que eu fiquei triste pela morte dos meus pais, eu fiquei muito feliz pela volta do Elfman e por conhecer a Lissana. – Continuou. – Mas ele a criou desde que nasceu e a relação entre eles era muito mais íntima do que comigo. Eu quase nunca via meu irmão, sempre em missões militares, mas lembro que ele sempre foi rígido e pouco amoroso. Como ele criou a Lissana, acho que ela acabou pegando todas as manias dele e dessa forma eu nunca consegui me conectar com ela. Eu passei anos tentando e eu sempre digo para mim mesma que consegui mudar um pouco dela, mas às vezes eu sinto que nunca a entendi realmente.
Fiquei impressionada com a história de vida da família Strauss, o que me fez perceber que é realmente possível que a Mirajane não saiba de nada. Mas o Elfaman com certeza pode estar no meio disso tudo.
– Mira, eu realmente não entendi aonde você quer chegar.
Eu não queria ser grossa com um amor de pessoa que é a Mira, mas eu estava absolutamente dispersa sobre o que isso tem a ver comigo.
– Eu queria saber se você sabe se alguma coisa aconteceu na escola, recentemente.
Quase ri ironicamente. Aconteceu tanta coisa.
– A Lissana tem a tendência de colocar máscaras para agir de acordo com a situação e quando lhe convém, ela tenta manipular as pessoas. Eu já sofri muito com isso e sempre que o Elfman está longe eu consigo fazer com ela faça as sessões de terapia. Só que faz alguns dias que ela chegou da escola completamente diferente e foi a primeira vez em muito tempo que eu vi a Lissana sorrir dentro de casa. Ela está conversando mais comigo, mesmo que de maneira agressiva, entretanto há muito mais sinceridade em suas palavras. Eu sempre achei a relação dela com o Elfman abusiva e já briguei muito com ele sobre isso, mas agora ela está se rebelando contra ele e eu quero saber porquê.
Então é como eu realmente imaginava. Lissana pode ser uma pessoa completamente diferente a depender da situação, mas porque nossa conversa a faria mudar? Será que saber que eu estou a par da situação a deixa mais livre? Ou ela simplesmente viu com isso a oportunidade de ligar o foda-se e viver por vontade própria? Faria sentido, pois é basicamente isso que o Gajeel começou a fazer.
Mas é claro que eu não podia levantar nenhum desses questionamentos para a Mira, por isso tratei de dizer a verdade omitindo alguns fatos.
– Bom, a única coisa diferente são os Jogos que está deixando todo mundo à flor da pele. O treinamento está bem intenso e todos os atletas meio que só tem cabeça para isso. Talvez ela esteja se distraindo com o evento, pois mesmo que tenhamos participado ano passado, este ano é completamente diferente por sermos a sede e estarmos no último ano. Na verdade está bem puxado conciliar tudo isso com os estudos para o vestibular.
Ela pareceu pensar sobre o que eu falei, mas era óbvio para qualquer um que isso não era um motivo válido e eu só estava falando qualquer coisa para não dizer que não sabia realmente.
– Entendo, ela comentou sobre isso. – Mira me encarou, parecendo tímida. – Desculpa estar te contando e perguntando tudo isso Lucy, mas é que somos mulheres e eu sei bem do desentendimento que rola entre vocês. Na verdade, o principal motivo de eu ter vindo aqui é porquê a Lissana ultimamente têm deixado bem claro o quanto te odeia e isso tem me preocupado.
Respirei fundo.
– Olha, esses dias discutimos sim, mas é como eu te falei, somos líderes e como nosso santo não bate, a gente acaba brigando por qualquer coisa. Mas é só isso mesmo, nada fora do normal.
Parecendo estar convencida, Mira suspirou, massageando a testa.
– Entendi, eu acho estou pensando demais sobre isso e ficando paranoica. Mas! – Ela mudou o clima de repente, com uma animação exagerada. Talvez não quisesse ficar triste na minha frente. – Tem algo que você pode fazer por mim em relação a isso.
Ela mexeu na bolsa, tirando de lá um cartão e o colocando nas minhas mãos.
– Esse é o local onde vou fazer a prova do vestido no mês que vem. Vai ser um dia da noiva com as madrinhas e familiares próximos, com direito a comidinhas e brincadeiras. Será que você pode tentar convencê-la a ir? – A encarei, achando aquilo um absurdo. – Eu sei, eu sei que parece ridículo, mas mesmo que seja brigando e discutindo com ela, eu queria muito que você me ajudasse. Não conheço uma pessoa que seja próxima da Lis, exceto o Natsu, mas parece que até eles se distanciaram. Tentei mexer no celular dela, tentei pegá-la no fim das aulas mas ela não me deixa se aproximar de ninguém. Você é minha cunhada e madrinha do Laxus, estuda com ela e tem muito mais contato do que eu.
– Brigando, você diz. – Comentei, sarcástica.
– Mesmo assim, nem isso ela faz comigo. Por favor, Lucy, eu estou desesperada!
Caralho. Foi o que eu pensei, olhando a carinha de cachorro pidão de Mirajane. Eu não queria negar e ser chata, mas é insanidade aceitar esse trabalho impossível. Apesar de que eu posso tentar tirar proveito disso. Pensei por um momento e acabei me dando por vencida.
– Tudo bem, eu ajudo você. – Ela se animou batendo palmas, me abraçando de lado em seguida. – Mas eu não prometo nada, se tem uma coisa que eu e sua irmã somos iguais é a teimosia.
– Então você é a pessoa perfeita pra pegar ela no pulo do gato.
Ri com a esperança contagiante de Mira, que gesticulava enquanto falava.
– Eu juro que vou recompensar você, muito obrigada mesmo. Fico feliz que a gente se dê tão bem. – Ela beijou minha bochecha, se levantando. – Agora vou atrás da sua mãe para convidá-la apropriadamente.
Quando ela saiu, senti minha cabeça latejar. Essa missão não vai ser nada fácil.
****
No dia seguinte fui para a escola de calças jeans por causa da cachoeira vermelha que estava jorrando de mim, entretanto era uma peça mais descolada. Optei por uma camiseta caída no ombro, mas me senti tão exposta que coloquei uma regata por baixo. Chegando na escola quase atrasada, Natsu estava na porta da sala conversando com sua laia e ao me ver abriu um sorriso. Eu não queria vê-lo nem pintado de ouro.
– Bom dia, Loirinha.
– Vai pro inferno. – Respondi mostrando o dedo do meio, e ele riu enquanto algumas garotas não pareceram gostar da minha atitude.
– Dia ruim? – Perguntou Gray quando passei por ele.
– Ontem, sim. Hoje espero que seja melhor.
– Pelo jeito não está conseguindo. – Respondeu e nós rimos.
As aula pareciam mais lentas que o normal e agradeci mentalmente quando o sinal soou. Levy tinha ido treinar um pouquinho do fôlego com a Juvia e quando passei pela piscina notei que ela conversava com o Gray. O que era meio óbvio que tinha que acontecer, já que ele está no time de natação e ela é a líder. Pelo menos, é algum tipo de progresso. Hoje foi um dos dias em que meu grupo dividia o espaço com Lissana e me lembrando da conversa que tive com Mira, fiquei imaginando como ia me aproximar da criatura sem parecer suspeito. Quando acabamos os treinos ao mesmo tempo, aproveite a oportunidade e esbarrei com ela acidentalmente na hora de beber água.
– Eu não sabia que você era tão rígida com a coreografia.
Ela parou de encher sua garrafa, olhando para mim de modo sugestivo. Ambas estávamos suadas, mas enquanto eu estava com o kimono abaixado até a cintura, ela estava com uma saia curtíssima e um shortinho menor ainda.
– Lucy Heartfilia puxando assunto comigo?
– Não podemos conversar como colegas de classe e atletas? – Arqueei a sobrancelha.
Sua expressão mudou instantaneamente de debochada para furiosa.
– Não fode, garota. O que você quer?
Desculpa, Mira. Me desculpei mentalmente. Mas não consigo manter a linha com sua irmãzinha escrota. É claro que eu sou péssima na sutileza e não sei fazer isso.
– Okay, eu vou direto ao ponto. Pelo menos faça seu papel de irmã e vá à prova do vestido de casamento. Se não gosta, pelo menos finja, eu percebi que você sabe fazer isso muito bem.
– A Mira foi falar com você? – Fez uma pergunta retórica, parecendo irritada. – Meu Deus, ela não se cansa? Aliás, você não tem nada a ver com isso.
– Na verdade, tenho sim. Eu gosto da sua irmã, o que não posso dizer o mesmo de você. – Disse e ela sorriu falsamente. – E eu não consigo não fazer nada quando alguém me pede ajuda.
– Own, tão solidária e prestativa nossa menina de ouro.
– Para com isso. – Exigi, entre dentes. Eu odiava de alguma forma que ela insinuasse que eu era privilegiada quando eu nem mesmo sabia sobre o quê. – Vamos fazer o seguinte, que tal uma aposta?
– Aposta?
Quando ela respondeu, soube que havia ganhado sua atenção. Seria muito mais complicado para mim se aproximar de Lissana de forma amigável, com uma aposta ficaria claro meus motivos e daria brecha para eu finalmente saber mais sobre ela, sem levantar muitas suspeitas.
– Isso, uma aposta. Se você perder, vai á prova do vestido e vai se esforçar muito para deixar a Mira feliz. Se você ganhar, eu faço o que você quiser por um dia inteirinho.
– E qual seria a aposta?
– A partir da semana que vem, vamos passar cinco dias da semana completamente grudadinhas. Será um teste de paciência. – Fiz o número com a mão e ela me olhou como se não acreditasse. – A primeira de nós que descobrir um segredo da outra, ganha.
– Então basicamente vamos trabalhar nossas habilidades de infiltração? Mesmo sendo mais que óbvio que eu sou muito melhor nisso do que você, que eu ganho com isso?
Ri ironicamente.
– Me poupe, Lissana. Eu sei que você está do outro lado da moeda. E como não compactuo com nada disso, isso significa que você é minha inimiga. Tenho certeza de que eles querem saber o que eu ando fazendo e você só quer uma brecha para usar qualquer vacilo meu ao seu favor. Estou te dando uma oportunidade.
Certo, o que eu estou fazendo é bem arriscado. Significa que eu também tenho que tomar cuidado redobrado, porém Lissana é a única pessoa fora o Gajeel e o Gray que já está no esquema, e como o dito cujo sumiu do mapa, o Gray ainda é um fator incerto e essa criatura está do meu lado praticamente todo dia, é a minha única chance. Uni o útil ao agradável e ainda ajudo a coitada da Mira.
Confesso que fiquei apreensiva, até que ela estendeu a mão para mim e quando eu apertei notei que era um jogo de força. Fiquei impressionada tamanha força inesperada que ela tinha.
– Algumas regras: O período de tempo juntas só vale dentro do horário escolar e nada de ultrapassar os limites pessoais.
– Não se preocupe, não pretendo tomar banho junto com você. Aliás, nossos relacionamentos não são nenhuma descoberta surpreendente, já que nós duas já sabemos de tudo. – Ela esperou que eu continuasse. – Eu e o Natsu. Você e o Sting.
Eu esperei que ela negasse, mas ela não o fez. E quando finalmente soltamos as mãos, senti meus dedos doloridos.
– Estou ansiosa para passarmos um tempo juntas, Lucy. – Ela sorriu, quem não a conhecesse acharia que o sorriso foi verdadeiro, mas aquilo mudou em milésimos de segundo para uma expressão apática e desdenhosa no momento que ela se virou para ir embora. Ver aquilo me deu um arrepio, eu nunca conseguiria fingir reações da mesma maneira que ela.
Lissana só aceitou isso tudo porque ela viu vantagem de alguma forma, caso contrário ela nunca teria concordado. Agora que me meti nessa roubada, espero apenas não enlouquecer, pois do jeito que ela falou ela vai fazer de tudo para me tirar do sério.
Fui até a sala da Mavis para minha avaliação semanal e esbarrei com Levy no corredor, com sua mochila. Ela parecia recém saída de um banho, coisa que eu também deveria fazer, mas minha psicóloga teria que aguentar meu fedor caso contrário eu perderia a sessão.
– Já indo para casa?
– Sim, a Erza está me esperando lá fora, ela vai me dar uma carona.
A Erza estava de carro, que havia ganhado de presente dos pais. O que me lembra que tenho que fazer aulas de direção urgentemente para conseguir minha carta, coisa que fiquei impedida de fazer devido ao meu estado emocional alterado. Talvez agora que eu estou mais controlada eu seja liberada pelos médicos, preciso lembra de falar isso com a Mavis.
– Eu até queria ir junto, mas preciso ir para a minha sessão semanal.
Estávamos quase nos despedindo quando avistamos um garotinho caminhando pelo corredor, enquanto brincava com sua espaçonave, traçando um caminho pelo ar.
– Por que tem uma criança desse tamanho na escola? – Levy perguntou antes de mim.
– Não faço ideia.
Fomos andando em direção ao garoto, ele parecia ter uns seis anos de idade apenas, mas antes que chegássemos até ele, Rogue saiu de um dos corredores mais a frente e se agachou para conversar com o menino. Ele afagou sua cabeça, parecia conhecê-lo e notei o quanto eles eram parecidos. O garoto ela pálido e tinha o cabelo escuro como dele. Será que era o filho dele?
Meu questionamento foi descartado quando Mavis apareceu de repente, saindo da porta do seu consultório.
– Zeke! – Ela gritou, olhando ao redor. Só pareceu vê-lo apenas alguns segundos depois e praticamente correu até ele.
Instintivamente eu e Levy começamos a nos aproximar para entender melhor aquilo tudo.
– Zeke, você está bem? – Ela o olhava de cima a baixo, procurando algum tipo de machucado. O garoto apenas balançou a cabeça. – Eu falei para você esperar na minha sala!
– Eu fiquei entediado e saí, mas encontrei o tio Rogue.
– Como o Zeke cresceu, Mavis.
Ela não parecia muito feliz em manter um diálogo com Rogue, tanto que só notou nossa presença quando eu inevitavelmente me pronunciei.
– Vocês já se conheciam?
– Lucy, Levy.
– Desculpa a intromissão, mas esse é seu filho? – Levy perguntou, se agachando para olhá-lo melhor. Mavis balançou a cabeça e só então eu notei o quanto o garoto não tinha nada a ver com o Rogue, pois era a cara da Mavis, especialmente os olhos verdes chamativos. – Tudo bem, Zeke? Eu sou a Levy, o que é isso que você está brincando?
Zeke então começou a falar com orgulho, com aquela voz fofa de criança:
– É uma réplica da Apollo 11, a primeira espaçonave a levar o homem para o espaço. Mas essa parte é apenas o módulo de comando, que caiu de paraquedas na volta para a terra.
Abri a boca de leve, impressionada com a dicção e inteligência do garoto. Levy ficou encantada com ele, na verdade ela sempre foi apaixonada por crianças.
– Ele adora tudo sobre o espaço. – Mavis comentou, enquanto o segurava pelo ombro. Dava pra notar o orgulho de mãe que ela transbordava.
– Isso é muito maneiro, Zeke! Eu também gosto muito, mas eu aposto que você não sabe o que é isso aqui... – Ela tirou do zíper de sua mochila um chaveiro em especial no meio de alguns que ela tinha. Eu só sabia o que era porque eu convivo com Levy há muitos anos e muitas vezes fui confidente de suas descobertas históricas.
Zeke ficou corado de animação, agarrando a bolinha metálica com 4 protuberâncias em forma de lança.
– É a Sputinik 1!
– Isso mesmo, foi com o lançamento desse satélite que a União Soviética iniciou a corrida espacial contra os Estados Unidos! – Explicou ela, afagando o cabelo dele. Eu tinha certeza de que ela estava se segurando para não sufocá-lo num abraço. Em seguida, se dirigiu a Mavis. – Seu filho é muito fofo e inteligente, parabéns!
– Obrigada.
– Não sabia que vocês eram parentes. – Falei, me referindo à Rogue e Mavis.
– Ah, isso? – Ele sorriu para ela, que tentou sorrir também. – Nós apenas trabalhamos juntos no passado.
Aposto que Levy também notou o clima estranho e mesmo que Zeke estivesse entretido, ele olhava para mãe como se procurasse algum tipo de ordem.
– Bom, vamos voltar para a sala, filho. Lucy, você vem, não é? Nos encontramos lá.
– E eu vou indo recolher alguns materiais de treino, até mais meninas.
Rogue saiu primeiro e Zeke estendeu a Sputinik de volta para Levy, parecendo triste. Minha amiga colocou as mãos para trás, rindo.
– Não, não. Pode ficar com ela, é nosso pacto de amizade!
Zeke olhou novamente para Mavis, que assentiu. Ele sorriu.
– Obrigada, eu prometo que vou cuidar bem dela.
Com isso eles saíram e ficamos só eu e Levy, que assim mudou de expressão assim que saíram de vista.
– Você notou o mesmo que eu?
– Sim, um clima meio pesado. Será que rolou alguma coisa entres eles?
– Não sei, mas não acha Zeke um pouco familiar?
– Bom, ele é a cara da Mavis, criatura. – Falei, rindo.
Mas Levy estava séria.
– Não, não desse jeito. – Suspirou. – Sei lá, devo estar ficando louca. Mas, uma coisa é certa, esse Rogue é definitivamente esquisito. Quando falei com ele, ele agiu como uma pessoa normal ao encontrar alguém pela segunda vez. Mas ele age como se conhecesse a gente faz anos, notou isso?
– Deve ser o jeito saidinho dele mesmo.
– Pode até ser, mas é melhor você também ter cuidado com ele. Eu não confio nele.
– Você nem precisa dizer.
Nos despedimos e eu fui para o consultório da Mavis, onde ela se desculpou pelo filho estar presente. Ela havia tido um imprevisto e não tinha com quem deixá-lo. Óbvio que eu não liguei, mesmo que crianças não fossem meu ponto fraco, o garoto era um amor de pessoa e ficou o tempo inteiro desenhando e brincando com o presente novo. Na sessão eu só fui questionada sobre como eu me sentia com a pressão dos jogos e tudo o mais, mas é claro que no final eu mudei drasticamente de assunto e tratei de inserir o fator Natsu, desabando toda a minha raiva e frustração sobre ele. Lógico que eu evitei os palavrões por causa do Zeke e logo Mavis sugeriu que na semana que vem eu viesse num dia fora do meu horário para me encaixar numa sessão pessoal, pois eu parecia estar precisando muito.
Puta que pariu, Natsu Dragneel. Eu não estou a fim de gastar dinheiro com minha terapia só para falar de você nela.
***
Eu passei o resto da semana fugindo do Natsu como diabo foge da cruz. Parece que até mesmo ele não conseguia ficar naquele joguinho por muito tempo e logo voltou a me procurar para atividades carnais. Mas eu estava menstruada, de TPM e com o satanás no coro de tanta raiva dele. Ainda bem que para mim essa porcaria só dura quatro dias e já estava indo embora, segundo Levy eu era abençoada por Deus.
Se eu era abençoada por Deus e já passei por tanta merda na vida, imagina se eu fosse agraciada pelo diabo? Tenho vontade de rir só de pensar tamanha a ironia. No final da sexta-feira eu nem podia me dar como descansada pois o sábado de manhã seria como um dia letivo normal para os líderes. Eu estava no chuveiro me preparando para ir para casa quando ouvi um zumbido irritante de fofoca começar do lado de fora. Olhei pela fina brecha da porta e vi o grupo de Lissana tirando a roupa.
Estava indo tudo bem até que quando desliguei o chuveiro, uma conversa em particular me chamou a atenção.
– Vocês viram como a ogra está andando esses dias? – Perguntou alguma delas, que não consegui identificar.
– Eu vi, mulher. Parece que ela decidiu se vestir como uma pessoa normal, até que ela ficou menos ruim.
– Você tá brincando, não é? – Essa eu conhecia, era Angel. – Aquela vadia só está fazendo isso por que parece que finalmente o Natsu delícia conseguiu pegar ela, aposto que ela está se achando a rainha da cocada preta.
– Não acredito que o Nat quis ficar com ela! Tá, ela é bonitinha, mas a personalidade dela é desprezível.
– Você é uma cobra, Kinanna, fala mal de todo mundo sendo que é uma das piores.
– Não na frente dos boys, né, miga. Pra eles eu sou um anjinho safado.
Uma onda de risos se iniciou e eu tive vontade de vomitar. Mas continuei quieta como uma rapariga, escutando a conversa escondida.
– Coitada, a loira deve estar iludida, o Natsu pega todas. Daqui a pouco ele enjoa daquela feiosa.
– Vai ver nem é natural, aposto que é loiro oxigenado de farmácia.
– Mas faz tempo que eu não vejo ele com ninguém, aliás, sinto falta daquela língua maravilhosa dele.
– Nossa, nem me fale. Eu só transei com ele duas vezes e ele me fez gozar feito louca.
– Você não sabia? É a marca registrada do Natsu, se você não gozar no mínimo duas vezes, ele não termina a coisa toda.
Inconscientemente esmaguei o sabonete que eu segurava nas mãos, sentindo uma raiva descontrolada.
– O difícil é fazer o contrário, não é, suas vadias? – Disse uma voz que reconheci de imediato. Era Lissana.
– Como assim?
– Vocês por acaso já viram o Natsu gozar?
Silêncio mortal. Comecei a entrar em comichão, agora mais do que nunca eu queria saber da resposta, pois não era possível que isso fosse verdade. Natsu sempre pareceu fazer questão de me encher com seus fluídos sexuais mais de uma vez, motivo pelo qual também ele não gostava de usar camisinha. Como se quisesse me deixar marcada.
– Eu imaginei. – Concluiu Lissana. – Vocês estavam tão loucas que nem sequer notaram ele realmente.
– Bom, o que você queria? Aquele homem deixa qualquer uma louquinha! Mas me diz você, Lis. De nós, você foi a que mais ficou com ele.
– Só aconteceu uma vez, mas ele estava bêbado.
– Será que ele tem algum problema de ejaculação?
Não aguentando ficar mais ali, saí de toalha, pois é claro que estava fora de questão que eu ficasse escondida como uma mariquinha. De primeiro momento todas ficaram com caras surpresas e enquanto Lissana logo mudou para uma falsa expressão calorosa, me dando um tchauzinho, as outras exibiam uma expressão de pânico.
Troquei de roupa rapidamente, não me importando de mostrar um pouco da minha nudez para elas. Peguei um papel e caneta da minha mochila, onde anotei um número e entreguei para Angel, que se esquivou para trás achando que eu ia bater nela.
– O que é isso? – Perguntou ela.
– A numeração do tom de loiro que mais se assemelha ao meu cabelo. Mas, pode ser que em você não fique igual, já que o meu é totalmente natural.
Saí, mas não antes de vê-la amassar o papel e ficar vermelha de raiva. Ainda tive tempo de ouvir:
– Viram a marca de mãos na bunda dela?
Sorri presunçosamente. Ouvir essa conversa das peguetes do Natsu, infelizmente, fez com que meu ego se inflasse um pouquinho. Mesmo sem querer, passei a procurar ele pela escola, mas ele não estava mais lá, muito menos me esperando no estacionamento.
Droga!
***
– Ei, loira, você não sabe o que eu descobri!
Revirei os olhos. Já estava em casa, de pijama, feliz pela menstruação finalmente ter ido embora, porém ainda irritada. Eu definitivamente não estava afim de jogos de adivinhação com Cana.
– Eu não tenho bola de cristal, Cana. A macumbeira aqui é você.
– Sensitiva. – Me corrigiu. – Eu descobri mais sobre a briga do Natsu com o Gray.
Me endireitei na cama, apertando o celular.
– Desembucha.
– Parece que eles estavam jogando basquete numa quadra pelo bairro, não sei bem onde. O Sting também estava no meio, na verdade a discussão começou com ele e o Natsu. Mas parece que o Gray se meteu, disse umas poucas e boas pro Natsu, o chamando de covarde e egoísta, dizendo que ele deveria protegê-la.
A garota, pensei.
– Então eles começaram a se socar e claro que o Gray saiu em desvantagem. Natsu ainda tentou pedir desculpas, mas o Gray não quis saber e cortou todos os laços a partir de então.
– Caralho, mas isso é muito vago!
– Amiga, eu não tenho culpa, fiquei sabendo isso de um dos meninos que estavam lá. Ninguém entendeu nada, também. Mas eu percebi uma coisa, eu pensei certo primeiro, depois achei que estava errada, mas eu realmente estava certa.
Fiquei com um bug mental.
– O quê? Não entendi nada, criatura. Fala direito.
– Essa garota realmente pode ser você, Lucy.
Engoli em seco.
– Não faz o mínimo de sentido.
– Faz sim. A gente achava que a garota era um ponto de discórdia romântica, mas estávamos erradas. É sobre amizade e proteção.
– Mas porque diabos eu precisaria ser protegida?
– Eu não sei, me diz você.
Fiquei em silêncio por um momento. Isso foi o suficiente para Cana notar, mesmo a distância e por telefone essa diaba parecia uma bruxa leitora de mentes.
– Realmente tem alguma coisa, não é? – Ela suspirou. – Bom, loira, eu não sei o que tá rolando realmente, mas eu não sou burra e sei que tem alguma coisa acontecendo. Na verdade, faz um certo tempo que eu sinto isso, como se algo não estivesse certo. Mas até mesmo eu preciso de um contexto para me situar, só que eu sei que você não vai me falar nada agora.
– Obrigada por me contar, Cana. – Foi só que eu disse antes de desligar.
Me levantei da cama, indo até a cozinha para beber água. Saber disso deixa praticamente certo de que o Natsu e o Sting também sabem de alguma coisa. Agora: O quanto eles sabem? Desde quando? Queria muito dar uma de doida e sair confrontando todo mundo, mas a última coisa que preciso agora é ser imprudente. Tenho que pensar de cabeça fria.
– Ah, filha. – Mamãe apareceu na cozinha, me procurando. – Já vai dormir?
– Ainda não, porquê?
– Seu pai saiu desde cedo e disse que só volta amanhã. E eu vou jantar com umas amigas, você acha que consegue dormir sozinha? Provavelmente vou chegar bem tarde.
– Mãe, não sou mais criança. – Ri, revirando os olhos. Eu disse isso mas por dentro comecei a ficar ansiosa. Desde que aquilo tudo aconteceu eu nunca tinha ficado sozinha em casa de noite. Mas eu não poderia estragar o lazer da minha mãe, ainda mais agora que eu sei que ela precisa se distrair. – Vai se divertir, não se preocupa comigo.
– Obrigada, meu amor. – Ela me deu um beijo. Estava perfumada e toda arrumada, minha mãe é linda e meu pai é um babaca se deixar ela ir embora da vida dele. – Meu celular vai estar ligado o tempo todo, mas qualquer coisa ligue para a polícia. Lembra do número da polícia, não é?
– Mãe, vai embora logo. – A empurrei porta a fora, onde um táxi já a esperava. Mamãe não era muito de dirigir, por isso exceto o carro do Laxus só havia o da família que meu pai usava.
Entrei em casa, fechando a porta e me encostando nela, olhando ao redor. Silêncio. Me virei e tranquei a fechadura e subi para o meu quarto. Não sabia ao certo por que eu estava apreensiva, se algo fosse acontecer comigo aconteceria com meus pais em casa ou não, mas era uma sensação estranha. Tive vontade de descer para o porão e treinar, mas lembrei da cena de hoje no vestiário feminino e tive uma ideia maluca.
Peguei meu celular, indo até o contato intitulado de "Dragneel Escrotinho" e apertei o botão de ligar. No segundo toque eu me arrependi amargamente da decisão, mas era tarde demais. Ele atendeu.
– Loirinha, a que devo a honra de sua ilustre ligação?
Quase bufei. Falar o real motivo na lata era obsceno demais até para mim, então, apenas dei uma ordem:
– Venha até a minha casa, agora.
Desliguei. Se ele viria ou não, era só uma questão de tempo para saber.
***
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Just Sex
ChickLitEntre brigas e provocações, Natsu e Lucy não conseguem evitar sentir algo a mais que ódio. Se vendo presa num jogo perigoso e excitante, Lucy descobre que ainda existem muitos mistérios sobre os incidentes do passado, especialmente quando coisas es...
