Louise levantou-se furiosa com o que Phyllype havia feito, estava envergonhada, não sabia como olhar no rosto de Fernando, após tamanho constrangimento, precisava pedir-lhe desculpas pela grise de ciúmes, ou seja lá o que fosse aquilo, contudo isso seria em outra ocasião, pois iria visitar a amiga, precisava sair daquele hotel e fugir de Phyllype e de tudo que ele causava nela.
O hotel era no centro da cidade, poucas ruas de distância da casa de Nádia, Louise aproveitou para fazer uma pequena caminhada pela cidade, recebeu algumas felicitações de pessoas que nunca havia visto antes, assim como o olhar torto de algumas moças, ao longe viu Victória e seus pais, que fizeram questão de fingir que não a viu, o que para ela foi um alivio, não queria discutir com eles.
Quando chegou na casa da amiga suspirou aliviada por finalmente ter chegado, sentiu-se como estivesse se afogando em meio as pessoas, bateu na porta até Nádia abri-la.
_ Olha quem apareceu... senhora Monreool, achei que não iria sair do quarto esses dias.
_ Pare com isso Nádia, você sabe muito bem que meu casamento é de fachada.
_ Entre, precisamos conversar, quero saber de tudo.
_ Tudo o que?
_ Louise, você estava muito estranha no dia do seu casamento, mais que o normal para falar a verdade, parecia outra pessoa.
_ És uma longa história, acabei recebendo digamos que um presente de minha mãe.
_ Desculpe-me, mas não sei como ainda chama aquela mulher de mãe, mas continue que presente foi este?
_ Talvez por costume, bem ela levou Ricardo ao meu quarto, pouco antes do casamento.
Nádia arregalou os olhos. _ Vocês... se reconciliaram? Não entendi o que sua mã.. Amélia ganharia com isso?
_ Aparentemente ela queria que eu fugisse com ele, assim não me casaria com um Monreool, ela os odeia assim como me odeia, e ainda não sei o motivo, mas ele acabou me contando algumas coisas que fizeram Phyllype querer se casar comigo.
_ Que tipo de coisas?
_ Estava a fugir de problemas com mulheres casadas no exterior, o pai dele chegou a ameaça-lo de deserdação, isto ele mesmo me contou, aproveitou a situação oportuna para casar-se com alguém que tenha dinheiro e com um pai na beira da morte, sou o balde de ouro dele, achei que ele estava a fazer isso para me ajudar, cheguei a ficar preocupada e me sentir culpada por ele estar estragando a vida dele por mim, eu o odeio amiga, odeio.
Nádia abraçou a amiga que não conseguiu segurar o choro. _ Amiga, você tem certeza de tudo isso, Ricardo desapareceu por meses e retorna a pedido de sua mãedrasta, não acha isso deveras estranho e suspeito?
_ Sim, mas a parte em que ele contou de Phyllype não pareceu estranha, na verdade, tudo se encaixa, lembra que um dia você me disse que ele estava com problemas relacionado a mulheres no exterior?
_ Sim, me lembro, mudando de assunto o que aconteceu com seu braço?
_ Fiquei admirando o hotel e não observei onde estava pisando, escorreguei e bate o braço em algo que não me lembro o que era, ainda bem que no momento apareceu o doutor Fernando para me ajudar.
_ Doutor Fernando, o bonitão, não acredito, ainda não o vi, mas muitas moças já estão comentando sobre a beleza do doutor novato e seu marido o que achou de tudo isto?
_ É, ele é realmente bonito e muito atencioso, já meu querido marido estava em alguma taverna bebendo e agarrando alguma ou melhor dizendo algumas mulheres da vida, chegou fedendo a bebida e a perfume barato ontem de madrugada.
_ Não acredito que aquele idiota passou a primeira noite de vocês em uma taverna, irei matá-lo, como ele pode.
_ Não vai, pois eu disse antes de nos casar que ele poderia fazer o que quiser da vida dele, então não é como se ele estivesse me traindo, até porque não estamos realmente juntos.
_ Quem é você e o que fez com minha amiga delicada e inocente, falar em inocência, não rolou nada entre vocês, nem ao menos um climinha ou quem sabe umas brincadeirinhas, coisa de amigos?
Louise não conseguiu impedir que seu rosto ficasse vermelho com as perguntas da amiga. _ Não Nádia, já disse ele só voltou de madrugada e eu já estava dormindo, pare com essas perguntas sórdidas.
_ Sei Louise Monreool, só pelo vermelhidão de suas bochechas já nota-se que não houve nada. Falou Nádia sorrindo. _ Amiga, eu a conheço e sei que no fundo você sente algo por ele.
_ Sim, sinto, sinto ódio e juro que ele não terá uma vida de paz ao meu lado.
_ Deu até medo agora, estou com dó dele, nunca a vi assim tão decidida em algo, só tome cuidado e tenha certeza que tudo isto é verdade, talvez seja invenção de sua, de Amélia e de Ricardo, não confio em nenhum dos dois, Phyllype não é lá um príncipe ou alguém muito certinho, contudo parece realmente se importar com você.
_ Quem diria, Nádia Nevelli, defendendo o Monreool.
_ Não estou defendendo, apenas dando a ele o benefício da dúvida.
As duas riram, continuaram conversando e Louise contou sobre as moças estarem de cara feia para ela, assim com a família de Victória terem fingindo não a conhecer e sobre o surto estranho de Phyllype com o doutor Fernando.
_ Para mim isto se chama ciúme!
_ Ou uma farsa... talvez queria apenas afastar um possível rival.
_ Como assim rival Louise, achou o doutor tão bonitão assim?
_ Você me entendeu, mas falando nisso, tenho que ir no consultório agora a tarde para trocar o curativo, você poderia ir comigo, não quer ir sozinha!
_ Está com medo de que? De ser atacada pelo doutor bonitão ou de seu marido achar ruim?
_ Nenhum dos dois, só não quero problemas nem falatórios enquanto meu pai estiver entre nós, não quero ele se preocupe ou passe mal.
Nádia se calou, a amiga ainda tinha que lidar com a doença de seu pai. _ Tudo bem, irei com você e quem sabe já aproveitar para fazer uma minuciosa consulta, acho que estou me sentindo mal! Falou colocando o dorso da mão na testa.
_ Só você mesmo Nádia, só por favor não me passe mais vergonha que o normal!
_ Não prometo nada! Você conhece a amiga que tem.
_ Infelizmente conheço, que Deus me ajude.
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Fadada ao Amor
RomanceSéculo XIX Em uma época, onde o único destino das mulheres era o casamento arranjado, Louise Ockerman sonhava com um futuro diferente, daquele que haviam traçado para ela. Lutar contra o casamento será uma tormenta que ela tentará fugir, mas no cami...
