Capítulo 57

22 5 0
                                        

Após alguns dias Louise ainda se encontrava de luto, porém mais animada e aliviada, após o testamento ela pode em fim, sentir-se vingada, ver Amélia em total desespero foi esplêndido e muito satisfatório. Havia até voltado a estudar sobre o orfanato, passava todos os dias ao seu redor, observando cada detalhe e sempre via a garotinha de cabelos loiros na janela, parecia que a menina a esperava todos os dias.

Louise estava andando distraída pelas ruas, pensando em como poderia entrar naquele casarão, em como faria para tirar aquelas crianças e em como cuidaria de cada uma delas, milhões de ideias ocorriam em sua mente ao mesmo tempo.

_ Olha só o que vemos por aqui, se não é a senhora Monreeol

Louise acordou de seus pensamentos e olhos em direção a voz conhecida.

_ Achei que nunca mais há veria pelas ruas, estava até mais feliz, mas como sempre você estraga tudo.

Louise olhou para Victoria ainda tentando entende-la.

_ Ficaste muda?

_ O queres Victoria?

_ Que você suma!

_ Infelizmente não poderei atender ao pedido da princesa, agora me deixe passar e pare de me importunar!

_ Olhe só, então decidiu mostrar sua verdadeira face Louise!

_ Tenho mais o que fazer do que ficar escutando choramingos de uma menina mimada.

Louise respirou fundo buscando o ultimo resquício de paciência, para não gritar com Victória no meio da rua, passou por ela e seguiu ruma ao hotel, subiu as escadas mais que depressa.

_ Louise? Chamou Fernando descendo as escadas. _ estas bem?

_ Aah sim, só com um pouco de pressa!

_ Ah sim, depois passe em meu consultório, tenho algumas notícias sobre o orfanato, se ainda lhe interessar é claro!

_ Sim, claro, irie passar logo mais à tarde, obrigada!

Fernando apenas sorriu, havia perdido a fala ao notar o decote de Louise e em como sua respiração estava compassada, não pode evitar pensamentos impróprios, na verdade, já estava os tendo a muitos dias.

_ Louise, Louise, como pode ser tão delicada e atraente ao mesmo tempo, como desejo lhe mostrar o que é realmente, prazer, porque escolheste aquele traste. Pensou Fernando enquanto observa Louise subir os degraus da escadaria.

Ao adentrar o quarto, jogou-se na cama, respirando fundo, agora tinha mais uma inimiga por culpa de Phyllype, queria muito odiá-lo, mas não o podia, estava até se divertindo ao ver Victoria fazendo birra em público, sem perceber, soltou uma gargalhada.

_ Que risada diabólica é esta querida esposa, estas planejando minha morte? Falou saindo do lavabo, ainda com os cabelos molhados e o corpo úmido.

_ Talvez! Afinal tu fostes a causa de uma garota mimada me afrontar no meio da rua!

_ Qual delas está se referendo?

_ Claro, esqueci que são muitas, bem, seu amor proibido!

Phyllype ficou sério.

_ Oh não, você ainda gosta dela! Disse forçando uma gargalhada.

_ Não, mas também não gosto de tocar neste assunto!

_ posso saber o motivo, afinal se não gosta dela, tem que haver outro motivo, não acha?

_ Isso não eres de sua conta Ockerman, por favor não quero mais falar sobre isso, está entendido? Falou em alto tom, sem ao menos notar que a estava segurando pelo braço. _ Louise, eu... me perdoei eu... disse a soltando.

Louise não conseguiu responder, apenas saiu do quarto, ele nunca havia gritado com ela, as marcas de suas mãos ainda marcavam seu pálido braço, naquele momento não sabia o que mais doía, se era o fato dele ter a tratado de forma grosseira ou de ter sido por causa de Victoria.

_ Como fui tola, muito tola na verdade, ele ainda gosta dela! Pensava enquanto descia as escadas.

Ao sair do hotel, olhou para os lados, não sabia onde ir, não queria falar com ninguém, saiu caminhando sem rumo pela cidade, sentou-se em um banco próximo a uma pequena praça, onde algumas crianças brincavam, ficou observando as pessoas e as carruagem passando e em como todos pareciam ocupados e felizes. Ficou ali parada, por um longo período, nem havia percebido que já estava entardecendo, levantou-se sentindo o estomago roncar, ajeitou o vestido e seguiu para o hotel, quando estava a poucos metros do mesmo, avistou uma menina olhando pela janela da casa de chá próximo ao hotel, ela parecia faminta e com muito frio, estava com os cabelos desgrenhados e as vestimentas sujas e rasgadas, os pés descalços, ao se aproximar, notou que a garotinha era a mesma que sempre a olhava pela janela do casarão. Aos poucos se aproximou, a garotinha assustou-se e estava preste a correr.

_ Espere, estas com fome?

A garota nada respondeu, apenas ficou a observando.

_ Queres um bolo ou um suco? Que tal os dois? Qual é seu nome?

A menina ainda se mantinha calada.

_ Espere aqui, vou comprar algo para você comer! Falou Louise entrando na casa de chá.

Enquanto comprava dois enormes pedaços de bolos, Louise a observava ao lado de fora, ainda no mesmo lugar e sem demonstrar nenhuma emoção. Levou a garotinha para um pequeno banco de madeira e lhe entregou o bolo, que a mesma comeu em poucos segundos, espalhando farelo e calda para todos os lados, despertando olhares de desprezo a cada um que passava por ela. Ao comer os dois pedaços de bolo, a menina finalmente olhou para Louise e sorriu, um sorriso, meigo e sincero de agradecimento, Louise retribuiu o sorriso e ficaram ali por alguns segundos.

Louise queria conversar com ela, saber o eu que se passava naquela casa, mas a garota não fala, o que deixava ela ainda mais preocupada, quando estava finalmente conseguindo se aproximar dela, uma senhora de voz rastejante, chegou a puxando.

_ Sua fedelha, achou mesmo que não ia a encontrar!

_ Solte-a, está machucando! Gritou Louise.

_ Você, tinha que ser você, pare de mexer com minhas crianças e de ficar rondando minha casa.

Louise estava furiosa, a mulher estava acompanhada de um guarda, que não falava nada ao ver a mulher arrastando a pobre criança, que chorava desesperadamente olhando para Louise. Naquele momento ela decidiu que iria a qualquer custo fazer algo, lembrou-se da única pessoa que a entendeu e que se dispôs a ajudar. 

Fadada ao AmorHistórias para pegar e não largar. Descubra agora