Capítulo 36

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A tarde na casa dos Monreool nunca havia sido tão estranha e constrangedora, dona Ana estava calada, seu Emanuel parecia irritado e Samantha ainda mais, Katherine tinha nos lábios um sorriso exagerado, não saia de perto de Phyllype, que em nenhum momento se atreveu a olhar nos olhos de Louise.

Quando finalmente retornaram para casa, Louise estava aliviada por sair de um clima pesado como aquele, foi um dia deveras horrível só precisava de um longo banho quente e de se deitar, queria ficar sozinha e chorar, estava se sentindo uma completa idiota por achar que Monreool poderia a vê-la como mulher, com os olhos marejados subiu as escadas correndo, quando estava na metade da escada sentiu alguém segurar seu braço com força, levantou o olhar e viu os olhos castanhos de Amélia se incendiarem de maldade.

_ Parece que o passeio não foi muito proveitoso!

_ Solte-me!

_ Acalme se, eu não tenho culpa se o filho dos Monreool não a quer!

Louise a olhou com ódio, como ela sabia daquilo e como poderia ser uma mãe tão má.

_ Eu disse que estas velha, nenhum homem jovem irá querer se casar contigo, por isso, como a boa mãe que sou, já me encarreguei de encontrar alguém que a queira...Já deves conhecer o senhor Raimundo... rico e muito respeitado na região.

_ Meu pai jamais deixara que me obrigue a casar com esse velho nojento.

_ A ideia foi toda dele, já que não vivera por muito tempo, quer alguém para cuidar de sua querida filha.

_ Isso é mentira sua... ele... não.. Louise não conseguiu segurar as lagrimas, correu para o quarto de seu pai.

_ Diga que és... mentira... daquela mulher, diga pai!

_ Filha, eu... é para o seu bem... sei que não era isso que nós queríamos, mas... as atuais circunstâncias... eu logo não estarei aqui minha filha... não poderei a proteger... me perdoe, mas é necessário.

_ Nãoaoo...

_ Filha... por favor... volte aqui, vamos conversar...

Walter tentou se levantar para ir atrás da filha, mas começou a sentir uma forte dor no peito. Louise correu escada abaixou, passou pela cozinha e saiu pelas portas dos fundos, já estava começando a escurecer, o cair da noite e as lágrimas, dificultavam a visão de Louise, que acabara por passar em alguns ramos espinhosos e cair em um pequeno pedregal, fazendo pequenos ferimentos por seus braços e pernas, levantou-se e continuou a correr, queria fugir de tudo isso, sumir de todos que a machucavam, estava cansada, sem folego e em um total breu, caiu de joelhos no chão, chorou e como forma de expressar toda a dor que estava a sentir, soltou um grito agudo, segurando os pequenos ramos de mato com as mãos, efetuando cortes por toda extremidade da palma de suas mãos. Chorou até sentir os olhos pesarem e adormecer entre o capim.

No dia seguinte acordou com o sol queimando sua pele, sentiu o corpo doendo, por causa dos ferimentos, lembrou-se de tudo o que aconteceu no dia anterior, não queria retornar para casa, levantou-se e andou um pouco mais e ao longe viu a casa dos Monreool, ao chegar no jardim não conseguiu ter firmeza nas pernas, tentou gritar, mas não tinha forças, só viu dona Ana correndo em sua direção desesperada antes de desmaiar. 



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