Capitulo 35- Bônus Nick

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-Força Carol, você consegue!

-Eu não aguento, não consigo mais!

-Você não pode deixar nossa menininha morrer meu amor, força, lute!

Eu estava desesperado, ver a dor e a agonia de minha esposa e não poder ajuda-la só me deixava ainda pior, eu queria poder trocar de lugar, que droga!

A enfermeira a mandava fazer força, até agora não entendi porque não fizeram uma cesariana com muita anestesia, agora tanto minha mulher quanto minha filha correr risco de não sobreviver.

A gravidez dela foi algo tão repentino, mas ao mesmo tempo tão feliz, eu amei minha filha desde que soube de sua existência. Ali naquela cerimonia quando Carol confessou sua gravidez, foi como se mil estrelas brilhassem no meu estomago, além da alegria de estar casado com a mulher da minha vida, agora seriamos presenteados com um filho nosso, eu não poderia estar mais feliz.

E ela fez questão de curtir ao máximo a gravidez toda, tiramos milhares de fotos, fizemos passeios, compramos tudo juntos, e quando descobrimos que era uma menina foi algo além das explicações, era surreal como um ser tão pequeno pode encher nossas vidas de alegria sem nem ao menos existir.

Nós dois estávamos nos preparando para dormir quando a bolça estourou, tivemos que deixar Bruninho com a babá e correr ate o hospital mais próximo, por sorte fomos atendidos rápido...

O amor que sinto por Caroline é algo além do comum, nenhuma palavra poderia descrevê-lo e com nenhum objeto, nem mesmo com o infinito, ele poderia ser comparado.

Eu já amei muito uma mulher antes, éramos jovens e nos conhecíamos desde crianças, mas Lívia sempre foi doente, e quando aquele câncer a levou... Nós fazíamos planos de nos casarmos, mas foi tudo levado de mim.

Quando conheci minha Carol, aquele coração frio se encheu de amor e eu soube naquele momento que ela era a mulher da minha vida.

Ela deve ter me achado um louco desde o começo por ter sido tão rápido, mas eu não queria perder tempo, já havia perdido uma, não podia perder a outra também, e aquilo me torturava, só de pensar que ela poderia ser de outro, eu já sentia meu sangue ferver.

Apesar de “deficiente”, sempre foi uma mulher lindíssima, e o fato de suas pernas não poderem se mover não mudou e nem nunca mudará em nada, ela conseguiu ser forte o bastante para criar um filho e agora seremos para cuidar da nossa pequena Julia que está por vir.

Depois de dolorosos gemidos finalmente eu ouvi o tão sonhado chorinho, a enfermeira segurava uma coisinha pequena e rosa, eu me aproximei e peguei-a no colo.

Julia abriu seus lindos olhos e eu podia jurar que a vi sorrir, ela é linda, perfeita.

Não que eu não ame o Bruno como meu filho, porque o amo sim, e muito. Mas Julia é de fato MINHA filha, de sangue, um pedacinho da união de um amor mais forte que o tempo.

-Senhor, vou pedir que me entregue a criança e se retire do quarto, por favor!

-Por quê? O que esta havendo?

-Sua esposa teve uma hemorragia, precisamos começar o procedimento de reanimação e levaremos sua filha para o berçário.

Então eu me virei e vi minha esposa desacordada, ela estava tão pálida... Eu não conseguia entender, sua gravidez era de risco, mas conseguimos levar tudo sem maiores complicações, ela tomou todos os medicamentos, como isso foi acontecer?

Não me deixaram toca-la, eu fui empurrado para fora do quarto e fiquei naquela agonia massacrante na sala de espera.

Eu só conseguia ver um borrão na minha frente, isso não poderia estar acontecendo comigo, de novo não!

Eu amo Carol mais que tudo nesse mundo, como criarei nossos filhos sem ela? Ela tem que se salvar, ela precisa se salvar!

Fui andando ate a ala pediátrica e me dirigi ate o berçário, a reconheci na hora, ela olhava pra mim através do vidro. Sinto um peso na consciência por dizer isso, mas se para ter minha esposa viva e saudável fosse necessário perder Julia, eu preferia perde-la.

Sei que é horrível dizer isso, mas eu preferia realmente não ter filhos, seriamos só nós três, e Carol estaria ao meu lado, provavelmente em casa comendo pipoca e assistindo filmes.

-Querido, eu vim assim que me ligou, mas vocês moram longe e o transito estava horrível!

Era a mãe de Carol.

-Cadê minha neta?

Eu apontei para Julia e pude ver a emoção no olhar de sua avó.

-E a Carol, como esta?

Então pela primeira vez desde que essa agonia começou eu pude realmente chorar, e não foi um choro simples, eu parecia ate uma criança.

Foram duas horas sem nenhuma noticia, meu coração estava destruído por essa demora.

De repente eu vi a mãe da Carol chorando desesperada vinda em minha direção, meus pés perderam o chão e lagrimas banhavam meu rosto, e senti como se uma facada fosse dada em meu coração...

E ele parou.

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