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ANAYA
Se eu disser que as coisas tem ido bem vocês acreditam? Porque pelo menos eu, desconfio sempre. Ultimamente estou conseguindo organizar tudo, conseguindo colocar cada coisa em seu lugar. Graças a Deus e aos orixás tudo tem acontecido conforme eu planejei.
Hoje eu iria no terreiro com a minha mãe, proveito que finalmente recebi meu pagamento e ainda troquei o dia no estágio. Pelo menos isso, um pingo de paz!
Anaya: Mãe, tenho que terminar só de fazer o trabalho e a gente vai. Sei que deveria tá cedo lá, mas toda vez me atraso.
Luana: Pois é, né minha filha. Hoje você que vai sair com Ogún, precisava ir mais cedo.
Afirmo com a cabeça e continuo com o trabalho, fui raspada com 7 anos de idade. Eu estava muito doente, e foi o candomblé que salvou minha vida. Desde então frequento e sou muito fiel aos orixás. A gratidão que eu tenho por eles vai além de qualquer coisa. Se hoje tenho tudo é graças a eles.
Cada um segue o que seu coração mandar e o meu mandou eu seguir essa religião maravilhosa, sou ekedji e essa foi minha melhor escolha. As pessoas criticam aquilo que não entende, antigamente eu não entendia absolutamente nada, mas quando e para ser não tem jeito.
Depois de quase duas horas finalmente terminei de fazer o meu trabalho da faculdade, por mais que eu esteja fazendo estágio os professores ainda mandam fazer trabalho. O auge!
Anaya: Finalmente!
Mando o trabalho para o email do professor e solto um suspiro, minha cabeça até dói mas no final tudo dá certo. Quando se faz aquilo que gosta tudo fica mais fácil, essa é a mais pura realidade.
Pego o celular e vejo as mensagens que o Lennon mandou, aí gente, a cada dia mais temos nos aproximado. Esses dias até saimos, na verdade, ele me levou para ver futebol. Mais preciso, ver ele jogando. Ver homem suado atrás de uma bola chega a ser engraçado, principalmente ele que se encostar já tá xingando.
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Embuste: Ô caralho, vai responder não? Ai, amanhã tem baile. Vai brotar? Teu mal é não responder os outros. Papo reto, vacilona Anaya: Desculpa, estava terminando o trabalho da faculdade. Mas já vou sair, tenho que ir no terreiro. Embuste: Quando eu te chamo de feiticeira tu não gosta, mas é verdade. Nem sabia que tu gostava desses bagulho Anaya: Nascida e criada na curimba, mô. Tá achando o que? Tô fraca não Embuste: rum, pega visão. Tô te palmeando hein. Vai na paz! Fé.
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Solto uma risada e balanço a cabeça em negação, não sei o que esse bofe pensa. Acha que eu sou propriedade dele só porque tô sentando pra ele, xocotó.
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Anaya: Ai, cheguei. Bença pai.
Assim que coloquei os pés no terreiro, já vi meu babalorixá com uma carranca, solto uma risada e abaixo batendo cabeça para ele.
Pain: Meu pai Ogum te abençoe, tá sumida. Me abandonou, não quer mais saber de nada hein, mocinha.
Vejo ele fazendo um bico e eu só sabia rir, não existe uma pessoa mais carente que ele. Sinceramente, amo muito!
Pain: Vai tomar seu banho de ervas e o sabão da costa tá no mesmo lugar que você sempre bota, viu?
Afirmo com a cabeça e vejo que hoje tá movimentado para a gira, como pode né? Quando é hora de função ninguém aparece, mas na hora todo mundo vem.
Termino o banho de ervas e coloco minha roupa, meu pano da costa está um lixo porque esqueci de lavar mas não dá em nada. Nem ligo.
Ouço o atabaque rolando solto e pelo jeito já tinha começado, inda mais que cheguei em cima da hora. Quando coloquei o pano de cabeça me vejo maravilhosa, aí gente, me julguem mas eu me acho mais bonita com roupa de macumba.
Saio do banheiro e vejo que já tinha começado o candomblé, amo.
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Olha, no final realmente dá tudo certo e a sensação que fica é de dever cumprido. Foi tudo muito lindo e eu só fiz chorar, sou uma mulher de oxum né. Chorar é comigo mesmo!
Pain: Olha minha filha, eu só tenho uma coisa para te dizer. Muito obrigado pelo carinho que você tem com os orixás, o amor que você sente transborda e é lindo de se ver. Mas também tenho um recado para você, porque na última festa de Exu você não veio. Eu entendo que você estava no trabalho e não conseguiu vim, mas dona mulambo pediu para te dar um recado.
Ih, toda vez que mandam recado pra mim é coisa séria ou eu tô fazendo merda. Já fico toda curiosa, principalmente porque sei que estou afastada e esporro nunca é pouco.
Anaya: Pode falar, pai.
Me sento na cadeira ao lado do meu pai de santo e presto atenção em cada palavra que sai de sua boca.
Pain: Então, dona mulambo pediu para você ter cuidado. As pessoas querem seu bem, mas nunca vão querer você melhor que elas. Fica com um olho aberto e outro fechado, traição se vem de quem menos esperamos. Infelizmente as pessoas são muito maldosas, ao invés de acrescentar na vida da gente só vem para atrasar. Você é um ser de luz, você tem um brilho próprio e isso traz inveja. E outra coisa, você tem alguém no seu caminho que precisa muito de você. Preste atenção, essa pessoa está passando por um momento difícil e você pode ajudar ele a ultrapassar isso. Você vai saber quando for a hora, a gente sente quando precisam da gente.
Quando ele terminou eu já estava arrepiada da cabeça aos pés, juro pra vocês. Pode passar décadas que nunca vou me acostumar com certas coisas. Com pode né? Fico algumas semanas sem aparecer mas mesmo assim eles lembram de mim.
Anaya: Muito obrigado, e agradece dona mulambo. Fala pra ela que a próxima vez que eu vim, vou fazer um trabalho lindo pra ela. Mulher da minha vida, mesmo!
Pain:Você não está esquecida minha filha, é uma menina de ouro e todos que entram no seu caminho costumam perceber isso. Nós te amamos, aqui é sua casa e somos sua família.
Limpo a lágrima que escorreu de meus olhos e me levanto para abraçar meu pai, fico ali igual criança mesmo atrás de colo. Não disse que quando a esmola demais até o santo desconfia? Agora não será diferente!
Me despeço de todos os meus irmãos de santo e do meu pai, abraço minha mãe e saímos do terreiro. Começamos a subir o morro conversando sobre tudo, minha mãe é muito minha amiga. Ela sabe muito bem que fico com o Lennon, não tenho necessidade de esconder absolutamente nada dela.
Sinto meu pé doer de tanto subir morro, aí o Chapadão é grande demais. Todo lugar que tu olha ver morro, crê em Deus pai.
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