Trigésimo quarto

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—Como estão indo as obras na Espanha? — Madson perguntou enquanto fazia alongamentos junto a Lana. — Os espanhóis tem mantido contato?

—Toda semana, infelizmente. Os cretinos estão seguindo o modelo da obra de Iori. Ao menos sei que ficará bonito.

—Ótimo. Quando ficar pronto quero que você vá lá.

—Não.

—Questão de bom senso, diplomacia. Eles são uns cretinos, mas agora fazem parte da Infinity e temos que manter uma boa relação. Não é todo dia que arranjamos sócios ricos do exterior.

—Por que mesmo nem você nem Leon se moveram para aprender espanhol? — Ela a encarou com impaciência, descontente com a ideia da viagem.

—Leon fala francês e conseguiu o patrocínio da marca de eletrônicos para podermos gravar aulas, além de contratar um professor francês para as aulas de balé. E minha segunda língua é alemão.

—Que você nunca usou. Duvido que lembre uma palavra.

—Leve seus guarda costas se te fizer sentir melhor. Mas vá. Você sabe melhor que ninguém como foi difícil fazer essa academia crescer. Não coloque isso a perder por bobagem. Eles não farão nada contigo.

—Guarda costas?

—Sua esposa? A que anda como uma sombra atrás de você? Ou a amante, que você faz correr atrás por migalhas.

—Ah, achei que quem tivesse corrido atrás de migalhas tivesse sido você.

—Garanto para você que foi muito além de migalhas.

—Foi tão bom que ela voltou para mim, não é? É melhor você calar a boca.

—Me faça calar. — Madson a encarou com intensidade, esperando que ela fizesse algo.

—Vai ser assim agora? — Lana respirou fundo. — É insuportável trabalhar com você Madson. — Ela a encarou, mas ela não disse nada em resposta. — Olhe, em respeito a Kael, eu não vou dar o que você está pedindo. Mas é impossível continuar desse jeito.

—Nisso estamos de acordo.

—Temos que fazer algo sobre isso, não acha?

—Você insistiu que eu ficasse em Chicago. Por mim eu já teria voltado a Nova York.

—Então volte. Ou quem sai dessa sociedade sou eu.

—Você não faria isso. Se romper o contrato será pior e sabe disso.

—Pior do que viver nesse clima de guerra todo dia? Primeiro foi por causa do divórcio, então meu casamento e a forma como trata minha filha, agora você se envolve com Laura. Como isso vai dar certo se a gente não se suporta?

—Lana, você não pode sair, eu preciso de você aqui. Se você sai a academia cai por terra. — Madson a olhou com preocupação. — Você sabe disso. E eu preciso de sua ajuda com Kael. Se eu volto para Nova York meus pais vão mimar o garoto.

—Então como vai ser, Madson? Achei que só falar sobre trabalho estava bom, eu podia lidar com sua raiva de mim. Mas se envolver com Laura mesmo que fizesse tão pouco tempo que estávamos separadas? Isso foi o pior Madson. Jogar isso na minha cara diariamente é insuportável.

—Eu sei, e sinto muito. Mas não saia da Infinity por minha causa. Eu posso parar as provocações se você parar de trazer elas aqui.

—Elas? Minha família?

—Sim. Todas elas. É uma questão de noção, Lana. Elas estão sempre aqui, é sufocante.

—Sempre, Madson? Não seja dramática. Por que você se importa com isso? Você está namorando e ainda se importa com Laura e Iori estarem comigo e termos uma filha. Isso não vai funcionar mais Madson. Não temos como continuar convivendo diariamente no trabalho.

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