Trigésimo sétimo

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—Oh, achei que estava atrasada. — Lana falou ao entrar na sala de Madson, retirando o casaco e lenço e colocando sobre uma cadeira, seguindo para a janela.

—Você está, mas Leon está mais ainda. Disse que teve que levar o gato no veterinário. — Madson ergueu os olhos por um momento para a olhar, vendo-a abrir as persianas e deixar a pouca luz entrar, o som da chuva se tornando mais forte. — Pare com isso, é irritante.

—Está escuro aqui dentro, e eu adoro o som da chuva. — Ela se virou e sentou na cadeira de frente para Madson, cruzando as pernas. — Seremos só nós ou marcamos para mais tarde?

—Ele deve chegar logo. Só teremos a companhia de um gato no processo.

—Está bem. — Ela relaxou na cadeira, respirando fundo.

—Gostei do colar. — Madson comentou, pousando o celular sobre a mesa. — Dos brincos. São novos?

—Sim. Ganhei hoje de manhã. Aquelas duas... — Ela sorriu, tocando a pedra no colar.

—Lembra teus olhos.

—Sim. Foi a intenção.

—Você é tão mimada. — Madson sorriu. — Sua filha vai ser tão metida quanto você?

—Não, claro que não. Estamos equilibrando as coisas. Ela é adorável e inteligente. Está aprendendo mais palavras.

—Rápida ela. Já deve estar correndo pela casa inteira.

—E está. Fico maluca para ter certeza de que não vai se machucar.

—Era assim quando Daph era pequena?

—Era diferente. Eu sempre cuidei dela com a ideia de que era para Kristin. Agora não. Sou a responsável integral por ela. Tudo que fizer agora é para a vida inteira, como mãe sou responsável por todo o processo. O peso é maior.

—Eu posso imaginar. Digo, eu sei que Kael não é meu filho, mas é como se fosse. Stella ensinou várias coisas para ele, eu nunca vou deixar que ele se esqueça dos pais. Mas diariamente é diferente. Sou uma referência para ele e a responsável.

—Ele te ama. Podemos não ser as mães dele, mas ao menos tentamos dar o melhor para ele.

—Já estou feliz que ele tenha me aceitado ao invés de preferir ficar contigo. Você tem um mel com as crianças que não nos deixa competir.

—Elas reclamam da mesma coisa. Mas não há nada que eu possa fazer. Eu adoro crianças. Talvez no fundo elas só reconheçam a criança que tem dentro de mim.

—Seria uma boa explicação. Só significa que tive que trabalhar mais para me aproximar de Kael.

—Ele te ama, sempre fala de tudo que fazem juntos. Você pode se gabar quando decidir ter uma coisa pequena para chamar de sua.

—Um filho? Não sei. Acho que estou velha demais para ter um bebê.

—Você está madura, é a melhor idade para ter uma criança. Você está mais focada e estável financeiramente.

—Eu não tenho a mesma paciência que você, Lana. Não tenho nem alguém para decidir ter uma criança agora.

—Mas é algo que você quer?

—Sim, sempre foi, Lana.

—Então você pode ter. Tem uma renda fixa, é estável, tem custódia de outra criança que te ama. Você tem tudo a seu favor.

—Mãe solteira, Lana?

—Solteira, não sozinha. Você tem seus pais, mas sei que você é capaz de lidar com mais uma criança.

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