Iori desviou o olhar tão logo Laura a encarou pela manhã, concentrando-se no café que bebia e a deixando se servir. Ela se sentou ao seu lado, comendo silenciosamente por algum tempo.
—Você dormiu ao menos um pouco?
—Não. — Ela a olhou com o canto dos olhos. — E você?
—Mal. Você comeu?
—Pouco. Eu saí cedo para ir à farmácia, Lana estava vomitando no meio da noite. Acho que ela está ficando doente.
—Lana? Isso é incomum. Ela falou mais alguma coisa?
—Acho que é virose. Ela estava com dor de cabeça e de barriga. Estava com febre mais cedo. Mas tomou o remédio, agora está dormindo.
—Ela tem que ir ao médico.
—Eu sei. Ela disse que vai ver como acorda, se não melhorar eu a levo.
—Ela estava bem quando chegou de viagem. Será que comeu fora ontem?
—Não, ela almoçou em casa. Jantou em casa. E minha mãe não tem costume de comer fora.
—Pode ser emocional. Ela esteve com essa carga na viagem com Madson, então tem um garoto que é responsável. Pode ter ficado mais suscetível a ficar doente.
—Você é a psicóloga. Eu só quero que ela fique bem.
—É melhor ela ir ao médico ainda assim. Pode precisar de remédios prescritos. Você pode leva-la?
—Claro, você não pode faltar no hospital. Eu cuido dela.
—Como você está depois de ontem?
—Um trapo. Tivemos essa mesma discussão, lembra? Quando você começou a querer isso. Achei que não voltaria a isso. Lana nunca foi do tipo de insistir em casamento.
—Querida, ela foi casada pelo tempo que estamos morando juntas. Ela não está aqui por diversão, e se casar conosco estiver ao alcance dela, é claro que ela iria querer agarrar a oportunidade.
—Então estou errada em recusar? Achei que estivesse tudo certo em vocês duas casarem.
—Por que casar só com uma de nós se ela achou que poderia ter a nós duas?
—Eu odeio minha mãe agora. Ela fez a melhor oferta para fazer a cabeça de Lana. Ela só pode ter feito de propósito para gerar conflitos entre nós.
—E se for genuíno? Desculpa, mas eu tenho que pensar nisso também. — Ela suspirou para o olhar impaciente dela, tocando seu rosto com os dedos e acariciando. — E se sua mãe gostou de Lana e a quer usar como pretexto para nos deixar em paz?
—Ela quer um jeito de me controlar, isso sim. Não deve suportar que além de não ter me separado de você, ainda estou com Lana.
—Por que não marcamos um encontro com ela? Assim podemos ter certeza.
—Por que? Por que não podemos continuar como estamos?
—Eu fiquei pensando em algo que ela disse ontem. — Ela desviou o olhar, despedaçando a torrada em migalhas. — Quando tivermos um filho eu quero que nossas famílias o aceitem como parte delas. Quero que meus pais o aceitem como aceitaram o filho de Cláudia e os de Fernando.
—Oh, babe. — Iori envolveu sua cintura, abraçando-a de lado e beijando sua bochecha. — Eu sei que isso incomoda você.
—E sei que te incomoda que sua família nunca tenha te aceitado e mantido distância.
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Nossa Vida Juntas
RomansaLana está superando um divórcio após anos numa relação intensa, e não esperava se apaixonar por uma de suas alunas da academia de dança. As coisas mudam quando sua aluna e a namorada demonstram interesse nela, e propõem uma relação. Envolvida por Io...
