- CAPÍTULO CINCO -

442 37 0
                                        

Ontem o tempo estava nublado mas o sol brilha pra caralho hoje.

Estou feliz, hoje é o rodízio do restaurante da minha mãe e ela está balançando os peitos toda hora.

Não contei que fui reclamar de madrugada para os vizinhos e por incrível que pareça estou um pouco triste por ter mentido.

Mas foi engraçado.

Estou triste por que é o último livro da minha série, e estou quase terminando.

Estou feliz por Nina.

Odeio isso, estar com vários sentimentos.

Meu colchão secou um pouco, acho que a noite já vai estar totalmente seco para que eu possa dormir no meu quarto.

Mamãe está no restaurante desde das sete da amanhã, ela anunciou em cartazes na internet e em uma placa na frente do restaurante, que a partir das duas estará aberto para o rodízio.

Mas não é qualquer rodízio, como de pizza ou churrasco.

É um pra tudo, pratos, sobremesas, lanches e estaram inaugurando uma churrasqueira já que ainda não tinham.

Estou passando creme pelo meu cabelo e corro até a mesinha para pegar meu celular que toca sem parar.

— Liz, minha princesinha, traga uma roupa para mim por favor.— Minha mãe geme, é baixo já que escuto passos e conversas do restaurante.

— O que houve com sua roupa?— Apoio o celular no ombro enquanto coloco o tênis.

— Quando fui servir um prato com molho, derrubei.— Ela bufa impaciente.— Tem muitos clientes.

Sorrio me levantando e fechando a janela do meu quarto.

— Isso é maravilhoso, mãe. O que quer que eu leve?

Enquanto fecho a cortina, vejo Collin andando pelo quarto.

Já vi ele tantas vezes ali, deve ser o quarto dele.

— Tem um vestido pendurando no cabide.— Ela começa a dar ordens para alguém.— Venha logo com essa roupa, estou ficando maluca.

Dou uma risadinha e desligo.

— Ande, Lili!— David grita do andar de baixo.— Vou te esperar no carro.

Pego minha jaqueta preta e corro até o quarto da minha mãe.

Reparo que o vestido é decotado, Meu Deus.

Desço correndo e saio de casa embolando o vestido.

— Entre.— David se inclina um pouco para abrir a porta do passageiro.— Trancou a porta?

Nego com a cabeça. Jogo meu celular e o vestido no banco.

— Sua mãe vai matar a gente.— David diz enquanto corro e tranco a porta.

— Pronto.— Fecho a porta e ele acelera.

Minha mãe odeia atrasos, ela só não odeia tanto quanto bagunça.

Quando ela nos vê andando do estacionamento que fica atrás do restaurante até ela, ela está com uma sombrancela arqueada.

O cabelo está preso em um coque alto, sua blusa branca está com uma enorme mancha vermelha e sua calça jeans preta esta intacta, junto com seus saltos pretos que tem a sola vermelha.

— O que houve com você, bebê?— David pergunta a minha mãe ao dar um selinho nela.

— Seria bom se você não usasse esse apelido em público, David.— Digo entrando no restaurante.

— Fui servir...— Paro de escutar ao chegar na cozinha.

Merda meu cabelo está solto.

Não entro totalmente.

— Como vai, Liz?— Willian entra com a bandeja vazia que logo está cheia.

— Ótima e você?— Pergunto olhando em volta, procurando Nina.

— Ocupado.— Ele ri e sai com bandeja cheia.

Mais alguns funcionários me cumprimentam e logo minha mãe entra com os vestido preto até os joelhos dando ordens.

— Seu pai pegou uma mesa para vocês.— Ela coloca um toca na cabeça.— Daqui a pouco eu sento lá.

— Tá bom.— Beijo sua bochecha e saio entrando no corredor dos banheiro femininos.

Caminho pelo corredor vermelho, até encontrar a entrada de pisos brancos.

Entrei e procuro em cada cabine por Nina.

Quando não a encontro saio e começo a seguir pela área onde os clientes estão.

Tem um palco vermelho alto na parede no meio das duas estradas para os banheiros.

Ainda não tem um cantor ou cantora, apenas o som que toca uma música baixa.

Os garçons passam com presa pelos espaços, atendendo às mesas.

Muitas delas com toalhas vermelhas, e pratos cheio de comida.

O restaurante é divido em duas partes, sendo a divisão um tipo de piso mais alto, que parece um rodapé do meio, onde o outro lado tem uma TV, que passa um jogo de futebol.

David acena com as mãos para o alto para mim. Nina está sentada com ele.

Corro até ela, abraçando ela.

— Pensei que odiasse lugares lotados.— Ela brinca beijando minha bochecha.

— Odeio mas pensa engraçado uma mãe que é dona de um restaurante.— Sento ao seu lado e David faz sinal para o garçom.

— Soube que foi aceita para universidade de dança. Que ótimo.— Ele comenta sorrindo.

Ela suspira e começa a falar.

— É tão bom, ainda acho que é um sonho, quero pular de alegria.— Ela diz animada.

Fizemos os pedidos e começamos a conversar.

— Quando recebeu a carta?— Pergunto tomando minha caipirinha.

— Na quarta, eu ia te contar só hoje mas não aguentei.— Ela da uma risada baixa.

— Eu estou tão feliz por você, Nina. Não sabe o quanto.— Digo pegando suas mãos.

Ela olha pra mim com os olhos verdes brilhando.

Sei o quanto ela gosta de dançar.

— É tudo tão bom, que nem parece real.— Ela começa a chorar baixo e eu acariciou sua mão.

— Você vai chorar muito por todas suas conquistas.— E ela chora mais profundo.

David que fez amizade com um cliente olha assustado para mim, enquanto eu bato nas costas de Nina.

— Vou levar ela.— Digo e ele assente voltando a conversar.

Vou andando com ela até o estacionamento, onde ela começa a contar a reação de sua mãe e como seu irmão ficou feliz.

Nesse momentos que ela comenta do irmão, sinto falta do meu.

Nicolas, o irmão dela acabou de anunciar o dia do seu casamento.

Tivemos um lance quando me mudei para esse bairro mas não durou muito, ele foi meu único namorado sério.

Até que foi bom e terminou amigavelmente.

Nina voltou lá para dentro e pediu a chave do carro de Willian, ficamos bebendo e achando palavras no caça-palavras que ele sempre mantia no porta luvas.

— Quanto você vai se mudar?— Pergunto circulando a palavra ' Atmosfera'.

— No começo do mês que vem, mas provavelmente volto no final do mês por conta do aniversário da minha mãe.— Ela circula a palavra ' Planetas ' e me passa a caneta.— Preciso fazer xixi.

Ela avisa antes de abrir a porta e sair.

Continuo marcando palavras até ela voltar.

Sonhos Escuros Onde histórias criam vida. Descubra agora