- CAPÍTULO TRINTA E OITO -

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Segunda-feira é o pior dia da semana a partir de agora.

Eu nunca fui de odiar dias das semana, mas essa segunda estou odiando.

Eu me atrasei e quando sai para a faculdade percebi estar com o pé de um tênis e outro diferente no pé esquerdo.
Eu me vesti no escuro já que estava atrasada a mais de quarenta minutos.

Nem tive tempo de tomar banho, só me vesti e amarrei o cabelo descendo as escadas.

No caminho me xinguei mentalmente várias vezes por não ter tido coragem de falar com Collin e nem tempo.

Ele estava tirando a moto da garagem, arrumado para ir para faculdade.

Eu queria marcar para conversamos ou pelo menos pedir para que fosse a sorveteria mas lembrei da hora.

As aulas que não perdi foram um saco, me mantive acordada em aulas teóricas e na última passaram um trabalho para fazer em tela.

Pintar algo que tem um grande significado para mim.

Sério professor Charles?

Eu poderia pensar e já escrever em meu caderno mas estava atrasada, ou eu corria para comer algo rápido ou desmaiava dirigindo para o trabalho.

- Não posso atender agora, Josie.- Digo dando uma mordida no lanche que comprei.

- Preciso fazer uma pausa.- Ela diz saindo sem atender o cliente que a espera.

Esse não parece um bom dia para ela também.

Quando cheguei ela já estava com a cara amarga e reclamando.

- Tudo bem, ogra.- Digo engolindo meu lanche seco.- Eu posso atender enquanto como!

Atendo uma mulher que parece estar com todos os filhos a esperando na mesa.

Tento manter minha calma e atendê-la com educação. Não é sua culpa eu estar brava.

Não é culpa sua eu ter transado com meu amigo.

Não é culpa sua ter odiado as aulas.

Não é culpa sua acordar atrasada.

Não é culpa sua...

- Já está bom de calda.- A moça diz, percebo que estou apertando a calda em um pote de sorvete que já está cheio.

- Oh, me desculpe.- Digo suspirando.

- Tudo bem, só me dá logo isso.- Ela diz pegando os outros dois potinhos na mão.- Estou com duas meninas barulhentas de cinco anos na mesa e meu filho de quatorze que acabou de chegar na época da puberdade.

Dou uma gargalhada.

Talvez os dias dessa mulher sejam piores que os meus.

- Vou te ajudar.- Pego mais os dois potes de sorvete e a ajudo levar.

Ela dá os potinhos para as duas crianças, acho que gêmeas.

- Mamãe, não tinha bolacha de óreo?- Uma pergunta olhando o sorvete em sua mão.

- Não tem, filha. Vamos para o carro.- Ela sorri para mim de maneira envergonhada.- Tenho mais uma de dezenove que está brigada com o namorado.

- Sério?- Pergunto e ela assente batendo de leve no ombro do menino puberdade, que está com o celular celular mãos.- Vou te dar meu número, peça para sua filha me ligar.

Não sei por que caralhos fiz isso, mas dei meu número a ela.

Está brigada com o namorado, talvez entenda minha situação.

Quando chego em casa sou pega de surpresa por minha mãe, que está com malas subindo as escadas.

- Um funcionário da sua mãe vai passar umas semanas aqui, a dona da casa o expulsou por brigar.- David diz pegando sua bolsa que estava no chão.- Se comporte.

Ele bagunça meus cabelos e sai.

Deixando a porta aberta.

- Oi, Liz. Me desculpe chegar assim, só quero pedir um favor a você.- Brenna diz na porta.

- Tudo bem, não sei se vou poder fazer...

- Claro que vai, boba.- Me interrompe balançando os cabelos loiros.- Tenho um quarto ao lado do meu em casa, quero pintar as paredes, mas não de qualquer jeito. Quero desenhos a mão do céu.

- Isso parece incrível, mas não sei se vou ter tempo.- Digo fazendo uma careta.

- Pode ser depois que você chega do trabalho.- Ela diz calma.- Não me importo com a hora.

- Posso começar amanhã, hoje estou enrolada.- Digo sorrindo.

- Obrigada, Liz!- Ela me abraça forte.- Você é um anjo.

Ela sai saltitando depois que aceito desenhar em suas paredes.

Uma figura exótica.

Subo até o quarto de hóspedes, vendo minha mãe forrar a cama com lençóis limpos.

- Quem virá passar uns dias aqui?- Pergunto tirando meus tênis em pé.

- Tyler.- Diz arrumando os travesseiros.- Ele vai ficar apenas duas semanas, seja boazinha.

- Eu sempre sou. Mas porque?- Pego meus tênis no chão.

- Ouvi David te falar, é isso mesmo, ele brigou com a dona depois que ela quis aumentar o aluguel.- Ela diz vindo até mim.- Ele é um doce mas perde a paciência rápido.

- Então estamos hospedando um descontrolado?

- Não faça esse comentários, Liz. Ele é um bom garoto.- Ela diz sorrindo.- Tome um banho para não assusta-lo com seu cabelo bagunçado.

Reviro os olhos e sigo meu caminho até meu quarto.

Nada de comentários para o descontrolado.

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