Ajoelhou, tem que rezar

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Konoha

Janela da sala de estar da mansão Hyuuga

Hanabi suspirou pela décima vez naquela manhã. Como sempre, os olhos sonhadores fitavam a parte exterior da janela. Já havia se passado uma semana desde a noite do baile e Konoha estava estranhamente quieta. Até mesmo o colunista infame dera algum sossego após o casamento apressado de Lady Ino e o vexame público de Sakura.
É, Konoha poderia estar calma, mas a casa dos Hyuuga, não. Entre as três irmãs, percorriam sentimentos divergentes: Hinata era a imagem da felicidade, era dada a sorrisos e suspiros; Hanabi seguia a mesma linha, apesar que conter as emoções para não chamar atenção, contudo Sakura… bem, a rosada quase não saía do próprio quarto, até mesmo as refeições, fazia por lá. Preferia ter contato somente com os criados da casa.
A Haruno se sentia envergonhada desde que, dia após dia, o tal colunista publicava algo a atacando, tal qual:

Caros leitores, é sempre válido lembrar que ainda que se tenha um noivado distante, ele continua sendo um noivado de fato. Ah, pobre linhagem do marquesado de H.! Não me surpreenderia se, em algum momento, nasça um herdeiro de origem duvidosa… pelo menos Lorde U. tem cabelos negros como os H., só temo que Lorde N. não chegue a tempo, antes que uma indigestão faça Lady S. ficar um tanto arredondada… o que parece que não vai demorar muito.

E esse não fora o pior dos folhetins. O marquês estava dividido entre a euforia pelo casamento iminente da filha mais velha e pela desgraça que recaiu sobre os ombros da Haruno após as danças escandalosas com Lorde Uchiha. O duque havia tentado remediar tal escândalo, contudo, Hiashi preferia não manter contato com ele. Enquanto isso, Hanabi se mantinha à margem de tudo, vivendo em seu próprio mundo de lembranças.
A noite de fogos de artifícios rendeu bem mais do que ela pensara em um primeiro instante. Konohamaru deixara marcas em seu corpo, coração e alma… e ela não podia deixar de se sentir vibrante de felicidade. Não importava quantas camadas os separassem, o amor transpassava cada uma delas.
Seu coração dava saltos somente ao se lembrar da carta que seu amado mandara no dia seguinte àquela noite mágica.

Minha querida, estimada, amada, adorada Hanabi,

Temo que os adjetivos já não sejam o suficiente para descrevê-la, nem mesmo um compilado deles. Não faz ao menos uma hora desde a última vez que a vi, ainda assim, o meu coração já sente a sua ausência. A minha pele sente o frio por não ter o seu calor para me aquecer, os meus lábios lamentam a distância que estão dos seus e os meus braços clamam por envolvê-la.
Ah, Hanabi, se você soubesse o quanto todo meu ser precisa de ti, você jamais me diria adeus. Céus, receio estar atormentando-a com meus devaneios apaixonados, no entanto, como não poderia me render ao avassalador amor que você provoca em mim? Deus, fico apavorado somente por imaginar despertar desse sonho lindo que é te ter em minha vida. Estaria a minha mente pregando-me peças?
Ah, minha doce Hanabi, ainda que você não passe de um devaneio meu, minha vida já teria um significado. Porém, você é real e é minha.  Ainda agora estou em êxtase, pois vivi a mais linda noite da minha vida.
Até mesmo o seu nome é esplêndido e encontrou algo que o expressa divinamente bem. Lembra-se do hanabi que vimos explodir no céu? Aquele momento ficou gravado no meu corpo e alma. Quando os fogos se desmancharam no céu, temo ter perdido grande parte do espetáculo apresentado lá, pois estava absorto demais fitando-a.
Primeiro, seus olhos arregalaram, um grito agudo escapuliu de sua garganta pelo susto provocado pelo estampido, a boca se abriu em um O perfeito. Você parecia estar arrebatada por aquelas luzes no firmamento, enquanto isso, eu estava embevecido por você.
Se ainda existiam dúvidas em mim — duvido veemente disto —, acabaram-se naquele instante. Eu nasci para te amar e não poderia desposar outra mulher que não seja você. Por isso, minha amada, que eu quis sentir teu êxtase em minha boca.
Sei que não é o certo diante da Sociedade, e me martirizo por te fazer descer tantos níveis na hierarquia social, contudo, meu amor, quando estou com você eu não quero me conter entre amarras que me são pesadas demais. Eu só quero fazê-la feliz.
Por este motivo, quando senti o arrepio em sua pele leitosa, eu quis fazê-la arrepiar ainda mais. Quando minha boca absorveu o suspiro desejoso da sua, eu quis fazê-la suspirar mais. Quando eu senti que suas unhas me arranhavam, eu quis que você me arranhasse muito mais.
Ah, minha querida, parte de mim quer que eu abomine a mim mesmo por ter deixado meus dedos abrirem o seu vestido, despindo-a na noite fria. A parte sensata do meu cérebro me amaldiçoa por ter provado a sua pele sob a minha língua. Todavia, minha amada, eu não consigo sentir nada além de reverência diante da nossa entrega.
Quando fitei o seu rosto enquanto você se desmanchava sob mim, eu senti que era — pensando bem, eu sou — o homem mais afortunado que tocou os pés na Terra, por ser o único que terá um espetáculo de hanabi por todos os dias da minha vida. Por isso, minha adorada Hanabi, mesmo que a minha racionalidade grite, xingue, amaldiçoe, eu não me importo.  O que é a sanidade comparada ao arrebatamento que você me causa?
Todavia, ainda que muitos não me considerem como cavalheiro, eu o sou, e te honrarei da maneira que você merece meu amor. Tomarei um empréstimo com o Uzumaki, e logo mais arranjarei uma propriedade para que possa construir uma casa e transformarmos os nossos sonhos em realidade juntos. Sei que isso está aquém do que você merece, no entanto, darei minha vida para que você possa ter conforto no nosso lar.
Em breve, irei à propriedade de seu pai para pedir a sua mão em casamento. Esteja pronta para mim da mesma forma que meu coração está pronto para você desde o nascimento.

Amando o inimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora