Olá, pessoal. O capítulo postado é um pouco complexo, porque nos faz compreender dimensão dos traumas de Anne, e como toda a sua personalidade complicada foi construída. Talvez muitas pessoas lendo as palavras que escrevi nesse capítulo a considerem tola ou fraca, mas, quero que entendam que ela precisou de muita coragem para se levantar depois de ter chegado ao fundo do poço, e é aí que reside a verdadeira força, a capacidade de reconstruir sua vida diariamente colocando um tijolo de cada vez, mesmo que isso signifique derrubá-lo muitas vezes e recomeçar tudo de novo. O sofrimento nos fortalece a medida que aprendemos a sair de uma realidade que tolhe nossas vontades, para uma melhor onde temos a liberdade de ser quem realmente desejamos ser. Se libertar de si mesmo não é uma tarefa fácil, mas quando isso acontece é que a vida nos mostra o nosso grande propósito nesse mundo, que é criarmos uma melhor versão de nós mesmos. Por isso, eu quero dedicar esse capítulo a todos os meus leitores que tem seguido essa história com tanta dedicação, e saibam que sempre existe um arco-íris depois da tormenta, basta que sejamos capazes e enxergá-lo com nossos corações. Muito obrigada pelas tantas visualizações nessa história, pelos comentários e votos, significa muito para mim. Beijos, Rosana. Ps; A música esse capítulo é antiga, mas traduz exatamente o que Gilbert significa na vida de Anne.
ANNE
Uma semana havia se passado desde as bodas de Irina e John, e a vida em comum de Gilbert e Anne continuava um conto de fadas.
A proposta de casamento veio apenas fortalecer um amor que crescia a olhos vistos, e se antes Anne tinha dúvidas de que Gilbert Blythe era seu futuro, naquele pouco tempo em que voltaram a morar juntos, ela compreendeu que toda a sua felicidade estava ao lado do jovem médico.
Gilbert parecia ter deixado realmente seu passado para trás. Nunca mais ele tocara no nome de sua falecida esposa ou de seu filho perdido, o que era algo positivo do ponto de vista de Anne, pois assim poderiam começar sua vida a dois sem que ela sentisse que os sentimentos de Gilbert se dividiam entre seu amor por ela e uma mágoa que parecia que nunca teria fim.
Ela estava feliz que o bebê que esperava tivesse de alguma forma ajudado a curar aquela dor que por muito tempo ela vira Gilbert carregar dentro de seus olhos. Era maravilhoso ver o quanto ele parecia feliz, o que só aumentava seu receio de o decepcionar. Em alguns momentos, ela ainda se sentia inadequada, dentro de um corpo que não parecia lhe pertencer. Muito desse alheamento tinha quase desaparecido com a medicação natural que vinha tomando, porém, Anne às vezes tinha a sensação de estar se observando por trás de uma vidraça, e aquela garota feliz que tinha o mesmo rosto que o seu, e o corpo idêntico ao seu parecia dissociada de quem ela realmente era.
Era um transtorno chamado despersonalização que vinha tratando com o Dr. Benson, e com o qual vinha lutando contra a algum tempo. Ele lhe explicara que isso era comum no caso dela que sofrera de depressão grave e um estresse emocional que a levara tanto a um esgotamento físico quanto mental. Embora ela estivesse relativamente bem nos últimos tempos, seu psicológico ainda precisava de ajustes que só a terapia contínua poderia lhe dar.
Deste modo, Anne ia vivendo um dia de cada vez, se adaptando a tudo o que era novo com relativa facilidade, e aprendendo a aceitar que merecia ser feliz, pois conquistara esse direito depois de tanto tempo de sofrimento trancada dentro de si. Gilbert era sua conexão com o presente, se encontrava naqueles olhos castanhos toda vez que se sentia perdida de si mesma. Eles eram sua bússola, que a guiavam entre as névoas da irrealidade, até a vida que tinha agora, e na qual tentava se agarrar para nunca mais voltar para o limbo da sua inconsciência emocional.
Ela ainda tinha medo pelo bebê, mesmo Gilbert lhe assegurando que sua gravidez era segura, que ela estava infinitamente melhor do que quando fora para a clínica totalmente catatônica.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Broken Hearts- Anne with an e
Fiksyen PeminatUm coração partido o outro magoado seriam capazes de se curar? Gilbert Blythe, um prodígio na área de Psiquiatria volta ao Canadá depois de anos vivendo na Inglaterra onde se formou e trabalhou em sua área em um grande hospital em Londres. Após perd...
