Capítulo 57 - Dores da alma

254 14 70
                                        

Olá, pessoal. Mais um capítulo de broken postado. Vou esperar que me deixem a impressão desse capítulo por meio de seus comentários, pois deixou-me exausta escrevê-lo. Alguns pontos ficaram pesados e intensos demais, por isso qualquer coisa que eu dissesse aqui não faria jus ao capítulo. Muito obrigada por seguirem essa história. Beijos.

Existe um limite tênue entre a luz e a escuridão, onde a alma pode facilmente se perder. Existe uma linha divisória bem pequena entre a sanidade e a loucura, o real ou imaginário, por onde a mente pode facilmente viajar e nunca encontrar seu caminho de volta. Existe uma ponte que pode te levar para o fim ou o recomeço, isso somente cabe a você escolher. (Rosana Mandelli)

ANNE

Anne deixou seu olhar correr pelo ambiente, sentindo a atmosfera leve e lúdica que sua arte assim como sua imaginação conseguia criar.

Logo seus olhos encontraram o objeto de sua devoção naquele dia, reproduzindo-o fielmente tal qual o via e sentia em seu coração. Sua fixação por detalhes sempre fora sua melhor característica como pintora, e por isso quem admirasse seus quadros se sentiria frente a frente não como uma versão copiada de sua fonte original, mas sim o próprio original em si, e era assim que sua excelência como artista era reconhecida e a colocava em um patamar muito alto em relação a outros que buscavam chegar até onde ela chegara sem realmente imaginar que um dia aconteceria.

Anne pintava por paixão e não por fama, e fora esse amor puro e inabalável por sua profissão que a tornara tão grandiosa aos olhos dos críticos que a viam como um diamante raro entre outros que apenas fingiam entender de arte, colocando em suas telas mediocridades que com o tempo se tornariam lixo artístico, juntando poeira em alguma galeria vazia.

Porém, naquela tarde, ela não estava procurando pintar nada extraordinário, embora já o estivesse fazendo sem o perceber. O que desejava era imortalizar o seu amor por um homem que era toda a riqueza que desejava na vida, e que aceitara mais uma vez participar da loucura de sua mente criativa.

Não tivera tanto trabalho em convencê-lo dessa vez. Ela apenas pedira e ele concordara, como se temesse contrariá-la por conta de sua gravidez, o que a fazia rir toda vez que pensava no assunto, e chegara à conclusão que estar grávida de Gilbert Blythe tinha vantagens que nunca imaginara.

Por essa única e exclusiva razão, ela e seu lindo doutor estavam no estúdio com o qual ele lhe presenteara naquela tarde de terça-feira para um novo projeto Anne Shirley Cuthbert. Ela decidira que queria fazer outro nu artístico de seu noivo, e até pensara em quantos surtos ele teria ao saber de sua ideia e que dessa vez Gilbert teria que posar com menos trajes que da última vez.

Quando soubera o que Anne desejava fazer, ele simplesmente perguntara:

- Quando começamos?- Anne o olhara com seus olhos azuis arregalados e dissera:

- Não vai me perguntar como eu quero que pose para mim? - Gilbert a olhara com um sorriso hesitante e respondeu:

- Como da outra vez?

- Talvez um pouco mais explícito que da outra vez.- ela disse, esperando a primeira expressão chocada, o olhar cheio de pânico e por último um sonoro e grandiosíssimo não . E mais uma vez, Gilbert a surpreendeu ao perguntar :

- Você poderia ser mais específica, por favor?

- Eu quero que você pose de cueca.- ela disse, sentindo as bochechas arderem. Não tinha cabimento nenhum sentir vergonha de pedir algo assim ao próprio noivo quando já o vira de todas as formas que seus olhos tiveram o privilégio de ver. Porém, não estavam falando de uma situação íntima entre eles, e sim de um trabalho íntimo e sensual o bastante para mexer com a libido de qualquer mulher.

Broken Hearts-  Anne with an eOnde histórias criam vida. Descubra agora