#44 - Como faz com ela

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(Após dois meses da lua de mel)

— Com todos os lugares do mundo que você poderia me trazer, preferiu o Relicário?

Havia sido um custo tirar Lauren de casa naquela noite, e ter que ouvir reclamações sobre o bar escolhido não estava ajudando a amiga.

Normani parou em frente ao restaurante, levou a mão na cintura e encarou a cara de poucos amigos que a morena fazia, como se por muitas vezes aquele não tivesse se tornado seu ponto preferido na cidade.

Lauren vestia uma calça jeans preta, colada ao seu corpo, um sobretudo cor branca de pano grosso para encarar o frio. Seus cabelos estavam ondulados, e no topo da cabeça uma boina francesa que havia pega do marido. Daniel havia insistido para que a esposa saísse para se divertir com Normani, enquanto ele resolveria com um amigo do banco as questões da casa deixada por Michael. Ela aceitou, mas se questionava se a amiga havia esquecido que haviam outros bares na cidade.

Não queria lembrar da cena de Camila se atracando com aquela mulher.

— Depois que você voltou a se relacionar com macho tá chata pra caralho, hein? — brigou com ela. — Você sabe que não tem motivos para temer. Camila não está aqui e mesmo que estivesse isso nunca te impediu de nada.

— Não é por Camila. — cruzou os braços, impaciente.

— Oh, certo. A namoradinha dela então. — revirou os olhos. — Acontece que tem uma mulher linda, gostosa e difícil de conquistar lá dentro. Não vou ficar cozinhando pra vir outra pessoa e comer, como você fez. Se é minha amiga, você vai me dar apoio nessa. Branquela mimada.

— Você é mesmo uma estúpida, Normani. — entrou de cara amarrada. — Vai pagar a conta só por causa da graça.

— A mamãe te banca, meu amor. — abriu a bolsa lateral, mostrando o cartão preto. — Hoje é tudo pelo meu bolso.

Dinah levou seu olhar para a entrada do restaurante e viu as duas figuras femininas entrando. Lauren carregava uma feição de sexo mal feito e Normani, jovial e reluzente como sempre. Ninguém parecia apagar o brilho daquela mulher. A negra usava uma jaqueta de couro preto, uma calça cor vinho e saltos plataforma lhe dando um visual poderoso que arrancou um suspiro derretido de Dinah.

Estavam saindo há algum tempo. Se podia considerar as idas da mulher ao bar como encontros. Ela ia sempre quando o pico estava baixo, odiava ter que dividir a atenção dos outros fregueses com Dinah, então em dias que não dava muito movimento sua presença era certa. Sentava no banco de madeira, pedia algumas bebidas e conversavam por horas até o momento que o bar fechava. Assim poderia esperar a mulher largar e lhe entregar o beijo que esperou para dar a noite inteira.

Dinah se sentia feliz ao vê-la. Além de linda, era gentil e divertida, sabia conversar e era muito inteligente, desmistificando totalmente o padrão de patricinhas fúteis daquela cidade grande.

— Olá, minha gata. — a negra falou ao se sentar, arrancando uma risada surpresa de Dinah. — Sei que seu expediente deve ter sido chato e tedioso, mas não se preocupe pois eu cheguei para dar brilho a esse lugar e se quiser, a sua vida também.

Dinah riu, odiava sentir suas bochechas corando pelos elogios de Normani.

— Olá, Normani. Como está? É bom te ver.

— Estou ótima. Estava ansiosa para te ver outra vez. E você como está?

— Bem, obrigada. Vejo que trouxe uma acompanhante hoje.

A loira olhou diretamente para a morena ao lado.

— Olá, Dinah. — Lauren disse sem jeito, e por fim se sentou.

The Farm At SunriseHistórias para pegar e não largar. Descubra agora