#42 - Novas chances

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Camila abriu os olhos naquela manhã sentindo seu corpo relaxado. Bocejou algumas vezes, sentindo o frio da cidade tocar sua pele parcialmente nu. Sentiu um braço rodar sua cintura, e percebeu a mulher como um coala agarrada ao seu corpo. Keana tinha os cabelos jogados no rosto, dormia tranquila repousada em seu peito. A troca de calor pela falta de roupa era mútua. A latina ergueu a cabeça um pouco e se aliviou por ver que a cama da amiga estava vazia.

Sua noite havia sido movimentada. Era nítido para sua mente que daquela vez de fato, havia acontecido algo entre ela e Keana. Seu recomeço havia começado mais cedo do que mediu, mas ela não queria remoer esse pensamento.

Dali em diante, era uma vida nova.

Admirou a mulher adormecida ao seu lado. Era linda, pintada por uma beleza única. Tão bonita por fora quanto por dentro. Keana era alguém simples, com muito em comum com a mexicana. Mesmo estilo de vida, gostos que se encontravam. Não era alguém impossível de ser amada e apreciada, caso se permitisse.

Só bastava dar o primeiro passo para a coragem.

— Acho que você é uma maníaca que gosta de vigiar meu sono. — a voz sonolenta saiu de Keana, que ainda mantinha seus olhos fechados.

Camila riu, sentindo sua bochecha esquentar por ter sido pega no flagra outra vez.

— Errada é você por fingir estar dormindo.

— Eu estava. — falou com a voz preguiçosa, se esticando. — Mas toda essa energia que esse seu olhar tem acabou me acordando.

Camila franziu suas sobrancelhas.

— Energia? Não sabia que você tinha um pezinho hippie, alto-astral, miçangas e vida na praia.

— A juventude do meu pai, sabe como é… Anos setenta, boêmia, muitos amigos hippies. — abriu os olhos, enfim, percebendo Camila nua e parcialmente coberta. — Bom dia, Mila. Confesso que é um alívio saber que ainda está aqui.

— Achou que eu iria fugir antes de você acordar?

— Talvez pudesse se arrepender do que aconteceu. — ergueu os ombros.

— Não sou do tipo de mulher que se arrepende das coisas. — acariciou o quadril nu de Keana, fazendo a morena sorrir graciosamente com o toque. — Ou pelo menos na maioria das vezes. Não se preocupe, esse não seria o caso.

— Eu adorei passar a noite com você… — confessou, olhando nos olhos de Camila.

— Mesmo? Digo, eu também. Foi muito bom, mas não quero que se sinta usada, eu jamais faria isso. Tipo, de verdade.

— Eu sei que não. Quero que fique livre de culpas. Somos mulheres adultas e o que fizemos, e maravilhosamente fizemos foi mútuo. — precisou  buscar uma forma de tocar naquele assunto. — Ontem Dinah pediu para que eu viesse te ver. Ela estava muito preocupada, com medo que você estivesse bêbada jogada no chão aqui da vila ou algo assim. Sei o que aconteceu, se quiser conversar sobre isso…

— Não. — Camila negou de imediato, cansada do assunto antes dele começar. — De verdade mesmo, tudo o que eu tinha para chorar, chorei ontem. Eu estou bem e o tempo vai fazer ficar melhor. Como dizem os mais velhos, o que não mata nos fortalece.

— Uma mulher como você não deveria passar por isso. 

— Ninguém merece.

— Mas você menos. Você é alguém que merece ser cuidada. — seus olhos se tornaram tímidos ao falar aquilo. — Adoraria poder fazer isso. De verdade.

— Você pode.

Keana havia se encantado por Camila desde que lhe dera um banho de café gelado, isso era um fato. O frio na barriga que sentia quando conversavam, ou as batidas do seu peito que soltavam fogos quando era abraçada pela latina, não mentia que seus sentimentos eram verdadeiros. Havia evitado pensar nela dessa forma, ao saber que tinha outra em seu coração. Não era o tipo de mulher a ser um obstáculo entre duas pessoas que se amavam, mas agora o jogo havia mudado. Camila estava há um tempo solteira, então poderia investir sentimentalmente tudo o que quis lhe entregar durante os últimos meses.

The Farm At SunriseHistórias para pegar e não largar. Descubra agora